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Questão de Português — Sintaxe — FCC 2026

PortuguêsSintaxe
Código
fc077716
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Estadual - AFRE - Tecnologia da Informação e Comunicação - Conhecimentos Gerais (P1)
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Arrependimentos


   Pentimento é a palavra italiana para arrependimento, mas designa, em muitas línguas, uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro. Âs vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão. Outras vezes, os raios X dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.

   Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história.

   A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar; são todos pentimentos encobertos, histórias que não se realizaram. Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.

   O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa". Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Os pentimentos podem ser maus conselheiros, até porque muitas vezes nós os inventamos como desculpas para os fracassos do presente. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Por conta da ação das redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer, como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado. Os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.


(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, pp. 25-27, passim)
Indica-se uma adequada alternativa de redação para o segmento sublinhado na frase:
  1. Aa tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão = sobre cuja.
  2. Bfazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos = de que renunciamos.
  3. Ccoisas das quais era necessário abdicar = pelas quais era preciso abster-se.
  4. DA vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar = aonde desistimos.
  5. Euma grande potencialidade à qual teríamos renunciado = da qual teríamos aberto mão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado = da qual teríamos aberto mão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita com regência correta

Gabarito: letra E. A única alternativa que mantém o sentido original e respeita a regência do verbo é a E: a expressão "à qual teríamos renunciado" (verbo renunciar exige preposição "a") pode ser substituída por "da qual teríamos aberto mão" (verbo abrir mão exige preposição "de"), sem alteração de significado. As demais falham por trocar a preposição exigida.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Original: "em cima da qual". Proposta: "sobre cuja". O pronome "cuja" exige um substantivo após si (ex.: "sobre cuja composição"), não podendo ser usado isoladamente. Além disso, a preposição "sobre" não substitui adequadamente "em cima de" sem ajustes. Erro: troca de termo (uso inadequado de "cuja").

Alternativa B — ❌ Incorreta

Original: "dos quais desistimos" (desistir pede "de"). Proposta: "de que renunciamos". O verbo "renunciar" rege preposição "a", e não "de". O correto seria "a que renunciamos". Erro: desrespeito à regência verbal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Original: "das quais era necessário abdicar" (abdicar pede "de"). Proposta: "pelas quais era preciso abster-se". O verbo "abster-se" rege preposição "de", e não "por". O correto seria "das quais era preciso abster-se". Além disso, o sentido de "abdicar" e "abster-se" é próximo, mas a regência difere. Erro: regência inadequada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Original: "caminhos que deixamos de trilhar" (trilhar é VTD; "que" é objeto direto). Proposta: "aonde desistimos". "Aonde" indica destino e é incompatível com "desistir" (que exige "de"). Além disso, a estrutura muda o papel sintático do relativo. Erro: mudança de sentido e regência.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Original: "uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado". Proposta: "da qual teríamos aberto mão". "Renunciar a" e "abrir mão de" são equivalentes semânticos e a preposição na relativa foi corretamente ajustada: "da qual" (de + a qual) corresponde a "da qual" (abrir mão de algo). O sentido permanece idêntico. Acerto: reescrita fiel com regência correta.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever com verbos sinônimos, verifique sempre a regência do novo verbo. Trocar a preposição sem ajustar quebra a norma culta.

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