Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026
Português›Interpretação de Textos
Código
fc076859
Banca
FCC
Órgão
MPE-AP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista Ministerial - Especialidade: Psicologia
A materialidade das imagens, referentes a termos como "pedras", "limo", "água", "terra" e "cheiro" assume no texto um valor conotativo que
Aexprime apenas a percepção tátil do espaço, limitando-se à experiência sensorial direta.
Bsugere neutralidade descritiva, afastando o texto de qualquer leitura de caráter simbólico.
Creforça o realismo da narrativa, afastando o texto de qualquer expressão metafórica.
Ddescreve objetivamente o ambiente subterrâneo, sem recorrer à dimensão simbólica.
Eremete a um mergulho simbólico no inconsciente e na regeneração interior.
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GabaritoE — remete a um mergulho simbólico no inconsciente e na regeneração interior.
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A conotação das imagens materiais no poço
Gabarito: letra E. O texto de Caio Fernando Abreu emprega termos concretos ("pedras", "limo", "água", "terra", "cheiro") não em sentido denotativo, mas como elementos de uma experiência simbólica de mergulho interior. A repetição de "poço", a ideia de "morrer um pouco" e a revelação final ("você vai descobrir quê") apontam para uma leitura conotativa de regeneração e contato com o inconsciente. As demais alternativas falham ao tentar prender os termos ao sentido literal.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as imagens "exprime[m] apenas a percepção tátil do espaço, limitando-se à experiência sensorial direta". O texto, porém, vai além do tato: inclui olfato ("cheiro") e, principalmente, um tom introspectivo que transcende o sensorial. A palavra "apenas" restringe indevidamente o alcance conotativo. Erro: generalização indevida (restrição).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sugere "neutralidade descritiva, afastando o texto de qualquer leitura de caráter simbólico". O texto é poético, não neutro; a repetição de "poço" e frases como "A gente morre um pouco em cada poço" carregam simbolismo existencial. Erro: contradiz o texto (afasta o simbólico quando o texto é claramente simbólico).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que "reforça o realismo da narrativa, afastando o texto de qualquer expressão metafórica". A narrativa não é realista; é uma reflexão metafísica disfarçada de descrição. A própria estrutura "poço do poço" é uma metáfora de aprofundamento. Erro: contradiz o texto (nega a metáfora presente).
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que "descreve objetivamente o ambiente subterrâneo, sem recorrer à dimensão simbólica". A descrição não é objetiva: é subjetiva, com sensações e reflexões sobre morte e descoberta. O símbolo do poço como abismo interior é evidente. Erro: contradiz o texto (ignora a dimensão simbólica explícita).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Remete a um mergulho simbólico no inconsciente e na regeneração interior." O texto inteiro sustenta essa leitura: a queda no poço como processo de autoconhecimento, a morte como passagem ("morrer é entrar noutra") e o fundo como descoberta. As imagens materiais são veículos desse simbolismo. Ancoragem: > "A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê." A progressão para o abstrato e a abertura final confirmam o valor conotativo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca testa a capacidade de distinguir denotação de conotação. As alternativas A-D tentam fixar o sentido literal, mas o texto, pelo tom e pela repetição, exige leitura simbólica. 💡 Dica: em textos literários, desconfie de alternativas que usam palavras como "apenas", "neutralidade", "objetivamente", "realismo" — elas geralmente negam a conotação.