Em nova redação, a frase do texto que mantém adequada correlação entre os tempos e modos verbais é:
AÉ provável que tivesse existido um núcleo disfuncional em tudo aquilo, algo que botará o motor para rodar.
BQualquer que fosse o fenômeno psíquico que virá a levar alguém à escrita, é informação de interesse.
CA literatura criaria, à medida que tenha sido escrita, as regras pelas quais exigira ser lida.
DO raciocínio não haverá de ser aplicado a quem venha a lidar com a linguagem como mero instrumento.
E"Profissionais do texto" que mirariam um objeto fora do mundo da linguagem poderão se sentir plenos.
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GabaritoD — O raciocínio não haverá de ser aplicado a quem venha a lidar com a linguagem como mero instrumento.
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Correlação verbal na reescritura
Gabarito: letra D. A única alternativa que preserva a correlação adequada entre tempos e modos verbais é a D, pois emprega o futuro perifrástico "haverá de ser aplicado" e o futuro do subjuntivo "venha a lidar", ambos orientados para o futuro, mantendo coerência temporal. As demais misturam tempos incompatíveis (presente com pretérito, futuro com condicional, etc.), quebrando a lógica temporal do enunciado original.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
"É provável que tivesse existido um núcleo disfuncional em tudo aquilo, algo que botará o motor para rodar."
No original, temos "É provável que exista... bota" (presente do subjuntivo + presente do indicativo). A alternativa troca o presente do subjuntivo pelo pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo ("tivesse existido") e o presente pelo futuro do presente ("botará"). A combinação de um fato hipotético passado com um resultado futuro é incoerente: se o núcleo já tivesse existido (passado), o que "botará" (futuro) não se sustenta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Qualquer que fosse o fenômeno psíquico que virá a levar alguém à escrita, é informação de interesse."
Original: "Qualquer que seja... que leva... será" (presente do subjuntivo + presente do indicativo + futuro). A alternativa usa pretérito imperfeito do subjuntivo ("fosse"), futuro do presente composto ("virá a levar") e presente do indicativo ("é"). A mescla de passado hipotético com futuro e presente quebra a correlação: se "qualquer que fosse" remete a um passado, o verbo seguinte deveria estar nesse mesmo plano temporal, e não no futuro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"A literatura criaria, à medida que tenha sido escrita, as regras pelas quais exigira ser lida."
Original: "cria, à medida que é escrita, ... exigirá" (presente, presente, futuro). A alternativa emprega futuro do pretérito ("criaria"), pretérito perfeito composto do subjuntivo ("tenha sido escrita") e pretérito mais-que-perfeito do indicativo ("exigira"). O futuro do pretérito normalmente exige uma condição ou contexto passado, ausente aqui; o pretérito mais-que-perfeito "exigira" indica ação anterior a outra passada, não compatível com "criaria" (condicional).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"O raciocínio não haverá de ser aplicado a quem venha a lidar com a linguagem como mero instrumento."
A locução "haverá de ser aplicado" (futuro do presente composto, com valor de futuro) e "venha a lidar" (futuro do subjuntivo) estabelecem uma correlação lógica: a ação futura de "não ser aplicado" refere-se a pessoas que eventualmente "venham a lidar" (ação futura em relação ao momento da fala). Ambos os verbos apontam para o mesmo eixo temporal futuro, sem conflito. Embora o original use o presente ("não se aplica a quem lida"), a reescritura para o futuro é gramaticalmente correta e mantém correlação adequada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"'Profissionais do texto' que mirariam um objeto fora do mundo da linguagem poderão se sentir plenos."
Original: "que miram... podem" (presente do indicativo). A alternativa usa futuro do pretérito ("mirariam") e futuro do presente ("poderão"). O futuro do pretérito expressa um fato futuro em relação a um ponto de referência passado, mas não há nenhum contexto passado que o justifique; o futuro do presente ("poderão") é independente, gerando descompasso. A combinação de condicional com futuro simples não é coerente sem uma oração condicional explícita.
NÃO CAIA NESSA!
A banca testa a capacidade de identificar correlação entre tempos e modos verbais, explorando misturas que parecem plausíveis, mas quebram a lógica temporal (ex.: pretérito com futuro, condicional com futuro).
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever frases, mantenha o eixo temporal (presente, passado, futuro) coerente entre as orações. Verbos no futuro do subjuntivo combinam bem com futuros do presente, e o futuro do pretérito exige um contexto de passado ou condição.