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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc076970
Banca
FCC
Órgão
MPE-SE
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Analista do Ministério Público - Ciências Contábeis

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.



[Em busca da origem da desigualdade social]



    A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No principio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidėncias arqueológicas que se acumularam nas trés últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.


    Não demorou, contudo, para se tornar óbvia a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos -por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governos fortes, exercidos de cima para baixo, ou relatos de processos democráticos de tomada de decisão na Africa ou na América.


    No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenasa uma reticência por parte de pesquisadores: tratava-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais. Como, por exemplo, nos referirmos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?


    No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou 'república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspecto da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável a conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.



(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552) 

Em busca da origem da desigualdade social, os autores do livro O despertar de tudo, no último paragrafo desse texto,
  1. Aconcluem que a desigualdade social, desfazendo o mito do igualitarismo, pode ser um fator permanente da nossa história.
  2. Bdemonstram que o igualitarismo social só terá ocorrido na história caso se considere o fator da igualdade num sentido bastante elástico.
  3. Cdizem ter refundado os conceitos de “democracia” e de “república” depois que se depararam com cidades igualitárias.
  4. Dafirmam que apenas alguns povos lograram fundar sociedades em que o igualitarismo foi praticado por um bom tempo.
  5. Ereferem seu acesso a documentos esparsos, nos quais se fazia referência a cidades onde a pratica religiosa era um fator de agregação social.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — concluem que a desigualdade social, desfazendo o mito do igualitarismo, pode ser um fator permanente da nossa história.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conclusão dos autores sobre a desigualdade social

Gabarito: letra A. No último parágrafo, os autores concluem que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode ser um mito a ser desmontado, o que equivale a afirmar que a desigualdade social pode ser um fator permanente da história, desfazendo o mito do igualitarismo.

A passagem decisiva está no final do texto:

"Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado."

Isso mostra que os autores colocam em dúvida a ideia de que houve sociedades igualitárias primitivas, sugerindo que a desigualdade sempre esteve presente – logo, é um fator permanente.


Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa parafraseia corretamente a conclusão: "desfazendo o mito do igualitarismo" corresponde a "mito a ser desmontado"; "pode ser um fator permanente da nossa história" é uma inferência legítima, pois, se o mito é desmontado, não há evidência de que a desigualdade não tenha estado sempre presente.


Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não afirma que o igualitarismo só teria ocorrido se considerado em sentido elástico. Pelo contrário, os autores rejeitam a ideia de que seja possível provar o igualitarismo de forma minimamente rigorosa, e concluem que as cidades igualitárias provavelmente nunca existiram.


Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. Os autores dizem que não há um termo de aceitação geral e que se arriscariam a chamar de "democracia" ou "república", mas isso é uma dúvida, não uma refundação. Não há menção a terem "refundado" esses conceitos nem a terem se deparado com cidades igualitárias.


Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação e contradição. O texto não afirma que "apenas alguns povos" lograram praticar o igualitarismo por um bom tempo. Pelo contrário, a conclusão é que a ideia de igualitarismo primitivo é um mito, ou seja, provavelmente nenhum povo o praticou.


Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: fuga ao tema e extrapolação. O texto não menciona "documentos esparsos" nem diz que a prática religiosa era fator de agregação social. A única menção à religião aparece no contexto de que provar igualdade exigiria demonstrar ausência de desigualdade também nas práticas religiosas, o que é inviável.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a dificuldade de interpretar a conclusão final. Muitos candidatos podem se perder nas dúvidas terminológicas (democracia, república, igualitária) e esquecer que a ideia central é a desconstrução do mito igualitário.

PEGA ESSA DICA!

Ao ler o último parágrafo, identifique a oração principal após "Trata-se, enfim, de considerar...". Essa é a tese final do trecho. Compare com o enunciado da alternativa: ela deve ser uma paráfrase fiel, sem acréscimos ou deturpações.

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