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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc077105
Banca
FCC
Órgão
MPE-SE
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Técnico do Ministério Público - Manutenção e Suporte de Equipamentos de Informática e Software
Atenção: Leia o trecho do romance Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato, para responder å questão.


    Nós poderíamos ter sido grandes amigos.

    Eu o convidaria para um jantar sábado à noite, aqui em nosso apartamento, serviriamos um magnifico pernil de cordeiro acomodado em ramos de alecrim, um honesto Quinta da Bacalhoa, e ouviríamos, encantados, o último disco do Chico Buarque, uma соletânea da Dinah Washington, uma outra cantora que agora me foge o nome, adquirida na Tower Records, em Londres.

    Seríamos apresentados à sua esposa, já vislumbrada rapidamente na piscina, e, uma ou duas taças, deixariamos o sofá de veludo espanhol amarelo pelas duras e ásperas cadeiras de palha da cozinha, não tão grande quanto era nosso desejo, para ajudar a Célia, avental motivos-surrealistas, cuidando do assado e da salada. Eu lavaria a louça, ele e a mulher arrumariam a mesa, toalha, talheres, copos, descansos. Após o jantar, de novo esparramados no conforto da sala, nos perderíamos no torvelinho das conversas e, madrugada, quando já nem mais ânimo tivéssemos para trocar o cedé,a rua ausente de carros, uma leve culpa por as crianças estarem na casa de algum coleguinha ou de parentes, se imiscuiria em nosso último assunto, e nos despediriamos, prometendo nos frequentar com alguma assiduidade.

    O tempo solidificaria a relação.

  Trocaríamos e-mails e encheríamos o computador de spams, correntes-da-felicidade, abaixo-assinados, alertas sobrea descoberta de novos vírus, as mais recentes modalidades de crimes, fotos indecentes, charges e até mesmo endereços interessantes, lojas virtuais de cedés e de livros, e descobriríamos afinidades que insuspeitávamos, e toda sexta-feira nos encontraríamos para o happy hour num barzinho da Lapa, "o melhor tira-gosto de São Paulo", e revelariamos quea escola das crianças não é tão boa quanto imaginávamos, e confessaríamos que ambos mentiamos para os amigos sobre aventuras extraconjugais, e que, embora a colega assistente da diretoria existisse, a única vez que falei com ela foi para me desculpar por ter derrubado sua sobremesa no chão do refeitório, e chegaríamos em casa recendendo a álcool, e as mulheres reclamariam e diriam que "Homem é tudo igual", e no dia seguinte, sábado, acordaríamos cedo para comprar peixe e verduras no Mercado Municipal. Mas nós não nos conhecíamos. Nos vimos algumas vezes no elevador de serviço, a caminho da garagem do prédio, uma ou outra vez na piscina, ele lendo a Veja, eu nadando com a Joana e o Afonsinho. 

(Adaptado de: RUFFATO, Luiz. Eles eram muitos cavalos. São Paulo: Companhia das Letras, 2013) 
A palavra sublinhada no trecho "e descobririamos afinidades que insuspeitávamos" (5º parágrafo) pode ser substituida, sem prejuízo para as relações de sentido e a correção gramatical, por:
  1. Anão desconfiávamos.
  2. Bnão temíamos.
  3. Cimportunamos.
  4. Dnão deduzimos.
  5. Eincomodávamos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — não desconfiávamos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de "insuspeitávamos" — sentido e correção gramatical

Gabarito: letra A. A palavra "insuspeitávamos" é formada pelo prefixo de negação in- + o verbo "suspeitar" no pretérito imperfeito do indicativo (1ª pessoa do plural). Seu significado literal é "não suspeitávamos" ou "não desconfiávamos". A alternativa A — não desconfiávamos — mantém integralmente o sentido e a correção gramatical, pois "desconfiar" é sinônimo de "suspeitar" e a locução "não desconfiávamos" preserva o tempo, o modo e a pessoa verbais.

Trecho do texto: "e descobriríamos afinidades que insuspeitávamos" (5º parágrafo).

A relação de sentido é clara: as afinidades eram desconhecidas, não suspeitadas. Nenhuma das demais alternativas expressa essa ideia.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Não desconfiávamos" é paráfrase exata de "insuspeitávamos". O prefixo in- equivale à negação "não", e "suspeitar/desconfiar" são intercambiáveis no contexto. A forma verbal (pretérito imperfeito, 1ª pessoa do plural) é idêntica à original. Não há prejuízo de sentido ou gramática.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Não temíamos altera o sentido. "Temer" é sentir medo, não é sinônimo de "suspeitar". O texto fala de algo que não se imaginava existir, não de algo que não se receava. A troca rompe a relação semântica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Importunamos (presente do indicativo) é um verbo completamente diferente (incomodar, perturbar) e ainda altera o tempo verbal (presente, em vez de imperfeito). Sem qualquer relação com o original.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Não deduzimos troca "suspeitar" por "deduzir" (concluir por raciocínio). Suspeitar é uma hipótese intuitiva; deduzir é um processo lógico. Não há equivalência, e a forma "deduzimos" está no presente do indicativo, enquanto o original exige imperfeito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Incomodávamos (imperfeito) tem sentido de causar aborrecimento, totalmente distante de "suspeitar". A banca pode tentar confundir porque "incomodar" também começa com in-, mas o radical e o significado são outros.

NÃO CAIA NESSA!

A armadilha está em alternativas com verbos negativos ou com prefixo in- (B e E) que fogem do campo semântico de "suspeita". A chave é reconhecer que "insuspeitávamos" = "não suspeitávamos" e encontrar o sinônimo mais próximo.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de substituição vocabular, decomponha a palavra (prefixo + radical) e busque no texto o contexto frasal. "Insuspeitávamos" modifica "afinidades" — são afinidades que não se imaginava existir. O verbo "desconfiar" encaixa perfeitamente.

Gabarito: letra A

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