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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2026

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
fc077704
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Estadual - AFRE - Tecnologia da Informação e Comunicação - Conhecimentos Gerais (P1)
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Escrever é verbo que briga com o sujeito


   No ofício da literatura, linguagem é mais do que meio: é princípio e fim. A literatura cria, à medida que é escrita, as regras pelas quais exigirá ser lida. É por isso que o terreno nunca vai estar inteiramente mapeado; o risco é parte inseparável do jogo. Se há algo de "universal” aí, é negativo: uma permanente insatisfação parece ser comum a gente de variadas épocas e escolas. O raciocínio não se aplica a quem lida com a linguagem como mero instrumento. "Profissionais do texto" que miram um objeto existente fora do mundo da linguagem podem se sentir plenos ao informar, relatar, dissertar, argumentar, resumir, requerer, inventariar etc. Não por acaso, são essas as funções da escrita em que a IA já se tornou competente.

   Na escrita criativa não se tem a mesma sorte. A insatisfação eterna sugere um ajuste precário entre sujeito e verbo, “escritor" e "escrever". É provável que exista um núcleo disfuncional em tudo isso, aquilo que bota o motor para rodar. Qualquer que seja o fenômeno psíquico que leva alguém à escrita, será informação de interesse para quem escreve, mas irrelevante para quem lê. O propósito terapêutico que possa ser extraído do conhecimento da ferida anímica que provoca o texto não importa no mundo do texto.

   O propósito estético da escrita literária não é apenas desvinculado de seu eventual propósito clínico; é, em certo sentido, o contrário dele. Olha para o lado oposto: para fora do sujeito, para o mundo das palavras. Então os escritores são todos uns neuróticos? O romancista americano E.L. Doctorow tem uma frase famosa que sugere distúrbio mais grave: "Escrever é uma forma socialmente aceita de esquizofrenia". Nesse ponto cabe ter cautela. Como metáfora, a coisa tem sua utilidade - quem escreve pode mesmo "ouvir" vozes dentro da cabeça. Contudo, deve-se evitar a tentação de associar arte e loucura para dar ares malditos, heroicos, messiânicos ou mágicos ao que é apenas deformação profissional, boca torta do cachimbo. Embora possa parecer, nada disso tem a ver com uma visão romântica da literatura. Escrever é só um ofício entre tantos, mas em certos aspectos não se assemelha a nenhum outro - o que é natural.


(RODRIGUES, Sérgio. "Ilustrada". Folha de S. Paulo. 20 agosto de 2025)
Em nova redação, a frase do texto que mantém adequada correlação entre os tempos e modos verbais é:
  1. AA literatura criaria, à medida que tenha sido escrita, as regras pelas quais exigira ser lida.
  2. BO raciocínio não haverá de ser aplicado a quem venha a lidar com a linguagem como mero instrumento.
  3. C"Profissionais do texto" que mirariam um objeto fora do mundo da linguagem poderão se sentir plenos.
  4. DÉ provável que tivesse existido um núcleo disfuncional em tudo aquilo, algo que botará o motor para rodar.
  5. EQualquer que fosse o fenômeno psíquico que virá a levar alguém à escrita, é informação de interesse.
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GabaritoB — O raciocínio não haverá de ser aplicado a quem venha a lidar com a linguagem como mero instrumento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Correlação verbal na reescrita

Gabarito: letra B. A única alternativa que mantém adequada correlação entre tempos e modos verbais é a B, pois emprega corretamente o futuro do indicativo ("haverá de ser aplicado") e o presente do subjuntivo ("venha a lidar") em uma estrutura coerente de hipótese ou generalização futura. As demais alternativas apresentam inconsistências temporais ou modais que quebram a relação lógica entre as ideias.

A análise de cada alternativa baseia-se no texto original, que emprega predominantemente o presente do indicativo para expressar fatos gerais. Vejamos a passagem original que serve de referência:

"O raciocínio não se aplica a quem lida com a linguagem como mero instrumento."


Alternativa

Verbo 1 (forma)

Verbo 2 (forma)

Verbo 3 (forma)

Correlação

Erro / Acerto

A

criaria (condicional)

tenha sido escrita (pret. perf. subj.)

exigira (mais-que-perf. ind.)

