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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc077425
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Estadual - AFRE - Gestão Tributária - Conhecimentos Gerais (P1)
[...] Рodemos interpretar a ciência como um maра, como uma representação de como vemos a natureza (o território). Neste caso, Borges está criticando cientistas que acreditam, inocentemente, que o que fazem é produzir um mapa perfeito da realidade.A analogia é bem apropriada, dado que captura tanto os objetivos quanto as frustrações da pesquisa cientifica: queremos aprender o máximo possível sobre o mundo e traduzir o que aprendemos em um mapa que outros podem ler. Quanto mais aprendemos, mais detalhado fica o mapa. Entretanto, como o filósofo francês Bernard Le Bovier de Fontenelle já sabia em 1686, podemos ver apenas uma fração do que existe. Por consequência, qualquer mapa que produzimos é necessariamente incompleto. [...](Marcelo Gleiser, 12/08/2018. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcelogleiser/2018/08/mapeando-a-realidade- em-busca-de-uma-perfeicao-Inatingivel.shtml)Considere cinco pesquisas científicas fictícias cujos objetivos fossem desenvolver:I. uma droga capaz de curar todos os tipos de lesões cancerígenas.II. uma liga metálica capaz de resistira temperaturas mais altas do que as ligas atuais.III. uma ferramenta de inteligência artificial capaz de compor uma sinfonia.IV. uma bateria para carros elétricos com vida útil dez vezes maior do que a das atuais.V. um robô humanoide capaz de conduzir um ônibus em uma grande cidade.Entre essas pesquisas científicas, aquela que poderia ser criticada usando um argumento análogo ao apresentado no texto de Marcelo Gleiser é
  1. AIV.
  2. BV.
  3. CI.
  4. DII.
  5. EIII.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — I.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da Pesquisa Fictícia e o Argumento do Mapa Perfeito

Gabarito: letra C (I). A pesquisa que busca uma droga capaz de curar "todos os tipos" de câncer reflete a mesma pretensão de perfeição total que o texto critica – a crença em um mapa completo da realidade, ignorando que a ciência é necessariamente incompleta.

“Borges está criticando cientistas que acreditam, inocentemente, que o que fazem é produzir um mapa perfeito da realidade. [...] qualquer mapa que produzimos é necessariamente incompleto.”

O texto de Marcelo Gleiser usa a metáfora do mapa para mostrar que a ciência, por mais detalhada que seja, jamais capturará a totalidade da natureza – sempre haverá uma fração invisível. A crítica incide sobre a pretensão de totalidade: querer um mapa que represente tudo.

Agora, vejamos cada pesquisa fictícia:

Alternativa A — IV — ❌ Incorreta

A bateria com vida útil dez vezes maior busca uma melhoria quantitativa, não a totalidade. O texto não critica avanços graduais, e sim a ilusão de um mapa completo.

Alternativa B — V — ❌ Incorreta

O robô que conduz um ônibus em uma grande cidade é um objetivo específico e factível dentro de um recorte – não almeja cobrir todas as situações possíveis. Foge do escopo da crítica.

Alternativa C — I — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A droga que promete curar "todos os tipos" de lesões cancerígenas é análoga ao mapa perfeito: ignora a incompletude inerente ao conhecimento científico. É a única que compartilha a pretensão de totalidade criticada no texto.

Alternativa D — II — ❌ Incorreta

A liga metálica que resiste a temperaturas mais altas é um avanço pontual, não uma representação exaustiva da realidade. Não há pretensão de totalidade.

Alternativa E — III — ❌ Incorreta

A inteligência artificial que compõe uma sinfonia é um objetivo criativo e específico, não um mapa completo de nada. Não se enquadra na crítica.

NÃO CAIA NESSA!

O candidato pode cair na tentação de achar que qualquer pesquisa ambiciosa serve, mas o texto ataca especificamente a busca pela totalidade – expressa no quantificador "todos". As demais alternativas são avanços significativos, mas não pretendem exaurir o campo.

PEGA ESSA DICA!

Grife no enunciado as palavras que indicam extensão: "todos os tipos" (I) versus "mais altas", "dez vezes maior", "conduzir um ônibus" – são comparativos ou específicos, nunca totalizantes.

Gabarito: letra C (I).

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