Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo.
Praia anoitecendo
Agora há apenas um espaço
Como esse lá fora,
uma distância infinita
entre mim, você e as verdades,
espero mesmo
que a gente continue se desencontrando
Que os ventos nos soprem direções contrárias
Que os caminhos sejam preenchidos de novas lembranças
Que a vida sempre, sempre exerça a sua natureza: a mudança
Para entender que
O teu abraço,
O lugar no teu lado e
dos teus olhos, nada me cabiam ali
Foi sempre pequeno, e eu com tanto sentir
E você me pedindo pra ser menos
Como? Como segurar um oceano inteiro no peito?
Para lhe dar conforto me espremia ali no canto
No canto das tua incertezas
Na certeza que em algum momento
Eu poderia sentir tudo sem medo...
Até que aceitei, que o mar não funciona para barco pequeno.
(Adaptado de: Barbara Primavera. Praia anoitecendo. Disponivel em: https:/Morescerpoesia.blogspot.com/2025/03/praia-anoitecendo.html)
A oposição entre "oceano" e "barco pequeno" articula-se por meio de
Asinestesia que combina elementos de natureza distinta.
Bcomparação, pela presença implícita do conectivo "como".
Calegoria entre a desproporção da vastidão do sentir e a limitação do outro.
Dcatacrese, por falta de termo próprio para designar a emoção.
Eeufemismo que suaviza a ideia de inadequação amorosa.
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GabaritoC — alegoria entre a desproporção da vastidão do sentir e a limitação do outro.
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Oposição entre “oceano” e “barco pequeno”
Gabarito: letra C. A oposição entre “oceano” e “barco pequeno” articula-se por meio de uma alegoria, que representa a desproporção entre a vastidão do sentir do eu lírico e a limitação do outro. Essa figura é construída ao longo do poema, especialmente nos versos finais: “Como segurar um oceano inteiro no peito? / Para lhe dar conforto me espremia ali no canto / … / Até que aceitei, que o mar não funciona para barco pequeno.” O oceano simboliza a imensidão dos sentimentos do eu; o barco pequeno, a incapacidade do outro de acolhê-los. A oposição é evidente na incompatibilidade entre a grandeza do “oceano” e a pequenez do “barco”.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A sinestesia mistura sensações de diferentes sentidos (ex.: “cheiro doce”, “cor berrante”). No poema, não há tal fusão sensorial; as imagens são visuais e táteis, mas não combinadas em uma única impressão. A alternativa confunde alegoria com sinestesia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A comparação exigiria um conectivo explícito ou implícito (como “tal qual”, “que nem”). O verso “Como segurar um oceano inteiro no peito?” inicia uma pergunta retórica, não uma comparação entre o oceano e o barco. A oposição não se dá por semelhança, mas por contraste figurado.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alegoria é a figura que representa ideias abstratas por meio de imagens concretas e prolongadas. Aqui, o “oceano” e o “barco pequeno” são símbolos: o primeiro traduz a intensidade do sentimento do eu lírico; o segundo, a limitação do outro. A oposição entre eles – grande vs. pequeno, vasto vs. restrito – é justamente o cerne da alegoria, que percorre todo o texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A catacrese ocorre quando, por falta de termo específico, empresta-se uma palavra de outro campo semântico (ex.: “batata da perna”, “céu da boca”). No poema, “oceano” e “barco” são usados em sentido figurado, mas não há falta de termo próprio – há escolha estilística deliberada para criar a alegoria.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O eufemismo suaviza uma ideia desagradável (ex.: “partiu” por “morreu”). O poema não ameniza a inadequação amorosa; ao contrário, afirma-a diretamente com a imagem do barco pequeno. Não há atenuação, e sim constatação figurada da incompatibilidade.
Conclusão: Apenas a alternativa C descreve corretamente o recurso estilístico que articula a oposição entre “oceano” e “barco pequeno”: a alegoria.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar alegoria, procure por uma sequência de imagens que, em conjunto, representam uma ideia abstrata. No poema, todo o desfecho (“aceitei que o mar não funciona para barco pequeno”) é a chave simbólica.