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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc077706
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Estadual - AFRE - Tecnologia da Informação e Comunicação - Conhecimentos Gerais (P1)
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Escrever é verbo que briga com o sujeito


   No ofício da literatura, linguagem é mais do que meio: é princípio e fim. A literatura cria, à medida que é escrita, as regras pelas quais exigirá ser lida. É por isso que o terreno nunca vai estar inteiramente mapeado; o risco é parte inseparável do jogo. Se há algo de "universal” aí, é negativo: uma permanente insatisfação parece ser comum a gente de variadas épocas e escolas. O raciocínio não se aplica a quem lida com a linguagem como mero instrumento. "Profissionais do texto" que miram um objeto existente fora do mundo da linguagem podem se sentir plenos ao informar, relatar, dissertar, argumentar, resumir, requerer, inventariar etc. Não por acaso, são essas as funções da escrita em que a IA já se tornou competente.

   Na escrita criativa não se tem a mesma sorte. A insatisfação eterna sugere um ajuste precário entre sujeito e verbo, “escritor" e "escrever". É provável que exista um núcleo disfuncional em tudo isso, aquilo que bota o motor para rodar. Qualquer que seja o fenômeno psíquico que leva alguém à escrita, será informação de interesse para quem escreve, mas irrelevante para quem lê. O propósito terapêutico que possa ser extraído do conhecimento da ferida anímica que provoca o texto não importa no mundo do texto.

   O propósito estético da escrita literária não é apenas desvinculado de seu eventual propósito clínico; é, em certo sentido, o contrário dele. Olha para o lado oposto: para fora do sujeito, para o mundo das palavras. Então os escritores são todos uns neuróticos? O romancista americano E.L. Doctorow tem uma frase famosa que sugere distúrbio mais grave: "Escrever é uma forma socialmente aceita de esquizofrenia". Nesse ponto cabe ter cautela. Como metáfora, a coisa tem sua utilidade - quem escreve pode mesmo "ouvir" vozes dentro da cabeça. Contudo, deve-se evitar a tentação de associar arte e loucura para dar ares malditos, heroicos, messiânicos ou mágicos ao que é apenas deformação profissional, boca torta do cachimbo. Embora possa parecer, nada disso tem a ver com uma visão romântica da literatura. Escrever é só um ofício entre tantos, mas em certos aspectos não se assemelha a nenhum outro - o que é natural.


(RODRIGUES, Sérgio. "Ilustrada". Folha de S. Paulo. 20 agosto de 2025)
A afirmação, no contexto do 2º parágrafo, de que O propósito terapêutico [...] não importa no mundo do texto ganha um reforço argumentativo quando se assevera, no 3º parágrafo, que
  1. Ao projeto estético da arte literária é de certa forma oposto a um ocasional intuito clínico.
  2. Bé preciso ser cauteloso na formulação de metáforas para se definir o que é literatura.
  3. Co ofício de um escritor leva-o a se concentrar nas possibilidades curativas de sua arte.
  4. Dtão somente a arte romântica é capaz de cumprir um desígnio de fundo sanitarista.
  5. Ea singularidade da escritura artística está na superação prévia dos traumas psíquicos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — o projeto estético da arte literária é de certa forma oposto a um ocasional intuito clínico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reforço argumentativo no 3º parágrafo

Gabarito: letra A. A afirmação do 2º parágrafo de que o propósito terapêutico "não importa no mundo do texto" é reforçada no 3º parágrafo quando se diz que "O propósito estético da escrita literária não é apenas desvinculado de seu eventual propósito clínico; é, em certo sentido, o contrário dele". Alternativa A parafraseia exatamente essa oposição: o projeto estético é oposto a um ocasional intuito clínico.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O propósito estético da escrita literária não é apenas desvinculado de seu eventual propósito clínico; é, em certo sentido, o contrário dele."

A alternativa reproduz a mesma ideia: o propósito estético (projeto estético da arte literária) é oposto ao intuito clínico (ocasional propósito terapêutico). É o reforço direto indicado pelo enunciado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Nesse ponto cabe ter cautela. Como metáfora, a coisa tem sua utilidade..."

A cautela quanto a metáforas refere-se à associação entre arte e loucura, não à oposição entre estético e terapêutico. A alternativa tangencia o tema, sem reforçar a ideia principal.

Erro: fuga ao tema (fora_do_escopo).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"O propósito terapêutico [...] não importa no mundo do texto."

A alternativa afirma o contrário do texto: que o escritor se concentra nas possibilidades curativas. O texto defende a irrelevância do terapêutico para a estética.

Erro: contradiz o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"nada disso tem a ver com uma visão romântica da literatura."

O texto nega que haja relação com visão romântica; a alternativa atribui à arte romântica um papel sanitarista que não é mencionado. Não há reforço, e sim afirmação estranha ao texto.

Erro: extrapolação (fora_do_escopo).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Qualquer que seja o fenômeno psíquico [...] irrelevante para quem lê."

A alternativa sugere superação prévia dos traumas, mas o texto diz que o propósito terapêutico não importa. A ideia de superação não está presente e contradiz a tese.

Erro: contradiz o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a reescrita do trecho central do 3º parágrafo. A alternativa correta é a única que mantém o sentido de oposição (contrário/oposto). As demais ou se desviam do foco (B, D) ou invertem a tese (C, E).

Resumo: a resposta está na passagem que afirma que o propósito estético é o contrário do clínico — alternativa A é a paráfrase fiel.

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