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Questão de Português — Sintaxe — FCC 2026

PortuguêsSintaxe
Código
fc076969
Banca
FCC
Órgão
MPE-SE
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista do Ministério Público - Ciências Contábeis

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.



[Em busca da origem da desigualdade social]



    A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No principio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidėncias arqueológicas que se acumularam nas trés últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.


    Não demorou, contudo, para se tornar óbvia a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos -por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governos fortes, exercidos de cima para baixo, ou relatos de processos democráticos de tomada de decisão na Africa ou na América.


    No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenasa uma reticência por parte de pesquisadores: tratava-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais. Como, por exemplo, nos referirmos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?


    No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou 'república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspecto da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável a conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.



(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552) 

No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenas a uma reticência por parte de pesquisadores.


A frase acima manterá seu sentido e sua correção caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por:

  1. Aindiferença por — indecisão
  2. Bdisposição para com - falta de interesse
  3. Cdisposição em — ausência por culpa
  4. Dresistência a - hesitação
  5. Einclinação para — omissão deliberada
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — resistência a - hesitação

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de "relutância" e "reticência" mantendo sentido

Gabarito: letra D. A alternativa que preserva o sentido original e a correção gramatical ao substituir "relutância" por "resistência a" e "reticência" por "hesitação" é a letra D. O texto associa ambos os termos à ideia de oposição/falta de disposição em sintetizar informações, e "resistência" e "hesitação" capturam exatamente esse espectro semântico.

Análise do contexto

A frase original: "No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenas a uma reticência por parte de pesquisadores."

  • Relutância = falta de vontade, oposição interna, resistência.

  • Reticência = hesitação, reserva, falta de prontidão.

Ambos indicam uma barreira psicológica, e o texto afirma que essa barreira não era apenas por causa de uma atitude hesitante dos pesquisadores, mas também pela falta de linguagem adequada.

Alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

  • "indiferença por" e "indecisão" trocam o sentido original: "indiferença" denota apatia, não resistência ativa; "indecisão" é dúvida, não propriamente reticência. A frase ficaria descaracterizada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

  • "disposição para com" é antônimo de relutância (disposição = vontade, boa vontade). "Falta de interesse" também não equivale a reticência (reticência envolve hesitação, não necessariamente desinteresse). A banca usa a estratégia de trocar por um termo semântico oposto (extrapolação por inversão).

Alternativa C — ❌ Incorreta

  • "disposição em" (novamente, sentido contrário) e "ausência por culpa" (introduz uma causa que não está no texto — extrapolação). A frase original não fala em culpa.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

  • "resistência a" = sinônimo de relutância (oposição, recusa interior). "Hesitação" = sinônimo de reticência (ato de hesitar, retardar). Ambas as substituições mantêm o sentido literal e a coesão textual. Não há quebra de regência (resistência a + algo, hesitação sem complemento).

Alternativa E — ❌ Incorreta

  • "inclinação para" é o oposto de relutância (inclinação = tendência favorável). "Omissão deliberada" é um ato intencional de esconder, que não corresponde ao sentido de reticência no contexto (que é uma atitude de reserva, não necessariamente deliberada para omitir). A banca apela para a falsa equivalência entre "reticência" e "omissão".

NÃO CAIA NESSA!

Troca de termos por antônimos ou por palavras que parecem sinônimas mas alteram o sentido ("disposição", "inclinação", "omissão deliberada"). Desconfie sempre de alternativas que invertem a carga semântica da palavra original.

Gabarito: letra D.

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