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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc076910
Banca
FCC
Órgão
MPE-AP
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Técnico Ministerial — Especialidade: Apoio Administrativo

Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo.


   A cabeça do caboclo é muito diferente da cabeça de quem mora na cidade e vive exposto aos meios de comunicação de massa. Caboclo é a gente mais real-fantasiosa que há. Ao mesmo tempo que é desconfiado, como seus ancestrais indígenas, é também muito crédulo. Admira a retórica na boca de gente elegante e enganadora. Concebe-se como o matuto não merecedor de privilégios dos entendidos. São sonhadores, mas sabem como ninguém que sonho é só para se sonhar e deve ficar sempre somente na ca- beça. Caboclo gosta mesmo é da orgia da mata, com a excelsa cantoria da passarinhada, de insetos, de répteis e de mamíferos selvagens ou domesticados. Embebeda-se com o cheiro das plantas nativas e capins ou árvores plantadas. Reverencia a água, uma de suas maiores fontes de alimentação. A natureza é sua maior sedutora e musa inspiradora. Caboclo não se casa. Junta-se. E comunga tudo com a(o) companheira(o): trabalho, esperança, sonhos, pesares, ignorâncias, enfados, boia, pirão, alegrias e prazeres caboclos. E nem precisa de cartório para legalizar as coisas. Vale a palavra de honra do caboclo. Cartório é coisa para o citadino, que deve se precaver do calote civilizado. Mas caboclo também não é santo. Mente. E quando mente, jura por todos os santos que está falando a verdade. Cruel é o coração que não lhe acredita. A mulher cabocla não engravida. Embucha. Fica de barriga. Emprenha. No mato, esta não sofre dos melindres da mulher urbana. Tudo o que vier a sentir faz parte da trama da multiplicação.  


(Adaptado de: SANTOS Janete. Ideologia cabloca. 61 cronistas do Amapá, 2020) 

A caracterização do caboclo no texto revela uma construção identitária que:
  1. Acombina traços de simplicidade e sabedoria, contrapondo-se à artificialidade do mundo urbano.
  2. Bapresenta o campo como espago arcaico e rústico, sem relação com a vida moderna e civilizada.
  3. Cexalta o homem da cidade como modelo de civilização e padrão de comportamento sociocultural.
  4. Dreforça a inferioridade do meio rural campestre diante do progresso da cultura citadina e urbana.
  5. Edescreve o caboclo de forma neutra e singela, sem juízos de valor ou posicionamento ideológico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — combina traços de simplicidade e sabedoria, contrapondo-se à artificialidade do mundo urbano.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Caracterização do caboclo: simplicidade e sabedoria × artificialidade urbana

Gabarito: letra A. O texto constrói uma identidade do caboclo que mescla simplicidade ("matuto", "desconfiado", "crédulo") e sabedoria ("sabem como ninguém que sonho é só para se sonhar", "vale a palavra de honra"), contrapondo-se à artificialidade do mundo urbano ("cartório é coisa para o citadino, que deve se precaver do calote civilizado"). Essa oposição é constante, e o autor valoriza o caboclo, não o rebaixa.

"Caboclo é a gente mais real-fantasiosa que há. Ao mesmo tempo que é desconfiado... é também muito crédulo." "São sonhadores, mas sabem como ninguém que sonho é só para se sonhar." "Vale a palavra de honra do caboclo. Cartório é coisa para o citadino."

A questão pede a construção identitária revelada pela caracterização. Vejamos cada alternativa:

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A combinação de simplicidade (desconfiança, credulidade, matuto) com sabedoria (sonho só na cabeça, palavra de honra) é explícita. O contraste com o mundo urbano aparece na crítica ao cartório e à necessidade de precaução do citadino, indicando artificialidade. Portanto, A é a única inteiramente sustentada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o campo é apresentado como "arcaico e rústico, sem relação com a vida moderna e civilizada". O texto não nega relação; pelo contrário, mostra que o caboclo tem sua própria lógica ("a cabeça do caboclo é muito diferente", mas não incomunicável). A expressão "sem relação" é uma extrapolação (restringe indevidamente o alcance do contraste).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que o texto exalta o homem da cidade como modelo de civilização. Na verdade, o texto critica a necessidade de cartório ("deve se precaver do calote civilizado"), indicando que o citadino é visto como mais propenso a desonestidade. É o oposto: o caboclo é que tem a palavra de honra. Contradiz o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Reforça a inferioridade do meio rural" — o texto, ao contrário, exalta qualidades do caboclo ("real-fantasiosa", "sabem como ninguém", "excelsa cantoria"). Não há inferioridade; há diferença valorizada. Contradiz o texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Descrição neutra e singela, sem juízos de valor" — o texto é repleto de juízos positivos: "a gente mais real-fantasiosa que há", "sabem como ninguém", "embebeda-se com o cheiro", "reverencia a água", "maior sedutora e musa inspiradora". O tom é claramente elogioso. Contradiz o texto.

Conclusão: apenas a alternativa A capta a essência da caracterização, que valoriza a sabedoria simples do caboclo em contraste com a artificialidade urbana.

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