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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2022

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc139976
Banca
FCC
Órgão
DPE AM
Ano
2022
Cargo
Ana JD ( )

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

 

Solo para flauta

 

Escrever. Tenho que escrever. Neste momento é necessário, mas não se trata de necessidade. Domingo, por exemplo, não tenho obrigação de escrever, e entretanto escrevo. Quando entro em férias, escrevo mais que quando em atividade remunerada. Donde viria isso, essa compulsão inefável e cruel de que sou vítima e cúmplice desde garotinho? Não me consta que um operário sinta prazer em trabalhar durante a telenovela das oito. No entanto, eu trabalho vendo novela de TV. Tenho sempre um caderninho de apontamentos e uma esferográfica. Não desligo de minha atividade nem mesmo durante os comerciais.

 

Neste momento, luto contra uma sonolência que me visita em horas mais ou menos previsíveis. Tem ela afinidade com o desfalecimento. Estando em convalescença, minado o meu organismo pela ingestão de produtos químicos, o sono se aproxima com promessas de recuperação, mas eu recuso a sua meiga imposição. Não me agrada dormir no sentido em que as pessoas geralmente dormem, obedientes à tirania do relógio e à ordem das atividades sociais produtivas. Ser noturno, encontro então uma doçura que poucos reconhecem e aproveitam, na penumbra, na surdina, no radioso silêncio. Escrevo.

 

Haverá ainda alguma compreensão para uma literatura de sutilezas, de constituição tênue, quase tão somente cores e sons macios, sigilosos? Ah, quanta saudade tenho da aurora da minha vida...Era feliz o mundo exterior, o grato espanto de saber que Deus povoara o mundo com felicidades ingênuas...

 

Escrevo, escrevo. Continuarei.

 

(Adaptado de: OLIVEIRA, José Carlos. Os sabiás da crônica. Antologia. Org. Augusto Massi. Belo Horizonte: Autêntica, 2021, p. 307-308)

No segundo parágrafo do texto, estando convalescente e minado por medicamentos, o cronista
  1. Abusca, ainda assim, afastar o sono, para bem se instalar na penumbra, no radioso silêncio e cumprir seu prazeroso ofício.
  2. Bse deixa levar por promessas de recuperação, para que depois de curado volte a exercer seu compulsivo trabalho.
  3. Crejeita a meiga imposição do prazer de escrever, em função dos remédios que minaram a resistência de seu corpo.
  4. Dreage à tirania do relógio, recusando-se a escrever e a interromper, assim, a prazerosa letargia de que desfruta.
  5. Esente tamanha afinidade com o desfalecimento que acaba por adiar seu prazer habitual de escritor compulsivo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — busca, ainda assim, afastar o sono, para bem se instalar na penumbra, no radioso silêncio e cumprir seu prazeroso ofício.

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