Equivalência de sentidos no texto de Almino Valares
Gabarito: letra A. A única alternativa que preserva o sentido original do segmento é a que traduz "memória da memória que era minha" por "conservo a lembrança do meu modo de lembrar". No texto, o autor opõe a memória digital (exata, sem lacunas) à sua memória pessoal, que mesclava lembrança e imaginação. A expressão "memória da memória" refere-se justamente a essa forma de recordar que ele cultivava. As demais alternativas ou trocam palavras-chave por sinônimos inadequados ou interpretam erroneamente o contexto.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O trecho "Fica comigo a memória da memória que era minha" encerra o texto e sintetiza a tese: o autor guarda a lembrança do seu próprio modo de recordar (com hesitação, invenção, preenchimento de lacunas). A paráfrase "conservo a lembrança do meu modo de lembrar" capta exatamente esse sentido. Não há perda de informação ou acréscimo indevido.
"Fica comigo, no entanto, a saudade da memória que eu praticava misturando lembrança e imaginação, me valendo da riqueza comovente dos vazios que eu me esmerava em preencher. Fica comigo a memória da memória que era a minha."
A "memória da memória" é a recordação do método pessoal de lembrar — daí a equivalência.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"a digitalização computacional suprime as franjas e as sombras" (3º parágrafo)
A paráfrase oferecida é: "a computação digital perverte as bordas obscuras". O texto afirma que a digitalização suprime (elimina, remove) as franjas e sombras, não que as perverte (distorce, corrompe). A troca do verbo altera radicalmente o sentido. Além disso, "bordas obscuras" é uma tentativa de traduzir "franjas e sombras", mas o foco do erro está no verbo. Erro: troca de vocábulo que inverte o sentido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"um passado que dava por perdido" (1º parágrafo)
A paráfrase é: "me ocorria por meio de uma perda pretérita". No texto, "dava por perdido" significa considerava perdido, julgava que não existia mais. A expressão "me ocorria por meio de uma perda pretérita" quer dizer "acontecia comigo através de uma perda passada" — ideia completamente diferente. O autor não diz que o passado lhe ocorria por uma perda; diz que ele o tinha como perdido (até ser resgatado digitalmente). Erro: interpretação equivocada da locução verbal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"nesse repertório inesgotável de sensações" (2º parágrafo)
A paráfrase: "em tal mostruário de concepções infindas". "Sensações" (impressões sensoriais, emoções) é trocado por "concepções" (ideias, conceitos) — palavras de campos semânticos distintos. Além disso, "repertório" tem a ideia de acervo disponível, enquanto "mostruário" sugere amostras expostas para venda, o que não é adequado ao contexto. Erro: substituição por falso sinônimo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Faltava às lembranças digitalizadas a hesitação" (2º parágrafo)
A paráfrase: "não restava a dúvida de digitar lembranças". O original afirma que as lembranças digitalizadas careciam de hesitação (no sentido de pausa para escolha, incerteza). O verbo "digitar" não aparece no texto e distorce completamente a ideia: o autor não fala de datilografar, mas de hesitação como parte do processo mnemônico. Erro: extrapolação e troca de sentido.
Conclusão
Todas as alternativas, exceto A, cometem algum deslize: substituem verbos ou substantivos por equivalentes impróprios, invertem a lógica da frase ou acrescentam informações estranhas ao texto. A correta é a única que mantém fidelidade ao sentido contextual.
Gabarito: letra A