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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2026

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
fc077703
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Estadual - AFRE - Tecnologia da Informação e Comunicação - Conhecimentos Gerais (P1)
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Escrever é verbo que briga com o sujeito


   No ofício da literatura, linguagem é mais do que meio: é princípio e fim. A literatura cria, à medida que é escrita, as regras pelas quais exigirá ser lida. É por isso que o terreno nunca vai estar inteiramente mapeado; o risco é parte inseparável do jogo. Se há algo de "universal” aí, é negativo: uma permanente insatisfação parece ser comum a gente de variadas épocas e escolas. O raciocínio não se aplica a quem lida com a linguagem como mero instrumento. "Profissionais do texto" que miram um objeto existente fora do mundo da linguagem podem se sentir plenos ao informar, relatar, dissertar, argumentar, resumir, requerer, inventariar etc. Não por acaso, são essas as funções da escrita em que a IA já se tornou competente.

   Na escrita criativa não se tem a mesma sorte. A insatisfação eterna sugere um ajuste precário entre sujeito e verbo, “escritor" e "escrever". É provável que exista um núcleo disfuncional em tudo isso, aquilo que bota o motor para rodar. Qualquer que seja o fenômeno psíquico que leva alguém à escrita, será informação de interesse para quem escreve, mas irrelevante para quem lê. O propósito terapêutico que possa ser extraído do conhecimento da ferida anímica que provoca o texto não importa no mundo do texto.

   O propósito estético da escrita literária não é apenas desvinculado de seu eventual propósito clínico; é, em certo sentido, o contrário dele. Olha para o lado oposto: para fora do sujeito, para o mundo das palavras. Então os escritores são todos uns neuróticos? O romancista americano E.L. Doctorow tem uma frase famosa que sugere distúrbio mais grave: "Escrever é uma forma socialmente aceita de esquizofrenia". Nesse ponto cabe ter cautela. Como metáfora, a coisa tem sua utilidade - quem escreve pode mesmo "ouvir" vozes dentro da cabeça. Contudo, deve-se evitar a tentação de associar arte e loucura para dar ares malditos, heroicos, messiânicos ou mágicos ao que é apenas deformação profissional, boca torta do cachimbo. Embora possa parecer, nada disso tem a ver com uma visão romântica da literatura. Escrever é só um ofício entre tantos, mas em certos aspectos não se assemelha a nenhum outro - o que é natural.


(RODRIGUES, Sérgio. "Ilustrada". Folha de S. Paulo. 20 agosto de 2025)
Justifica-se plenamente o emprego do plural em todas as formas verbais em:
  1. AAos criadores literários cabem respeitar a importância decisiva que as palavras ganham, para além do que informam.
  2. BReconheçam-se nos profissionais da literatura a alta responsabilidade que assumem em seu ofício.
  3. CSão de se louvar, entre os artistas de todas as linguagens, o apuro dos meios que se emprega em sua expressão.
  4. DAdicionem-se aos gênios proclamados o mérito de quem os compreenderam para proclamá-los.
  5. EAplaudam-se nas altas obras da literatura os esforços bem sucedidos dos que as fizeram exuberantes.
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GabaritoE — Aplaudam-se nas altas obras da literatura os esforços bem sucedidos dos que as fizeram exuberantes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: emprego do plural nas formas verbais

Gabarito: letra E. A única alternativa em que todas as formas verbais estão corretamente flexionadas no plural, concordando com seus respectivos sujeitos. Na alternativa E, o verbo "Aplaudam-se" tem como sujeito "os esforços" (plural), e o verbo "fizeram" tem como sujeito o pronome relativo "que" (plural, referindo-se a "os"). Nas demais, há verbos no plural que deveriam estar no singular ou vice-versa.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Aos criadores literários cabem respeitar a importância decisiva que as palavras ganham, para além do que informam."

O verbo "cabem" está no plural, mas o sujeito é a oração "respeitar a importância...", que exige verbo no singular: "cabe". Os demais verbos estão corretos: "ganham" (sujeito "as palavras") e "informam" (sujeito "que" referindo-se a "palavras").

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Reconheçam-se nos profissionais da literatura a alta responsabilidade que assumem em seu ofício."

Dois erros: o sujeito de "Reconheçam-se" é "a alta responsabilidade" (singular), então o correto é "Reconheça-se". O verbo "assumem" tem como sujeito o pronome relativo "que", que se refere a "a alta responsabilidade" (singular); portanto, deveria ser "assume".

Alternativa C — ❌ Incorreta

"São de se louvar, entre os artistas de todas as linguagens, o apuro dos meios que se emprega em sua expressão."

O sujeito de "São" é "o apuro" (singular), então o correto é "É". Já "emprega" deveria estar no plural, pois seu sujeito é "que", referindo-se a "meios" (plural): "empregam".

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Adicionem-se aos gênios proclamados o mérito de quem os compreenderam para proclamá-los."

"Adicionem-se" deveria ser "Adicione-se" (sujeito "o mérito", singular). "compreenderam" tem como sujeito "quem", que é singular; o correto seria "compreendeu" (ou "compreenderam" se aceito como plural, mas a norma culta prefere o singular).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Aplaudam-se nas altas obras da literatura os esforços bem sucedidos dos que as fizeram exuberantes."

O verbo "Aplaudam-se" concorda com o sujeito "os esforços" (plural). O verbo "fizeram" concorda com o sujeito "que", que se refere a "os" (plural – "os que" = aqueles). Ambas as formas estão no plural e corretas.

Gabarito: letra E

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