A ironia de "nem mesmo nossos defeitos são perfeitos"
Gabarito: letra C. A frase "Mas, enfim, nem mesmo nossos defeitos são perfeitos" é uma ironia: o autor reconhece que até os aspectos negativos da internet (defeitos) podem ter algo de positivo, como se verá no resto do parágrafo. O contexto imediatamente anterior (3º parágrafo) enumera as mazelas da internet (propaganda nociva, mensagens indesejáveis, etc.) e cita Flaubert sobre "devorar infinito". O "Mas, enfim" introduz uma ressalva irônica: mesmo esses defeitos não são absolutos. A sequência mostra que o autor deve à internet um reencontro com uma amiga, um fato positivo. Portanto, a ironia está em afirmar o contrário do que parece: ao dizer que os defeitos não são perfeitos, admite-se que eles contêm algum traço virtuoso.
"Devo à internet um contato recente com uma amiga espanhola que não via desde o século passado."
Isso comprova que o autor vê um lado bom nos defeitos da internet.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A frase não fala em transformar defeito em virtude, mas reconhecer que o próprio defeito já contém virtude. O texto não autoriza a ideia de "liberdade para transformar". É extrapolação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirmar que é "mero jogo de palavras" sem lógica desconsidera o contexto. A frase tem sentido preciso no texto, reforçado pelo exemplo positivo do reencontro. A banca tenta desqualificar a ironia, mas o texto a sustenta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Exatamente o que a ironia faz: "vale-se de fórmula irônica para admitir que mesmo nossos vícios mais ostensivos podem reter traços virtuosos". O paradoxo "defeitos não são perfeitos" indica que eles têm algum mérito, confirmado pelo exemplo da amiga reencontrada. A alternativa é fiel ao texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O texto não aborda "incapacidade de atingir a perfeição" nem "esquecimento dos vícios". A frase ironiza a imperfeição dos defeitos, não a nossa incapacidade. É tangência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma uma relação condicional ("somente com a prática dos defeitos...") que não existe no texto. A ironia não impõe condição; apenas constata que os defeitos têm virtudes. Extrapola.
Conclusão: A única alternativa que se sustenta integralmente é a C, que capta a ironia contextual. As demais ou extrapolam, ou tangenciam, ou contradizem o sentido do texto.
Gabarito: letra C