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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc140496
Banca
FCC
Órgão
SAD PE
Ano
2026
Cargo
Ges Gov ( )

Arquitetura indígena

 

É um grande acontecimento a Bienal Indígena de Arquitetura e Urbanismo, incluída na COP30, em Belém. Contará com a presença de lideranças indígenas, universidades, coletivos culturais, parceiros institucionais. Toda a sociedade está convidada: pensemos juntos uma forma diferente de Arquitetura e Urbanismo.

 

Pensar a arquitetura e o urbanismo é pensar nosso lugar e pensar a sociedade. As cidades são vistas como centros da criação do conhecimento, que trouxe essa falsa ideia de que nos campos e florestas não se cria conhecimento. Nos grandes centros urbanos concentram-se, de fato, o dinheiro e o poder. Mas as cidades também poluem e soterram seus rios, e se alega que isso é parte da civilização. A especulação imobiliária faz a cidade crescer sem pensar suas áreas verdes e a importância das florestas na vida das pessoas. Essa ideia de cidade nos afastou da natureza.

 

A Bienal Indígena surge no intuito de reconhecer e valorizar os modos de construir e viver dos povos originários, que há séculos habitam esse território de forma sustentável. Suas arquiteturas não se separam da floresta, do rio, mas são capazes de pensar cidades-floresta. Mostram um modo de vida em conexão com a natureza num mundo onde o equilíbrio ecológico é condição de existência.

 

Esse projeto surge em um momento de emergência climática, quando a arquitetura, o urbanismo e o modo de vida das cidades precisam ter suas bases repensadas profundamente. O modelo ocidental de crescimento urbano e o consumo de “recursos naturais” mostrou-se insustentável, gerando destruição ambiental e desigualdade social. Frente a isso, os modos de vida e práticas indígenas oferecem alternativas concretas e filosóficas para reconstruir a relação entre o humano e a Terra: o uso consciente dos materiais, o respeito aos ciclos naturais etc.

 

A Escola da Cidade e seus parceiros propõem esta bienal justamente num contexto em que a educação e a arquitetura buscam se descolonizar, buscando o entendimento dos saberes ancestrais. A Bienal Indígena será um ato de aprendizado coletivo. Uma oportunidade de reimaginar o que é habitar, projetar e viver em harmonia com o planeta.

 

Mais do que um evento, esta Bienal é um chamado à transformação: um convite para compreender que a arquitetura indígena não pertence apenas ao passado, mas é uma das chaves para enfrentar os desafios do presente e desenhar futuros possíveis. A Bienal se afirma como uma iniciativa permanente, garantindo que cada edição amplie os frutos de aprendizagem, integração e transformação coletiva.

 

(Adaptado de: TXAI SURUÍ. Folha de S. Paulo. 01/11/2025)

Para responder  à questão abaixo, baseie-se no texto seguinte.   Depreende-se da leitura do texto que os conceitos de Arquitetura e Urbanismo, na perspectiva da autora,
  1. Apodem ser repensados a partir das práticas indígenas que se provaram sustentáveis no uso do espaço natural.
  2. Bmerecem uma revisão radical para que se aperfeiçoe a tecnologia de construção e ocupação de espaços urbanos.
  3. Cmostram-se inteiramente inadequados para refletir teoricamente sobre a ocupação humana dos espaços.
  4. Dpermanecem atrelados a interesses econômicos, por conta dos quais as cidades não logram se expandir.
  5. Edevem motivar os povos indígenas para que venham a aperfeiçoar seu sistema próprio de ocupação de espaço.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — podem ser repensados a partir das práticas indígenas que se provaram sustentáveis no uso do espaço natural.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Depreende-se: a arquitetura indígena como repensar sustentável

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que se sustenta integralmente no texto: a autora afirma que as práticas indígenas "há séculos habitam esse território de forma sustentável" e que "os modos de vida e práticas indígenas oferecem alternativas concretas e filosóficas para reconstruir a relação entre o humano e a Terra". Portanto, depreende-se que os conceitos de Arquitetura e Urbanismo podem ser repensados a partir das práticas indígenas que se provaram sustentáveis — exatamente o que a letra A parafraseia.

