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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc077705
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Estadual - AFRE - Tecnologia da Informação e Comunicação - Conhecimentos Gerais (P1)
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Escrever é verbo que briga com o sujeito


   No ofício da literatura, linguagem é mais do que meio: é princípio e fim. A literatura cria, à medida que é escrita, as regras pelas quais exigirá ser lida. É por isso que o terreno nunca vai estar inteiramente mapeado; o risco é parte inseparável do jogo. Se há algo de "universal” aí, é negativo: uma permanente insatisfação parece ser comum a gente de variadas épocas e escolas. O raciocínio não se aplica a quem lida com a linguagem como mero instrumento. "Profissionais do texto" que miram um objeto existente fora do mundo da linguagem podem se sentir plenos ao informar, relatar, dissertar, argumentar, resumir, requerer, inventariar etc. Não por acaso, são essas as funções da escrita em que a IA já se tornou competente.

   Na escrita criativa não se tem a mesma sorte. A insatisfação eterna sugere um ajuste precário entre sujeito e verbo, “escritor" e "escrever". É provável que exista um núcleo disfuncional em tudo isso, aquilo que bota o motor para rodar. Qualquer que seja o fenômeno psíquico que leva alguém à escrita, será informação de interesse para quem escreve, mas irrelevante para quem lê. O propósito terapêutico que possa ser extraído do conhecimento da ferida anímica que provoca o texto não importa no mundo do texto.

   O propósito estético da escrita literária não é apenas desvinculado de seu eventual propósito clínico; é, em certo sentido, o contrário dele. Olha para o lado oposto: para fora do sujeito, para o mundo das palavras. Então os escritores são todos uns neuróticos? O romancista americano E.L. Doctorow tem uma frase famosa que sugere distúrbio mais grave: "Escrever é uma forma socialmente aceita de esquizofrenia". Nesse ponto cabe ter cautela. Como metáfora, a coisa tem sua utilidade - quem escreve pode mesmo "ouvir" vozes dentro da cabeça. Contudo, deve-se evitar a tentação de associar arte e loucura para dar ares malditos, heroicos, messiânicos ou mágicos ao que é apenas deformação profissional, boca torta do cachimbo. Embora possa parecer, nada disso tem a ver com uma visão romântica da literatura. Escrever é só um ofício entre tantos, mas em certos aspectos não se assemelha a nenhum outro - o que é natural.


(RODRIGUES, Sérgio. "Ilustrada". Folha de S. Paulo. 20 agosto de 2025)
A expressão em linguagem figurada aquilo que bota o motor pra rodar, no contexto do 2º parágrafo, encontra equivalência de sentido numa linguagem denotativa em
  1. Ao elemento que move esse moinho.
  2. Ba causa da vertigem criativa.
  3. Cas asas ativas da criação.
  4. Do fator que aciona a atividade escritural.
  5. Eo que estabiliza a usina da linguagem.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — o fator que aciona a atividade escritural.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido figurado e denotativo na expressão "bota o motor pra rodar"

Gabarito: letra D. A expressão metafórica "aquilo que bota o motor pra rodar" (2º parágrafo) significa o que aciona/dispara o processo da escrita. A única alternativa que traduz essa ideia em linguagem denotativa (literal, sem figuras) é a D — "o fator que aciona a atividade escritural". As demais permanecem no campo figurado, usando imagens como moinho, vertigem, asas e usina.

"É provável que exista um núcleo disfuncional em tudo isso, aquilo que bota o motor para rodar."

O texto trata do impulso que move a escrita literária. Denotativamente, trata-se de um fator (causa) que aciona (põe em movimento) a atividade de escrever (escritural).


Alternativa A — ❌ Incorreta

"o elemento que move esse moinho" — moinho é metáfora; permanece figurado. Erro: troca_conceito (não há denotação).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"a causa da vertigem criativa" — vertigem é sentido figurado; não é denotativo. Erro: troca_conceito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"as asas ativas da criação" — asas é metáfora; mantém o figurado. Erro: troca_conceito.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"o fator que aciona a atividade escritural" — todos os termos são denotativos: fator (elemento real), aciona (ativa), atividade escritural (ato de escrever). Correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"o que estabiliza a usina da linguagem" — usina é metáfora; figurado. Erro: troca_conceito.


Conclusão: A questão exige a passagem do figurado ao literal. Somente a D cumpre esse requisito, substituindo a imagem do motor por termos concretos e diretos.

Gabarito: letra D

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