Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc077664
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Estadual - AFRE - Tecnologia da Informação e Comunicação - Conhecimentos Gerais (P1)
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.


    Mas o grande perigo da crítica é um dedutivismo ingênuo que, partindo de uma pré-noção, acha no seu campo de pesquisas apenas aquilo que procura. Veja-se, por exemplo, o caso de Taine. Já Edmond Schérer, num dos seus "estudos" mais felizes, apontava os lados fracos da interpretação tainiana da arte ou da história literária. Em vez de proceder por indução, Taine deduz forçosamente de uma ideia preconcebida as componentes que deverão formar o caráter de uma épоca оu o espírito de uma literatura.

   Sem dúvida, o crítico não pode prescindir de uma hipótese, como o cientista, para abrir uma picada no mato virgem dos fatos. Mas também não deve esquecer que, além da clareira mensurável, começa a exuberância das probabilidades, como uma floresta de interrogações. Respeitar o outro lado provável das coisas, admitir em tudo a parte do indeterminado é uma boa tática para quem não gosta de tropeçar em surpresas irônicas.


(Adaptado de: MEYER, Augusto, "Mas...", Machado de Assis (1935-1958). Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 2008, p. 65)
Acerca das estratégias de argumentação no texto,
  1. Aa analogia com o cientista, no segundo parágrafo, é argumento que reitera o caráter ingênuo do uso da dedução na análise literária.
  2. Bo primeiro parágrafo argumenta por meio do exemplo de Taine, alicerçado, por sua vez, em um argumento de autoridade, com a menção a Edmond Schérer.
  3. Co exemplo de Taine presta-se, enquanto argumento, para descartar o raciocínio dedutivo como método de compreensão no contexto das obras literárias.
  4. Do contraexemplo da mata virgem, opondo-se ao exemplo de Taine, no segundo parágrafo, é utilizado para ilustrar a escoIha do autor pelo raciocínio indutivo.
  5. Eno segmento "Respeitar o outro lado provável das coisas", corrobora-se o compromisso com uma teoria a partir da qual se devem deduzir as características de uma obra de arte.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — o primeiro parágrafo argumenta por meio do exemplo de Taine, alicerçado, por sua vez, em um argumento de autoridade, com a menção a Edmond Schérer.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estratégias argumentativas no texto – Análise

Gabarito: letra B. O primeiro parágrafo argumenta com o exemplo de Taine e sustenta essa crítica com a autoridade de Edmond Schérer, caracterizando um argumento de autoridade. As demais alternativas ou distorcem a função dos trechos ou contradizem o texto.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A analogia com o cientista, no segundo parágrafo, serve para mostrar que o crítico precisa de uma hipótese, não para reiterar o caráter ingênuo do uso da dedução. O texto diz: "Sem dúvida, o crítico não pode prescindir de uma hipótese, como o cientista". Portanto, a analogia sugere a necessidade de uma hipótese, e não reforça a crítica à dedução ingênua. A alternativa contradiz o texto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O primeiro parágrafo apresenta Taine como exemplo de dedutivismo ingênuo e baseia essa crítica na autoridade de Schérer: "Já Edmond Schérer, num dos seus 'estudos' mais felizes, apontava os lados fracos da interpretação tainiana". Isso configura um argumento de autoridade aliado ao exemplo. A alternativa está correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O texto critica o dedutivismo ingênuo de Taine, mas não descarta o raciocínio dedutivo como método. Pelo contrário, no segundo parágrafo afirma que o crítico "não pode prescindir de uma hipótese". A alternativa extrapola e contradiz o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A "mata virgem dos fatos" é uma metáfora para a complexidade dos dados, e não um contraexemplo que se opõe ao exemplo de Taine. O texto não faz escolha explícita pelo raciocínio indutivo; apenas critica a dedução ingênua e defende a abertura para o indeterminado. A alternativa contradiz o texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O segmento "Respeitar o outro lado provável das coisas" defende a admissão da incerteza, e não o compromisso com uma teoria que permite deduzir características. O texto diz: "admitir em tudo a parte do indeterminado é uma boa tática". Portanto, a alternativa inverte o sentido do trecho.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/fc077664