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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc077717
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Estadual - AFRE - Tecnologia da Informação e Comunicação - Conhecimentos Gerais (P1)
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Arrependimentos


   Pentimento é a palavra italiana para arrependimento, mas designa, em muitas línguas, uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro. Âs vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão. Outras vezes, os raios X dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.

   Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história.

   A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar; são todos pentimentos encobertos, histórias que não se realizaram. Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.

   O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa". Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Os pentimentos podem ser maus conselheiros, até porque muitas vezes nós os inventamos como desculpas para os fracassos do presente. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Por conta da ação das redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer, como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado. Os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.


(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, pp. 25-27, passim)
O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa".


Mantêm-se o sentido, a correção e a coerência do período acima substituindo-se o segmento sublinhado por
  1. Apara a qual a possibilidade de acerto seria plenamente legítima.
  2. Bpossibilitada pela opção que tivéssemos considerado como correta.
  3. Ccuja possível escolha fosse dada por nós como a mais perfeita.
  4. Ddada como certa no caso de decorrer de uma melhor seleção.
  5. Eem que sua plena realização ensejaria a correção da escolha.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — possibilitada pela opção que tivéssemos considerado como correta.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita coesa do período sobre pentimentos e escolhas "certas"

Gabarito: letra B. A alternativa B parafraseia corretamente o trecho sublinhado, mantendo a ideia de que a felicidade-miragem teria sido possibilitada pela opção que tivéssemos considerado como correta. A passagem original diz:

"O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha 'certa'."

A substituição B preserva a relação condicional e o sentido de potencialidade não realizada.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: fora do escopo. A expressão "possibilidade de acerto seria plenamente legítima" introduz um juízo de legitimidade que não existe no original. O texto não fala em "acerto", mas em "escolha certa". Além disso, a estrutura "para a qual" desvia o foco para a felicidade como destinatária, o que foge ao sentido.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A reescrita "possibilitada pela opção que tivéssemos considerado como correta" equivale a "que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha certa". O particípio "possibilitada" mantém a ideia de potencialidade; "opção" sinônimo de escolha; "considerado como correta" retoma a noção de "escolha certa". O tempo verbal (pretérito imperfeito do subjuntivo) e a regência preservam a correção.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de referência (troca_conceito). "Cuja possível escolha" cria ambiguidade: o pronome relativo "cuja" refere-se à felicidade, fazendo parecer que a felicidade possui uma escolha, o que inverte o sentido. No original, a escolha é do sujeito, não da felicidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Dada como certa no caso de decorrer de uma melhor seleção" altera o sentido: o original diz que a felicidade teria sido possível (potencial), enquanto esta alternativa afirma que a felicidade seria dada como certa (certeza), o que é diferente. Além disso, "melhor seleção" é mais vago que "escolha certa".

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto (inversão causal). "Em que sua plena realização ensejaria a correção da escolha" inverte a relação: no original, a escolha certa possibilitaria a felicidade; aqui, a realização da felicidade levaria à correção da escolha. Trata-se de uma troca de causa e efeito.

Conclusão: A única alternativa que mantém integralmente o sentido, a correção e a coerência do período original é a letra B.

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