Tédio como fermento da vida interior
Gabarito: letra D. O autor reconhece que o estímulo das crianças na interação com o mundo é necessário, mas afirma que "sem tédio maçante, ninguém, criança ou adulto, consegue inventar para si uma vida interior" (5º parágrafo). Portanto, o expediente para o desenvolvimento é o aproveitamento do enfado como elemento que fecunda a vida interior — exatamente o que diz a alternativa D.
O comando da questão é de compreensão/recorrência: pede-se o que o autor admite/reconhece, e a resposta deve estar explícita ou claramente parafraseável no texto.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O autor não defende o combate às experiências tediosas; ao contrário, valoriza o tédio como essencial para a vida interior. A frase central do 5º parágrafo mostra que o tédio é necessário, não algo a ser combatido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: fora do escopo (extrapolação). O texto não faz crítica à interiorização; defende justamente a vida interior como algo positivo. A alternativa inverte o sentido: sugere uma "crítica rigorosa contra os excessos da interiorização", mas o autor não fala em excessos nem em crítica à interiorização.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: troca de conceito (generalização). O autor não propõe "ocupação permanente do pensamento em coisas objetivas". Pelo contrário, ele mostra que a falta de tédio impede a vida interior, e que a ocupação constante pode empobrecer a experiência (2º parágrafo: "a necessidade de sermos entretidos e estimulados continuamente não tornaria nossa vida mais rica").
Alternativa D — ✅ Correta
Prova no texto: No 5º parágrafo, o autor escreve: > "Mas o problema é que, sem tédio maçante, ninguém, criança ou adulto, consegue inventar para si uma vida interior." Essa passagem mostra que o tédio ("enfado") é o elemento que permite o surgimento da vida interior — um "fermento", algo que faz crescer. A alternativa D parafraseia fielmente essa ideia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: fora do escopo (extrapolação). O texto não fala em "experiências aventurosas e originais" como expediente para o desenvolvimento. O autor, na verdade, pondera que a diversão constante não é o caminho (2º parágrafo: "a vontade de se distrair seria uma forma de dependência").
Conclusão: A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra D. O tédio, longe de ser combatido, é apresentado como condição para a vida interior, e é esse aproveitamento do enfado que o autor reconhece como expediente para o desenvolvimento.