Interpretação do desfecho — projeção imaginária × realidade
Gabarito: letra C. A frase "mas nós não nos conhecíamos" revela que toda a convivência descrita anteriormente é uma projeção imaginária — o narrador fantasia uma amizade que nunca existiu. O texto sustenta isso ao contrastar o extenso relato de encontros e afinidades com a afirmação conclusiva: "Mas nós não nos conhecíamos. Nos vimos algumas vezes no elevador de serviço...".
A chave de resolução está no comando: a questão pede o que a frase revela (interpretação). A passagem final inverte o sentido de tudo o que foi narrado: o leitor descobre que os eventos não passaram de um devaneio. Alternativas que tratam a relação como real (rivalidade ou amizade concreta) contradizem o texto.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que há "rivalidade velada" entre vizinhos. O texto jamais menciona rivalidade ou qualquer antagonismo; ao contrário, o narrador projeta uma amizade cordial. Erro: extrapola — acrescenta sentimento inexistente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sugere "rivalidade explícita" com inveja. Novamente, não há qualquer indício de inveja ou hostilidade. O narrador apenas imagina uma relação amigável. Erro: contradiz o texto (inventa conflito onde há neutralidade).
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Projeção imaginária de uma amizade potencial" é a interpretação exata. Todo o trecho inicial é construído no futuro do pretérito ("convidaria", "serviríamos", "seríamos") — modo verbal típico de hipótese — e o desfecho derruba a fantasia: "Mas nós não nos conhecíamos." A amizade é apenas uma possibilidade idealizada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Fala de "forte amizade que se desenvolveu inesperadamente". O texto nega qualquer desenvolvimento: eles não se conheciam. Erro: contradiz o texto — a amizade nunca aconteceu.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Amizade entre colegas de trabalho". O texto não os situa como colegas de trabalho; são vizinhos de prédio. Além disso, a amizade é fictícia. Erro: extrapola — inventa vínculo profissional.
Gabarito: letra C