O comando pede uma inferência ("depreende-se"), ou seja, uma conclusão que o texto autoriza, ainda que não esteja dita literalmente. A resposta não é uma cópia, mas uma paráfrase fiel de ideias que o texto sustenta. As demais alternativas ou extrapolam, ou restringem, ou contradizem o que está escrito.

O texto defende que a Bienal Indígena "surge no intuito de reconhecer e valorizar os modos de construir e viver dos povos originários" e que suas arquiteturas "não se separam da floresta, do rio, mas são capazes de pensar cidades-floresta". A tese central é que o modelo ocidental de cidade se mostrou insustentável e que as práticas indígenas oferecem caminhos para repensar a relação com a natureza. A letra A capta exatamente essa ideia: repensar a partir do que já se provou sustentável.

A armadilha da banca está em oferecer alternativas que extrapolam o texto — acrescentam noções como "revisão radical", "tecnologia de construção", "interesses econômicos" ou "aperfeiçoamento indígena" que não estão sustentadas. A técnica para resolver é testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora? A única que não exige nada além do que está escrito é a letra A.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é uma paráfrase fiel da tese do texto. O 3º parágrafo afirma:

"A Bienal Indígena surge no intuito de reconhecer e valorizar os modos de construir e viver dos povos originários, que há séculos habitam esse território de forma sustentável."

E o 4º parágrafo reforça:

"os modos de vida e práticas indígenas oferecem alternativas concretas e filosóficas para reconstruir a relação entre o humano e a Terra"

A expressão "podem ser repensados" é exatamente o que o texto sugere: as práticas indígenas oferecem alternativas para repensar a arquitetura e o urbanismo. Não há acréscimo de informação — apenas a síntese do que o texto afirma. Por isso, é a única inteiramente sustentada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B extrapola o texto ao falar em "revisão radical" e "aperfeiçoar a tecnologia de construção e ocupação de espaços urbanos". O texto não propõe uma revisão radical nem menciona tecnologia de construção. Ele fala em "repensar" e em "alternativas", mas não em "revisão radical" nem em "aperfeiçoamento tecnológico". A palavra "radical" e o foco em "tecnologia" são acréscimos que o texto não autoriza.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C contradiz o texto ao afirmar que os conceitos são "inteiramente inadequados para refletir teoricamente sobre a ocupação humana dos espaços". O texto não diz que são inadequados; pelo contrário, propõe repensá-los a partir das práticas indígenas. A palavra "inteiramente" é um absoluto que restringe indevidamente o alcance do texto. O texto critica o modelo ocidental, mas não invalida os conceitos de Arquitetura e Urbanismo em si.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D extrapola ao afirmar que os conceitos "permanecem atrelados a interesses econômicos, por conta dos quais as cidades não logram se expandir". O texto menciona a especulação imobiliária e o dinheiro, mas não diz que os conceitos permanecem atrelados a interesses econômicos, nem que as cidades não conseguem se expandir. Na verdade, o texto diz que a especulação imobiliária "faz a cidade crescer sem pensar suas áreas verdes" — ou seja, as cidades crescem, mas de forma insustentável. A alternativa inverte o sentido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E extrapola ao afirmar que os conceitos "devem motivar os povos indígenas para que venham a aperfeiçoar seu sistema próprio de ocupação de espaço". O texto não diz que os povos indígenas precisam aperfeiçoar seu sistema; pelo contrário, valoriza o que já fazem de forma sustentável. A ideia de "aperfeiçoar" é um acréscimo que não está no texto. O texto propõe que a sociedade aprenda com os indígenas, não que eles se aperfeiçoem.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro que o texto não traz. Aqui, as alternativas B, D e E acrescentam noções plausíveis (revisão radical, interesses econômicos, aperfeiçoamento) que não estão sustentadas. A letra C contradiz o texto com o absoluto "inteiramente".

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "depreende-se" pede inferência com pista, não o que está escrito. Teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?

Gabarito: letra A

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