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Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — FCC 2026

PortuguêsTipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
fc140492
Banca
FCC
Órgão
MPE SE
Ano
2026
Cargo
Tec ( )

1. A senhora subiu, Deus sabe como, em companhia de dois garotos. Cada garoto com sua merendeira e sua pasta de livros e cadernos indispensáveis para a aquisição dos preliminares da sabedoria. No ônibus não cabia mais ninguém. A bem dizer, não cabia nem o pessoal que se espremia lá dentro em estado de sardinha. Na massa compacta de gente, ou de seções de gente que a vista alcançava, percebi aquelas mãozinhas tentando segurar as pastas atochadas.

 

2. - Deixa que eu carrego - falei na direção de um dos braços a meu alcance, executando um movimento complicado, para enxergar os rostos dos garotos. O menor olhou-me com surpresa e hesitação, porém o mais velho estendeu o braço, e o primeiro, depois de uma cotovelada ministrada pelo segundo, imitou-o. Fiquei de posse de duas bojudas pastas escolares, que acomodei da melhor maneira possível sobre os joelhos. Conheço perfeitamente a técnica de carregar embrulhos dos outros. Deve-se colocá-los de tal modo que fiquem seguros sem que seja necessário pôr a mão em cima deles. São coisas sagradas.

 

3. A voz da senhora saiu daquele bolo humano:

 

4. - Agradece ao moço, Serginho. Agradece, Raul.

 

5. Raul (o mais crescido) obedeceu, mas Serginho manteve-se reservado. Mal se passaram alguns minutos, senti que a pasta de cima escorregava mansamente do meu colo. Muito de leve, a mão esquerda de Serginho, escondida sob um lenço, puxava-a para fora. Compreendi que ele prezava acima de tudo a sua pasta, e deixei que a tirasse. A mãe ordenou:

 

6. - Serginho, deixe a pasta com o moço!

 

7. Teve de levantar a voz, para torná-la enérgica. Passageiros em redor começaram a sorrir. Tive de sorrir também. Muito a contragosto, Serginho voltou a confiar-me sua querida pasta. Um estranho mereceria carregá-la? E se fugisse com ela? Como bem podem imaginar, Serginho suspeitava de minha honorabilidade, e os circunstantes se deliciavam com a suspeita.

 

8. Mais alguns quarteirões, Serginho repete a manobra. Dessa vez, é radical. Toma sua pasta e a de Raul. Raul protesta:

 

9. - Deixa com ele, seu burro. Não vê que eu não posso segurar nada?

 

10. A mãe, em apoio de Raul, exprobra o procedimento de Serginho. Este capitula, mas em termos. Só me restitui a pasta do irmão. A sua não correrá o risco. Coloca-a sobre o peito, sob as mãos cruzadas, como levaria o Santo Graal.

 

11. - Este menino é impossível. Desculpe, cavalheiro.

 

12. Não vejo o rosto da senhora, mas sua voz é doce, e compensa-me da desconfiança do Serginho. Sorrio para este, enquanto retribuo: "Oh, minha senhora, por favor! Até que o seu filhinho é engraçado."

 

13. Engraçado? Serginho faz-me uma careta e ferra-me um beliscão. A assistência ri. A mãe ferra outro em Serginho, que dispara a chorar. Bonito. É no que dá carregar embrulho dos outros.

 

(ANDRADE, Carlos Drummond de, 70 historinhas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 105-107. Adaptado)

Considere a crônica "No ônibus", do escritor Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão.

   

A mãe ordenou:

 

- Serginho, deixe a pasta com o moço!

 

Ao se transpor o trecho acima para o discurso indireto, o verbo sublinhado assuma e seguinte forma:

  1. Adeixasse.
  2. Bdeixara.
  3. Cdeixou.
  4. Ddeixava.
  5. Edeixaria.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — deixasse.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transposição do discurso direto para o indireto: o imperativo vira pretérito imperfeito do subjuntivo

Gabarito: letra A. Ao transpor a fala "Serginho, deixe a pasta com o moço!" para o discurso indireto, o verbo deixar, que está no imperativo afirmativo, deve assumir a forma deixasse (pretérito imperfeito do subjuntivo), pois é essa a conversão padrão do imperativo quando a fala é reportada pelo narrador. A regra está no próprio mecanismo de transposição: o imperativo (ordem) passa a pretérito imperfeito do subjuntivo, como se lê no trecho original e na tabela de conversão de tempos verbais.

