Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026
- Código
- fc077425
- Banca
- FCC
- Órgão
- SEFAZ-SP
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Auditor Fiscal da Receita Estadual - AFRE - Gestão Tributária - Conhecimentos Gerais (P1)
- AIV.
- BV.
- CI.
- DII.
- EIII.
GabaritoC — I.
Gabarito: letra C (I). A pesquisa que busca uma droga capaz de curar "todos os tipos" de câncer reflete a mesma pretensão de perfeição total que o texto critica – a crença em um mapa completo da realidade, ignorando que a ciência é necessariamente incompleta.
“Borges está criticando cientistas que acreditam, inocentemente, que o que fazem é produzir um mapa perfeito da realidade. [...] qualquer mapa que produzimos é necessariamente incompleto.”
O texto de Marcelo Gleiser usa a metáfora do mapa para mostrar que a ciência, por mais detalhada que seja, jamais capturará a totalidade da natureza – sempre haverá uma fração invisível. A crítica incide sobre a pretensão de totalidade: querer um mapa que represente tudo.
Agora, vejamos cada pesquisa fictícia:
A bateria com vida útil dez vezes maior busca uma melhoria quantitativa, não a totalidade. O texto não critica avanços graduais, e sim a ilusão de um mapa completo.
O robô que conduz um ônibus em uma grande cidade é um objetivo específico e factível dentro de um recorte – não almeja cobrir todas as situações possíveis. Foge do escopo da crítica.
A droga que promete curar "todos os tipos" de lesões cancerígenas é análoga ao mapa perfeito: ignora a incompletude inerente ao conhecimento científico. É a única que compartilha a pretensão de totalidade criticada no texto.
A liga metálica que resiste a temperaturas mais altas é um avanço pontual, não uma representação exaustiva da realidade. Não há pretensão de totalidade.
A inteligência artificial que compõe uma sinfonia é um objetivo criativo e específico, não um mapa completo de nada. Não se enquadra na crítica.
O candidato pode cair na tentação de achar que qualquer pesquisa ambiciosa serve, mas o texto ataca especificamente a busca pela totalidade – expressa no quantificador "todos". As demais alternativas são avanços significativos, mas não pretendem exaurir o campo.
Grife no enunciado as palavras que indicam extensão: "todos os tipos" (I) versus "mais altas", "dez vezes maior", "conduzir um ônibus" – são comparativos ou específicos, nunca totalizantes.
Gabarito: letra C (I).
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