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Questão de Português — Sintaxe — FCC 2026

PortuguêsSintaxe
Código
fc077457
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Estadual - AFRE - Gestão Tributária - Conhecimentos Gerais (P1)
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Arrependimentos


   Pentimento é a palavra italiana para arrependimento, mas designa, em muitas línguas, uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro. Ás vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão. Outras vezes, os raios X dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.

    Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história. 

   A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar; são todos pentimentos encobertos, histórias que não se realizaram. Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.

     O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa". Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Os pentimentos podem ser maus conselheiros, até porque muitas vezes nós os inventamos como desculpas para OS fracassos do presente. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Por conta da ação das redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer, como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado. Os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.


(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitara vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, pp. 25-27, passim)
Indica-se uma adequada alternativa de redação para o segmento sublinhado na frase:
  1. AA vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar = aonde desistimos.
  2. Buma grande potencialidade à qual teríamos renunciado = da qual teríamos aberto mão.
  3. Ca tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão = sobre cuja.
  4. Dfazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos = de que renunciamos.
  5. Ecoisas das quais era necessário abdicar = pelas quais era preciso abster-se.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado = da qual teríamos aberto mão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrevendo segmentos com regência correta

Gabarito: letra B. A única alternativa que respeita a regência do verbo proposto e mantém o sentido original é a B: substitui "à qual teríamos renunciado" por "da qual teríamos aberto mão", pois "abrir mão" exige a preposição "de". As demais trocam verbos sem ajustar a preposição ou empregam pronomes relativos de forma inadequada.

A questão testa a capacidade de reescrever trechos do texto mantendo o sentido e observando a regência dos verbos sinônimos. O comando pede uma "adequada alternativa de redação", ou seja, uma paráfrase gramaticalmente correta e semanticamente equivalente.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"caminhos que deixamos de trilhar = aonde desistimos"

"A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar"

O verbo "desistir" rege a preposição de (desistir de algo), não a. Portanto, "aonde desistimos" é incorreto. Além disso, "deixar de trilhar" (parar de seguir) não equivale a "desistir" (renunciar a um projeto). Erro: regência trocada e mudança de sentido.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado = da qual teríamos aberto mão"

"como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado"

"Renunciar" exige a preposição a (renunciar a algo). "Abrir mão" exige a preposição de (abrir mão de algo). A substituição de "à qual" por "da qual" ajusta corretamente a regência, e os verbos são sinônimos no contexto. Paráfrase perfeita.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"em cima da qual o artista pintou uma nova versão = sobre cuja"

"a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão"

"Sobre cuja" é uma construção incompleta: o pronome relativo "cuja" exige um substantivo imediatamente após (ex.: "sobre cuja superfície"). A locução "em cima da qual" poderia ser substituída por "sobre a qual", mas não por "sobre cuja". Erro: uso incorreto do pronome 'cuja'.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"dos quais desistimos = de que renunciamos"

"muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos"

"Renunciar" rege a preposição a, não de. Portanto, "de que renunciamos" está errado. O correto seria "a que renunciamos" ou "dos quais abrimos mão". Erro: regência inadequada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"coisas das quais era necessário abdicar = pelas quais era preciso abster-se"

"não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar"

"Abdicar" exige a preposição de (abdicar de algo), e já está corretamente expresso em "das quais". Já "abster-se" também exige de (abster-se de algo), mas a preposição usada é por (pelas quais), o que é incorreto. Além disso, "abdicar" e "abster-se" não são sinônimos perfeitos: abdicar é renunciar voluntariamente; abster-se é deixar de fazer. Erro: regência errada e mudança de sentido.

Conclusão: Apenas a alternativa B respeita a regência dos verbos sinônimos e mantém o sentido original do texto, sendo a resposta correta.

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