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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc140498
Banca
FCC
Órgão
SAD PE
Ano
2026
Cargo
Ges Gov ( )

Arquitetura indígena

 

É um grande acontecimento a Bienal Indígena de Arquitetura e Urbanismo, incluída na COP30, em Belém. Contará com a presença de lideranças indígenas, universidades, coletivos culturais, parceiros institucionais. Toda a sociedade está convidada: pensemos juntos uma forma diferente de Arquitetura e Urbanismo.

 

Pensar a arquitetura e o urbanismo é pensar nosso lugar e pensar a sociedade. As cidades são vistas como centros da criação do conhecimento, que trouxe essa falsa ideia de que nos campos e florestas não se cria conhecimento. Nos grandes centros urbanos concentram-se, de fato, o dinheiro e o poder. Mas as cidades também poluem e soterram seus rios, e se alega que isso é parte da civilização. A especulação imobiliária faz a cidade crescer sem pensar suas áreas verdes e a importância das florestas na vida das pessoas. Essa ideia de cidade nos afastou da natureza.

 

A Bienal Indígena surge no intuito de reconhecer e valorizar os modos de construir e viver dos povos originários, que há séculos habitam esse território de forma sustentável. Suas arquiteturas não se separam da floresta, do rio, mas são capazes de pensar cidades-floresta. Mostram um modo de vida em conexão com a natureza num mundo onde o equilíbrio ecológico é condição de existência.

 

Esse projeto surge em um momento de emergência climática, quando a arquitetura, o urbanismo e o modo de vida das cidades precisam ter suas bases repensadas profundamente. O modelo ocidental de crescimento urbano e o consumo de “recursos naturais” mostrou-se insustentável, gerando destruição ambiental e desigualdade social. Frente a isso, os modos de vida e práticas indígenas oferecem alternativas concretas e filosóficas para reconstruir a relação entre o humano e a Terra: o uso consciente dos materiais, o respeito aos ciclos naturais etc.

 

A Escola da Cidade e seus parceiros propõem esta bienal justamente num contexto em que a educação e a arquitetura buscam se descolonizar, buscando o entendimento dos saberes ancestrais. A Bienal Indígena será um ato de aprendizado coletivo. Uma oportunidade de reimaginar o que é habitar, projetar e viver em harmonia com o planeta.

 

Mais do que um evento, esta Bienal é um chamado à transformação: um convite para compreender que a arquitetura indígena não pertence apenas ao passado, mas é uma das chaves para enfrentar os desafios do presente e desenhar futuros possíveis. A Bienal se afirma como uma iniciativa permanente, garantindo que cada edição amplie os frutos de aprendizagem, integração e transformação coletiva.

 

(Adaptado de: TXAI SURUÍ. Folha de S. Paulo. 01/11/2025)

Para responder  à questão abaixo, baseie-se no texto seguinte.   Propõe-se no texto uma revisão de hábitos e preconceitos adquiridos ao longo da história quando se
  1. Aintensifica o compromisso com práticas exploratórias de novos centros urbanos.
  2. Bbusca descolonizar os processos de arquitetura pela discussão e aproveitamento dos saberes ancestrais.
  3. Cpensa a arquitetura como um lugar a ser ocupado para aprimorar o desenvolvimento da civilização.
  4. Dmanifesta a necessidade de privilegiar centros urbanos como sedes de poder econômico.
  5. Eenaltece a importância dos projetos imobiliários na ocupação progressiva dos espaços urbanos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — busca descolonizar os processos de arquitetura pela discussão e aproveitamento dos saberes ancestrais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Revisão de hábitos e preconceitos: a proposta de descolonização da arquitetura

Gabarito: letra B. O texto propõe, de fato, uma revisão de hábitos e preconceitos quando busca descolonizar os processos de arquitetura pela discussão e aproveitamento dos saberes ancestrais — é o que se lê no 5º parágrafo: "a educação e a arquitetura buscam se descolonizar, buscando o entendimento dos saberes ancestrais". As demais alternativas ou contradizem o texto (A, D, E) ou tangenciam o tema (C).

O comando: o que a banca pede

O enunciado pergunta "Propõe-se no texto uma revisão de hábitos e preconceitos adquiridos ao longo da história quando se..." — ou seja, pede que você identifique em que momento/contexto o texto defende essa revisão. É uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita no texto, basta localizar a passagem que fala em descolonizar e aproveitar saberes ancestrais. Não é inferência; não é preciso deduzir nada além do que está escrito.

