Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2019
- Código
- fc135811
- Banca
- FCC
- Órgão
- DETRAN SP
- Ano
- 2019
- Cargo
- AET ( )
O paradoxo da promessa
Em que circunstâncias alguém se exalta e defende com ardor uma opinião? “Ninguém sustenta fervorosamente que 7 x 8 = 56, pois se pode demonstrar que isso é uma verdade”, observa Bertrand Russel. O ânimo persuasivo só recrudesce e lança mão das artes e artimanhas da retórica apaixonada quando se trata de incutir opiniões que são duvidosas ou demonstravelmente falsas.
O mesmo vale para o ato de prometer alguma coisa. O simples fato de que uma promessa precisa ser feita com toda a ênfase indica a existência de dúvida quanto à sua concretização. Só prometemos acerca do que exige um esforço extra da vontade. E quanto mais solene ou enfática a promessa – “Te juro, meu amor, agora é pra valer!” – mais duvidosa ela é: protesting too much (‘proclamar excessivo’), como dizem os ingleses. “Só os deuses podem prometer, porque são imortais”, adverte o poeta.
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos.
São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 26)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
- Ase exalta e defende com ardor (1o parágrafo) = arrebata-se e sustenta com paixão.
- Bânimo persuasivo só recrudesce (1o parágrafo) = intenção retórica só se arrefece.
- Clança mão das artes e artimanhas (1o parágrafo) = exclui a força artesanal convincente.
- Ddúvida quanto à sua concretização (2o parágrafo) = projeção da fé em sua efetividade.
- Equanto mais solene ou enfática (2o parágrafo) = tanto mais sincera quanto consciente.