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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FCC 2026

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fc140455
Banca
FCC
Órgão
MPE SE
Ano
2026
Cargo
Ana ( )

[Em busca da origem da desigualdade social]

 

A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No princípio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidências arqueológicas que se acumularam nas três últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.

 

Não demorou, contudo, para se tornar óbvio a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos - por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governo fortes, exercidos de cima para baixo, ou relato de processos democráticos de tomada de decisão na África ou na América.

 

No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenas a uma reticência por parte de pesquisadores: trata-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais.

 

Como, por exemplo, nos referimos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?

 

No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou "república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspectos da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável e conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.

 

(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo.

São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552)

Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.

   

Não demorou, contudo, para se tornar óbvio a potencial relevância do que estávamos empreendendo.

 

Reconstruindo de modo adequado a frase acima, iniciando-se pelo segmento A potencial relevância do que estávamos empreendendo, deve seguir-se esta complementação:

  1. Abrevemente, ainda assim, se fez com obviedade.
  2. Bmostro-se, portanto, como se fosse óbvia.
  3. Cóbvia que fosse, não demorou a mudar.
  4. Dnão tardou, entretanto, a se revelar óbvia.
  5. Eembora óbvia, logo se transformou.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — não tardou, entretanto, a se revelar óbvia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescritura de frase: como manter o sentido e a coesão

Gabarito: letra D. A reescritura correta é "não tardou, entretanto, a se revelar óbvia", pois preserva exatamente o sentido da frase original: a potencial relevância do que faziam tornou-se óbvia rapidamente, e o conectivo "entretanto" mantém a oposição que o "contudo" original estabelece com o parágrafo anterior. Como se lê no texto, a frase original é:

"Não demorou, contudo, para se tornar óbvio a potencial relevância do que estávamos empreendendo."

A alternativa D é a única que reescreve com fidelidade o conteúdo e a relação lógica, sem acrescentar, suprimir ou inverter ideias.

O comando: reescrita com manutenção de sentido

A questão pede uma reescritura — ou seja, uma nova redação da mesma ideia, sem alterar o sentido e sem quebrar a coesão com o que vem antes. O comando "Reconstruindo de modo adequado" exige que você verifique três coisas em cada alternativa:

  1. O conteúdo — a nova frase diz exatamente o que a original diz?

  2. A relação lógica — o conectivo usado (contudo, portanto, embora, entretanto...) mantém a mesma relação entre as ideias?

  3. A correção gramatical — a frase está bem formada, com concordância e regência adequadas?

Aqui, o ponto decisivo é o conectivo "contudo", que é adversativo (oposição). A reescritura precisa manter essa oposição. Qualquer conectivo com outro valor (concessivo, conclusivo, temporal) muda o sentido e, portanto, está errado.

O texto: a oposição que "contudo" estabelece

No texto, a frase aparece logo após o autor dizer que a pesquisa começou "como uma forma de brincadeira" e "num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais 'sérias'". O "contudo" introduz uma quebra de expectativa: apesar de ter começado como brincadeira, a relevância logo se tornou óbvia. Essa oposição é essencial — a reescritura precisa preservá-la.

A técnica: teste o conectivo e o sentido

Para resolver, troque o conectivo por outro de mesmo valor e veja se a frase continua com o mesmo sentido. "Contudo" é adversativo, assim como "entretanto", "porém", "mas", "todavia". Já "portanto" é conclusivo, "embora" é concessivo, "logo" é temporal. A alternativa D usa "entretanto", que é sinônimo perfeito de "contudo". Além disso, "não tardou a se revelar óbvia" é uma paráfrase de "não demorou para se tornar óbvio" — mesma ideia de rapidez e de revelação.

  1. 1Grife o conectivo original
  2. 2Identifique o valor lógico
  3. 3Teste o conectivo de cada alternativa
  4. 4Confira sentido e gramática
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"brevemente, ainda assim, se fez com obviedade" — O conectivo "ainda assim" é concessivo (concede uma objeção), não adversativo. Além disso, "se fez com obviedade" é uma construção artificial e pouco natural, que não equivale a "tornar-se óbvio". O sentido de "brevemente" até se aproxima de "não demorou", mas a relação lógica está errada e a expressão final é inadequada. Erro: troca do conectivo e paráfrase infiel.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"mostro-se, portanto, como se fosse óbvia" — O conectivo "portanto" é conclusivo (introduz uma conclusão), não adversativo. Além disso, "como se fosse óbvia" introduz uma dúvida que não existe no original: o texto afirma que a relevância se tornou óbvia, não que "parecia" óbvia. Há ainda erro de concordância: "mostro-se" deveria ser "mostrou-se" (pretérito perfeito). Erro: troca do conectivo e alteração do sentido (dúvida onde há certeza).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"óbvia que fosse, não demorou a mudar" — A estrutura "óbvia que fosse" é concessiva (equivale a "embora fosse óbvia"), o que inverte a relação: no original, a relevância se tornou óbvia; aqui, ela já era óbvia. Além disso, "não demorou a mudar" diz que a relevância mudou, o que contradiz o texto, que fala em tornar-se óbvia, não em mudar. Erro: inversão da relação lógica e contradição com o sentido original.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"não tardou, entretanto, a se revelar óbvia" — O conectivo "entretanto" é adversativo, exatamente como "contudo". A expressão "não tardou a se revelar óbvia" é uma paráfrase fiel de "não demorou para se tornar óbvio": mantém a ideia de rapidez (não tardou = não demorou) e de revelação (revelar-se = tornar-se). A concordância está correta: "a potencial relevância... não tardou a se revelar óbvia" (sujeito singular, verbo no singular). É a única que preserva sentido, relação lógica e correção gramatical.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"embora óbvia, logo se transformou" — O conectivo "embora" é concessivo (equivale a "apesar de"), não adversativo. Além disso, "logo se transformou" diz que a relevância se transformou, o que não está no texto — o texto fala em tornar-se óbvia, não em transformar-se em outra coisa. Erro: troca do conectivo e acréscimo de informação (transformação) que o texto não menciona.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o conectivo adversativo por outros valores (conclusivo, concessivo, temporal) e inverte a relação de causa/efeito, fazendo o candidato aceitar uma paráfrase que muda o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescritura, grife o conectivo original e pergunte: "qual alternativa usa um conectivo de mesmo valor?". Se o conectivo mudar de valor, a alternativa está errada, mesmo que o restante pareça fiel.

Gabarito: letra D.

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