Caótica

Mistura hipótese, passado anterior e passado anterior; sem lógica temporal

B

haverá de ser aplicado (fut. ind.)

venha a lidar (pres. subj.)

—

Coerente

Futuro + subjuntivo presente: hipótese/generalização futura adequada

C

mirariam (condicional)

poderão (fut. ind.)

—

Incoerente

Condicional (hipótese) + futuro (certeza futura) quebram a relação

D

tivesse existido (pret. mais-que-perf. subj.)

botará (fut. ind.)

—

Incoerente

Passado hipotético + futuro categórico sem nexo temporal

E

fosse (pret. imperf. subj.)

virá a levar (fut. ind.)

é (pres. ind.)

Incoerente

Passado hipotético + futuro + presente misturados sem coesão

Alternativa A — ❌ Incorreta

A literatura criaria, à medida que tenha sido escrita, as regras pelas quais exigira ser lida.

A alternativa mistura o condicional ("criaria"), o pretérito perfeito do subjuntivo ("tenha sido escrita") e o pretérito mais-que-perfeito do indicativo ("exigira"), criando uma sequência temporal caótica. No original, a ideia é expressa no presente do indicativo ("cria", "é escrita", "exigirá" — futuro). A correlação aqui é incoerente: não há relação lógica entre hipótese (condicional) e passado anterior (subjuntivo composto) e passado anterior (mais-que-perfeito).

Erro: troca de conceito (inconsistência temporal e modal).


Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O raciocínio não haverá de ser aplicado a quem venha a lidar com a linguagem como mero instrumento.

A correlação é adequada: o futuro do indicativo ("haverá de ser aplicado") expressa uma ação futura ou uma verdade geral com valor de futuro, e o presente do subjuntivo ("venha a lidar") é usado na oração subordinada adjetiva para indicar uma possibilidade ou generalização. A sequência futuro + subjuntivo presente é clássica em construções desse tipo, mantendo a coesão temporal.


Alternativa C — ❌ Incorreta

"Profissionais do texto" que mirariam um objeto fora do mundo da linguagem poderão se sentir plenos.

A alternativa usa o condicional ("mirariam") e o futuro do indicativo ("poderão"). O condicional sugere uma hipótese, mas o futuro encerra uma certeza futura, criando incongruência. No original, ambos os verbos estão no presente do indicativo ("miram", "podem"), indicando fato atual. A reescrita deveria manter ambos no condicional ("mirariam", "poderiam") se quisesse expressar hipótese, ou ambos no futuro ("mirarão", "poderão") para predição.

Erro: troca de conceito (quebra de correlação entre condicional e futuro).


Alternativa D — ❌ Incorreta

É provável que tivesse existido um núcleo disfuncional em tudo aquilo, algo que botará o motor para rodar.

A frase começa com "É provável" (presente do indicativo), que exige o presente do subjuntivo na oração subordinada ("exista" ou "tenha existido"). No entanto, emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo ("tivesse existido"), que só seria adequado se a oração principal estivesse no passado ("Era provável que tivesse existido"). Além disso, o verbo "botará" (futuro do indicativo) não se harmoniza com o contexto hipotético-passado do subjuntivo anterior. A correlação é quebrada.

Erro: troca de conceito (incompatibilidade entre tempo do subjuntivo e tempo da oração principal).


Alternativa E — ❌ Incorreta

Qualquer que fosse o fenômeno psíquico que virá a levar alguém à escrita, é informação de interesse.

A expressão "qualquer que fosse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) exige que a oração principal esteja no passado ou no condicional. No entanto, a oração principal está no presente ("é informação"). O correto seria "qualquer que seja" (presente do subjuntivo) para coincidir com o presente, ou "qualquer que fosse" acompanhado de "seria" (condicional). Além disso, "virá a levar" (futuro) também contrasta com o passado do subjuntivo.

Erro: troca de conceito (inconsistência entre subjuntivo passado e presente na oração principal).


Conclusão: Apenas a alternativa B mantém a correlação verbal adequada, combinando futuro e presente do subjuntivo de forma coerente.

Gabarito: letra B.

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