O texto: tema, tese e o movimento argumentativo

O texto defende a Bienal Indígena de Arquitetura e Urbanismo como um evento que valoriza os modos de construir e viver dos povos originários. A tese central é que a arquitetura indígena — em conexão com a natureza — oferece alternativas ao modelo ocidental insustentável. No 5º parágrafo, o autor afirma que a bienal surge "num contexto em que a educação e a arquitetura buscam se descolonizar, buscando o entendimento dos saberes ancestrais". É exatamente aí que mora a resposta: a revisão de hábitos e preconceitos se dá quando se descoloniza a arquitetura, ou seja, quando se abandona a visão ocidental hegemônica e se valorizam os saberes ancestrais.

A técnica que decide: paráfrase fiel

A alternativa correta é uma paráfrase (reescritura fiel) do trecho citado. Veja a correspondência:

  • "busca descolonizar os processos de arquitetura" ↔ "a educação e a arquitetura buscam se descolonizar"

  • "pela discussão e aproveitamento dos saberes ancestrais" ↔ "buscando o entendimento dos saberes ancestrais"

A banca trocou "entendimento" por "discussão e aproveitamento" — sinônimos contextuais — e manteve o núcleo "descolonizar" + "saberes ancestrais". É uma paráfrase perfeita.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"intensifica o compromisso com práticas exploratórias de novos centros urbanos"

Contradiz o texto. O texto critica a expansão urbana predatória: "A especulação imobiliária faz a cidade crescer sem pensar suas áreas verdes". Não há nenhuma defesa de "práticas exploratórias"; pelo contrário, o autor as condena. A alternativa inverte o sentido.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"busca descolonizar os processos de arquitetura pela discussão e aproveitamento dos saberes ancestrais"

Paráfrase fiel. O 5º parágrafo afirma: "a educação e a arquitetura buscam se descolonizar, buscando o entendimento dos saberes ancestrais". A alternativa reescreve com sinônimos, mantendo o sentido. É a única que corresponde exatamente à proposta do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"pensa a arquitetura como um lugar a ser ocupado para aprimorar o desenvolvimento da civilização"

Tangencia o tema. O texto não trata de "aprimorar o desenvolvimento da civilização" — pelo contrário, critica o modelo civilizatório ocidental: "O modelo ocidental de crescimento urbano... mostrou-se insustentável". A alternativa fala de algo remotamente relacionado (arquitetura), mas não corresponde à proposta de revisão de hábitos e preconceitos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"manifesta a necessidade de privilegiar centros urbanos como sedes de poder econômico"

Contradiz o texto. O texto reconhece que "Nos grandes centros urbanos concentram-se, de fato, o dinheiro e o poder", mas isso é uma constatação crítica, não uma defesa. O autor critica essa concentração e propõe justamente o oposto: valorizar os modos de vida indígenas, que não se separam da floresta. A alternativa inverte a posição do autor.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"enaltece a importância dos projetos imobiliários na ocupação progressiva dos espaços urbanos"

Contradiz o texto. O texto critica a especulação imobiliária: "A especulação imobiliária faz a cidade crescer sem pensar suas áreas verdes". Não há nenhum enaltecimento de projetos imobiliários; há uma condenação. A alternativa é o oposto do que o texto defende.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usa palavras que aparecem no texto ("centros urbanos", "civilização", "imobiliário") para criar alternativas que parecem plausíveis, mas que invertem o sentido (A, D, E) ou tangenciam o tema (C). A correta é a única que mantém a proposta central de descolonização.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife no texto a passagem que responde ao comando e compare com cada alternativa. A correta será uma paráfrase — mesma ideia, palavras diferentes. Desconfie de alternativas que usam termos do texto mas mudam o verbo ou o conectivo ("intensifica", "privilegiar", "enaltece") — isso costuma inverter o sentido.

Conclusão: a resposta é a letra B, pois é a única que reproduz fielmente a proposta do texto de descolonizar a arquitetura por meio dos saberes ancestrais. As demais ou contradizem o texto ou fogem ao tema. Lembre-se: a resposta mora no texto — teste cada alternativa perguntando "o texto autoriza isto?".

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