Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2026
- Código
- fc140451
- Banca
- FCC
- Órgão
- MPE SE
- Ano
- 2026
- Cargo
- Ana ( )
[Em busca da origem da desigualdade social]
A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No princípio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidências arqueológicas que se acumularam nas três últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.
Não demorou, contudo, para se tornar óbvio a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos - por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governo fortes, exercidos de cima para baixo, ou relato de processos democráticos de tomada de decisão na África ou na América.
No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenas a uma reticência por parte de pesquisadores: trata-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais.
Como, por exemplo, nos referimos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?
No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou "república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspectos da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável e conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.
(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo.
São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552)
Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.
Em busca da origem da desigualdade social, os autores do livro O despertar de tudo, no último parágrafo desse texto.
- Aconcluem que a desigualdade social, desfazendo o mito do igualitarismo, pode ser um fator permanente de nossa história.
- Bdemonstram que o igualitarismo social só terá ocorrido na história caso se considere o fator da igualdade num sentido bastante elástico.
- Cdizem ter refundado os conceitos de "democracia" e de "república" depois que se deparam com cidades igualitárias.
- Dafirmam que apenas alguns povos lograram fundar sociedades em que o igualitarismo foi praticado por um bom tempo.
- Ereferem seu acesso e documentos esparsos, nos quais se fazia referência a cidades onde a prática religiosa era um fator de agregação social.