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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2026

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
fc077449
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Estadual - AFRE - Gestão Tributária - Conhecimentos Gerais (P1)
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Escrever é verbo que briga com o sujeito


   No ofício da literatura, linguagem é mais do que meio: é princípio e fim. A literatura cria, à medida que é escrita, as regras pelas quais exigirá ser lida. É por isso que o terreno nunca vai estar inteiramente mapeado; o risco é parte inseparável do jogo. Se há algo de "universal" aí, é negativo: uma permanente insatisfação parece ser comum a gente de variadas épocas e escolas. O raciocínio não se aplica a quem lida com a linguagem como mero instrumento. "Profissionais do texto" que miram um objeto existente fora do mundo da linguagem podem se sentir plenos ao informar, relatar, dissertar, argumentar, resumir, requerer, inventariar etc. Não por acaso, são essas as funções da escrita em que a IA já se tornou competente.

   Na "escritor" e escrita criativa não se tem a mesma sorte. A insatisfação eterna sugere um ajuste precário entre sujeito e verbo, "escrever". É provável que exista um núcleo disfuncional em tudo isso, aquilo que bota o motor para rodar. Qualquer que seja о fenômeno psíquico que leva alguém à escrita, será informação de interesse para quem escreve, mas irrelevante para quem lê.

   O propósito terapêutico que possa ser extraído do conhecimento da ferida anímica que provoca o texto não importa no mundo do texto. O propósito estético da escrita literária não é apenas desvinculado de seu eventual propósito clínico; é, em certo sentido, o contrário dele. Olha para o lado oposto: para fora do sujeito, para o mundo das palavras. Então os escritores são todos uns neuróticos? O romancista americano E.L. Doctorow tem uma frase famosa que sugere distúrbio mais grave: "Escrever é uma forma socialmente aceita de esquizofrenia". Nesse ponto cabe ter cautela. Como metáfora, a coisa tem sua utilidade -quem escreve pode mesmo "ouvir" vozes dentro da cabeça. Contudo, deve-se evitar a tentação de associar arte e loucura para dar ares malditos, heroicos, messiânicos ou mágicos ao que é apenas deformação profissional, boca torta do cachimbo. Embora possa parecer, nada disso tem a ver com uma visão romântica da literatura. Escrever é só um oficio entre tantos, mas em certos aspectos não se assemelha a nenhum outro - o que é natural.


(RODRIGUES, Sérgio. "llustrada". Folha de S. Paulo. 20 agosto de 2025)
Justifica-se plenamente o emprego do plural em todas as formas verbais em:
  1. AAdicionem-se aos gênios proclamados o mérito de quem os compreenderam para proclamá-los.
  2. BAplaudam-se nas altas obras da literatura os esforços bem sucedidos dos que as fizeram exuberantes.
  3. CAos criadores literários cabem respeitar a importância decisiva que as palavras ganham, para além do que informam.
  4. DReconheçam-se nos profissionais da literatura a alta responsabilidade que assumem em seu ofício.
  5. ESão de se louvar, entre os artistas de todas as linguagens, o apuro dos meios que se emprega em sua expressão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Aplaudam-se nas altas obras da literatura os esforços bem sucedidos dos que as fizeram exuberantes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal — identificação do sujeito

Gabarito: letra B. Apenas na alternativa B todos os verbos estão corretamente flexionados no plural, concordando com seus respectivos sujeitos. Em todas as demais, há pelo menos um verbo com desinência de plural para sujeito singular ou vice‑versa.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Adicionem-se aos gênios proclamados o mérito de quem os compreenderam para proclamá-los."

  • "Adicionem-se": o sujeito é "o mérito" (singular) → deveria ser "Adicione-se".

  • "compreenderam": o pronome relativo "quem" é singular (equivale a "a pessoa que") → o verbo deveria ser "compreendeu".

Portanto, o plural não se justifica em nenhum dos dois verbos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Aplaudam-se nas altas obras da literatura os esforços bem sucedidos dos que as fizeram exuberantes."

  • "Aplaudam-se": sujeito "os esforços" (plural) → plural correto.

  • "fizeram": o relativo "que" retoma "dos que" (plural "os") → plural correto.

Ambos os verbos estão plenamente justificados no plural.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Aos criadores literários cabem respeitar a importância decisiva que as palavras ganham, para além do que informam."

  • "cabem": o sujeito é a oração infinitiva "respeitar a importância..." (singular) → o correto é "cabe".

  • "informam": a expressão "o que" é singular, exige verbo no singular → "informa".

Logo, há dois verbos mal flexionados.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Reconheçam-se nos profissionais da literatura a alta responsabilidade que assumem em seu ofício."

  • "Reconheçam-se": sujeito "a alta responsabilidade" (singular) → deveria ser "Reconheça-se".

  • "assumem" está correto (sujeito "que" = "profissionais", plural).

Mas um erro já invalida a alternativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"São de se louvar, entre os artistas de todas as linguagens, o apuro dos meios que se emprega em sua expressão."

  • "São": sujeito "o apuro" (singular) → deveria ser "É".

  • "emprega": sujeito "que" (retoma "meios", plural) → deveria ser "empregam".

Duas discordâncias.

Conclusão: Somente a alternativa B apresenta todos os verbos corretamente no plural, justificando plenamente seu emprego.

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