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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — FCC 2019

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
fc135513
Banca
FCC
Órgão
METRO SP
Ano
2019
Cargo
Ag SegM ( )

Nisto entrou o moleque trazendo o relógio com o vidro novo. Era tempo; já me custava estar ali; dei uma moedinha de prata ao moleque; disse a Marcela que voltaria noutra ocasião, e saí a passo largo. Para dizer tudo, devo confessar que o coração me batia um pouco; mas era uma espécie de dobre de finados. O espírito ia travado de impressões opostas. Notem que aquele dia amanhecera alegre para mim. Meu pai, ao almoço, repetiu-me, por antecipação, o primeiro discurso que eu tinha de proferir na Câmara dos Deputados; rimo-nos muito, e o sol também, que estava brilhante, como nos mais belos dias do mundo; do mesmo modo que Virgília devia rir, quando eu lhe contasse as nossas fantasias do almoço. Vai senão quando, cai-me o vidro do relógio; entro na primeira loja que me fica à mão; e eis me surge o passado, ei-lo que me lacera e beija; ei-lo que me interroga, com um rosto cortado de saudades e bexigas...


Lá o deixei; meti-me às pressas na sege, que me esperava no Largo de S. Francisco de Paula, e ordenei ao boleeiro que rodasse pelas ruas fora. O boleeiro atiçou as bestas, a sege entrou a sacolejar-me, as molas gemiam, as rodas sulcavam rapidamente a lama que deixara a chuva recente, e tudo isso me parecia estar parado. Não há, às vezes, um certo vento morno, não forte nem áspero, mas abafadiço, que nos não leva o chapéu da cabeça, nem rodomoinha nas saias das mulheres, e todavia é ou parece ser pior do que se fizesse uma e outra coisa, porque abate, afrouxa, e como que dissolve os espíritos? Pois eu tinha esse vento comigo; e, certo de que ele me soprava por achar-me naquela espécie de garganta entre o passado e o presente, almejava por sair à planície do futuro. O pior é que a sege não andava.


− João, bradei eu ao boleeiro. Esta sege anda ou não anda?


− Uê! nhonhô! Já estamos parados na porta de sinhô conselheiro.


(Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001, p. 135-136)

 

A forma verbal em negrito deve sua flexão ao termo sublinhado em:

  1. Adei uma moedinha de prata ao moleque; disse a Marcela que voltaria noutra ocasião, e saí a passo largo. (1º parágrafo)
  2. Bas rodas sulcavam rapidamente a lama que deixara a chuva recente (2º parágrafo)
  3. Cmeti-me às pressas na sege, que me esperava no Largo de S. Francisco de Paula (2º parágrafo)
  4. De tudo isso me parecia estar parado (2º parágrafo)
  5. Eum certo vento morno, não forte nem áspero, mas abafadiço, que nos não leva o chapéu da cabeça (2º parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — as rodas sulcavam rapidamente a lama que deixara a chuva recente (2º parágrafo)

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