O critério do intendente para definir a longevidade das espécies
Gabarito: letra A. O texto apresenta uma fábula em que o intendente do Céu estabelece o tempo de vida de cada espécie com base em sua disposição para o convívio com outra determinada espécie – no caso, os humanos. Isso se comprova nos exemplos: a tartaruga recebe vida longa por ser indiferente aos homens; o papagaio, por imitá-los e diverti-los; o cachorro recebe vida curta por ser amigo incondicional e sofredor. A alternativa A parafraseia exatamente esse padrão.
Trecho que comprova a alternativa A: “Disse o intendente para a Tartaruga: - Você se dá bem com essa couraça, com essa neutralidade, com essa indiferença aos homens... Vai durar muitos e muitos anos.” “Diante do Papagaio, sentenciou: - Essa ideia de plagiar os humanos, imitando-os e gozando-os, divertindo-os e divertindo-se, faz de você um malandrão... Bem merece uma vida longa.” “Chegou a vez do Cachorro. [...] - Quer dizer que você já decidiu ser amigo incondicional dos homens? [...] Pois então vou te aquinhoar com uns poucos anos.”
A longevidade de cada espécie é determinada pela relação específica que ela estabelece com os humanos, e não por características isoladas como independência, sacrifício ou bônus.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que o critério é “definir a expectativa de vida conforme sua assumida disposição para o convívio com outra determinada espécie”. O texto mostra que a tartaruga (indiferença), o papagaio (imitação gozadora) e o cachorro (amizade incondicional) são julgados exatamente pela disposição para com os homens. A palavra “outra determinada espécie” refere-se aos humanos, que são a espécie com a qual todas as demais interagem.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“avaliar a durabilidade de cada uma consoante a convicção de quem se define por sua estrita independência.” Erro: Generalização indevida. Apenas a tartaruga é descrita como indiferente e independente; o papagaio e o cachorro não. O papagaio imita e depende da interação; o cachorro é amigo fiel, portanto dependente. Logo, a “independência” não é o critério geral.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“determinar sua longevidade segundo o sacrifício imposto pelo exercício pleno de sua virtude original.” Erro: Generalização indevida. O “sacrifício” e a “virtude original” são mencionados especificamente para o cachorro: “que tua virtude valha teu sacrifício”. Tartaruga e papagaio não sofrem sacrifício; recebem vida longa sem esse ônus. Portanto, o critério não se aplica a todas as espécies.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“acrescer ao seu tempo de vida uma espécie de bônus que faça jus ao cumprimento de sua vocação.” Erro: Fora do escopo (extrapolação). O texto não fala em “acrescer” ou “bônus” – o intendente define a vida inteira, e não uma adição. Além disso, a “vocação” não é mencionada como critério; o cachorro cumpre sua vocação de amigo, mas ganha vida curta, não bônus.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“recalcular a durabilidade da vida no caso de eventuais inconstâncias em seu modo de avaliar outra espécie.” Erro: Fora do escopo (extrapolação). O texto não menciona “recalcular”, “inconstâncias” ou mudanças no julgamento. O intendente aplica um critério fixo a cada espécie, sem revisões ou instabilidades.
Conclusão: A única alternativa que capta o critério geral do intendente é a letra A, pois ele avalia a longevidade de cada espécie a partir de sua disposição para o convívio com os humanos – um padrão coerente nos três exemplos apresentados.