O comando da questão

O enunciado pede uma transposição de discurso: transformar a fala da personagem (discurso direto) em fala reportada pelo narrador (discurso indireto). Isso não é uma questão de interpretação de sentido, mas de aplicação de regra gramatical de conversão. O verbo sublinhado no trecho é "deixe", forma do imperativo afirmativo (3ª pessoa do singular, tratamento "você"). A tarefa é identificar qual forma verbal ele assume no discurso indireto.

A regra de conversão dos tempos verbais

Na passagem do discurso direto para o indireto, há uma tabela fixa de conversão de tempos. O ponto central desta questão é a conversão do imperativo:

Discurso direto

Discurso indireto

Imperativo afirmativo

Pretérito imperfeito do subjuntivo

Presente do indicativo

Pretérito imperfeito do indicativo

Pretérito perfeito do indicativo

Pretérito mais-que-perfeito do indicativo

Futuro do presente do indicativo

Futuro do pretérito do indicativo

No trecho, a mãe ordena: "Serginho, deixe a pasta com o moço!". O verbo "deixe" está no imperativo (ordem). Ao reportar essa fala, o narrador diria: "A mãe ordenou que Serginho deixasse a pasta com o moço." Portanto, a forma correta é deixasse.

Análise das alternativas

  1. 1Presente do indicativo
  2. 2Pretérito imperfeito do indicativo
  3. 3Pretérito perfeito
  4. 4Mais-que-perfeito
  5. 5Futuro do presente
  6. 6Futuro do pretérito
  7. 7Imperativo
  8. 8Pretérito imperfeito do subjuntivo
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

deixasse é o pretérito imperfeito do subjuntivo, exatamente a forma que o imperativo assume no discurso indireto. A transposição correta seria: "A mãe ordenou que Serginho deixasse a pasta com o moço." A regra é fixa: imperativo → pretérito imperfeito do subjuntivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

deixara é o pretérito mais-que-perfeito do indicativo. Essa forma seria usada se o verbo original estivesse no pretérito perfeito do indicativo (ex.: "deixou" → "deixara"), o que não é o caso. Aqui o original é imperativo, então a conversão é para o subjuntivo, não para o mais-que-perfeito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

deixou é o pretérito perfeito do indicativo. Essa forma manteria o verbo no indicativo, mas o imperativo não converte para o indicativo; converte para o subjuntivo. Além disso, o pretérito perfeito indicaria uma ação concluída, não uma ordem reportada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

deixava é o pretérito imperfeito do indicativo. Essa forma seria a conversão do presente do indicativo (ex.: "deixa" → "deixava"), mas o original é imperativo. A conversão do imperativo é para o subjuntivo, não para o indicativo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

deixaria é o futuro do pretérito do indicativo. Essa forma seria a conversão do futuro do presente do indicativo (ex.: "deixará" → "deixaria"), o que não se aplica aqui. O imperativo não converte para o futuro do pretérito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece formas verbais em tempos diferentes (mais-que-perfeito, perfeito, imperfeito do indicativo, futuro do pretérito) para confundir quem não domina a tabela de conversão. A chave é identificar o modo original: imperativo → subjuntivo.

PEGA ESSA DICA!

Ao transpor discurso direto para indireto, primeiro identifique o tempo e o modo do verbo original. Se for imperativo, a conversão é sempre para o pretérito imperfeito do subjuntivo. Memorize a tabela de conversão: presente do indicativo → pretérito imperfeito do indicativo; pretérito perfeito → mais-que-perfeito; futuro do presente → futuro do pretérito; imperativo → pretérito imperfeito do subjuntivo.

Gabarito: letra A — a única forma que corresponde à conversão correta do imperativo "deixe" para o discurso indireto.

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