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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc077719
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Estadual - AFRE - Tecnologia da Informação e Comunicação - Conhecimentos Gerais (P1)
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Arrependimentos


   Pentimento é a palavra italiana para arrependimento, mas designa, em muitas línguas, uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro. Âs vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão. Outras vezes, os raios X dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.

   Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história.

   A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar; são todos pentimentos encobertos, histórias que não se realizaram. Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.

   O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa". Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Os pentimentos podem ser maus conselheiros, até porque muitas vezes nós os inventamos como desculpas para os fracassos do presente. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Por conta da ação das redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer, como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado. Os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.


(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, pp. 25-27, passim)
A afirmação por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo (3º parágrafo) reflete a enganosa crença de que
  1. Aa busca de uma idealidade plena compensa com sobras o saldo da desilusão.
  2. Batingimos a plenitude de uma conquista quando nos submetemos aos nossos limites.
  3. Cabandonamos nossos caminhos para o sucesso por falta de perseverança.
  4. Dos sacrifícios a se fazer são prescindíveis para a nossa plena realização.
  5. Eo acesso às paixões e aos sonhos nossos é reconhecidamente custoso.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — os sacrifícios a se fazer são prescindíveis para a nossa plena realização.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A crença enganosa de que sacrifícios são prescindíveis

Gabarito: letra D. A afirmação "por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo" (3º parágrafo) reflete a crença enganosa de que os sacrifícios necessários para a realização são dispensáveis. O texto explica que desistimos de desejos porque "custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas" e, por não querermos perder nada, perdemos tudo. A alternativa D parafraseia essa crença: achar que se pode evitar perdas é uma ilusão.

"[...] quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo."

A crença enganosa está em supor que é possível realizar plenamente sem fazer sacrifícios. As demais alternativas ou extrapolam, ou trocam conceitos, ou apresentam constatações verdadeiras que não correspondem à crença em questão.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação sobre "idealidade plena compensar com sobras a desilusão" não encontra respaldo no texto. O autor não discute compensação idealizada, mas sim a recusa em aceitar perdas. Trata-se de extrapolação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O texto não diz que a plenitude vem da submissão aos limites. Pelo contrário, a crença enganosa é exatamente evitar limites. A alternativa contradiz o raciocínio do parágrafo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O texto menciona "falta de coragem" para renunciar, mas não "falta de perseverança". Há troca de conceito: a perseverância é persistir, enquanto o problema é não abrir mão.

Alternativa D — ✅ Correta

A crença enganosa é que os sacrifícios são prescindíveis (dispensáveis). O autor mostra que essa ilusão leva à perda total. Perfeita paráfrase da ideia implícita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O texto de fato afirma que "o acesso às paixões e aos sonhos é reconhecidamente custoso", mas isso é uma constatação verdadeira, não a crença enganosa. A crença é achar que esse custo pode ser evitado sem consequências. A alternativa não responde ao que se pede.

Conclusão: A única alternativa que expressa a crença enganosa subjacente à frase é a letra D.

Gabarito: letra D.

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