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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc077463
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Estadual - AFRE - Gestão Tributária - Conhecimentos Gerais (P1)
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Arrependimentos


   Pentimento é a palavra italiana para arrependimento, mas designa, em muitas línguas, uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro. Ás vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão. Outras vezes, os raios X dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.

    Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história. 

   A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar; são todos pentimentos encobertos, histórias que não se realizaram. Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.

     O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa". Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Os pentimentos podem ser maus conselheiros, até porque muitas vezes nós os inventamos como desculpas para OS fracassos do presente. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Por conta da ação das redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer, como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado. Os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.


(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitara vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, pp. 25-27, passim)
A afirmação por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo (3ª parágrafo) reflete a enganosa crença de que
  1. Aos sacrifícios a se fazer são prescindíveis para a nossa plena realização.
  2. Bo acesso às paixões e aos sonhos nossos é reconhecidamente custoso.
  3. Ca busca de uma idealidade plena compensa com sobras o saldo da desilusão.
  4. Datingimos a plenitude de uma conquista quando nos submetemos aos nossos limites.
  5. Eabandonamos nossos caminhos para o sucesso por falta de perseverança.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — os sacrifícios a se fazer são prescindíveis para a nossa plena realização.

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A crença enganosa por trás de “por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo”

Gabarito: letra A. A frase do 3º parágrafo reflete a crença enganosa de que os sacrifícios são prescindíveis para a plena realização, pois o autor afirma que “nada se realiza sem perdas”. A alternativa A é a única que capta exatamente essa ilusão de que podemos evitar perdas.

No texto, a passagem-chave:

“E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.”

O autor explica que a dificuldade em aceitar a necessidade de perdas leva à paralisia e ao fracasso. A crença enganosa é justamente imaginar que se pode realizar plenamente sem abrir mão de nada.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação “os sacrifícios a se fazer são prescindíveis para a nossa plena realização” é uma paráfrase da crença enganosa que o texto critica. O autor sustenta que “nada se realiza sem perdas”; portanto, acreditar que podemos nos realizar sem sacrifícios é ilusório. A alternativa não extrapola, apenas reescreve com outras palavras a ideia de recusar perdas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“O acesso às paixões e aos sonhos nossos é reconhecidamente custoso.” O texto reconhece que é custoso (“quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas”), mas a frase em questão não reflete a crença de que o acesso é custoso; ao contrário, ela expressa a tentativa de evitar esse custo. A alternativa inverte o sentido: o problema não é reconhecer o custo, mas recusá-lo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“A busca de uma idealidade plena compensa com sobras o saldo da desilusão.” O texto não menciona compensação nem idealidade plena. A crença enganosa é que se pode evitar perdas, não que a idealidade compensa a desilusão. A alternativa acrescenta opinião alheia ao texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Atingimos a plenitude de uma conquista quando nos submetemos aos nossos limites.” O texto fala em aceitar perdas, não em submissão a limites. A frase “nada se realiza sem perdas” não equivale a “submeter-se a limites”. A alternativa troca conceito: perda ≠ limite.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Abandonamos nossos caminhos para o sucesso por falta de perseverança.” O texto atribui o abandono à recusa em aceitar perdas, não à falta de perseverança. A alternativa contradiz o texto ao introduzir uma causa não mencionada e, além disso, o autor critica a crença de que é possível evitar perdas, não a falta de perseverança.

Gabarito: letra A.

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