Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc140499
Banca
FCC
Órgão
SAD PE
Ano
2026
Cargo
Ges Gov ( )

Arquitetura indígena

 

É um grande acontecimento a Bienal Indígena de Arquitetura e Urbanismo, incluída na COP30, em Belém. Contará com a presença de lideranças indígenas, universidades, coletivos culturais, parceiros institucionais. Toda a sociedade está convidada: pensemos juntos uma forma diferente de Arquitetura e Urbanismo.

 

Pensar a arquitetura e o urbanismo é pensar nosso lugar e pensar a sociedade. As cidades são vistas como centros da criação do conhecimento, que trouxe essa falsa ideia de que nos campos e florestas não se cria conhecimento. Nos grandes centros urbanos concentram-se, de fato, o dinheiro e o poder. Mas as cidades também poluem e soterram seus rios, e se alega que isso é parte da civilização. A especulação imobiliária faz a cidade crescer sem pensar suas áreas verdes e a importância das florestas na vida das pessoas. Essa ideia de cidade nos afastou da natureza.

 

A Bienal Indígena surge no intuito de reconhecer e valorizar os modos de construir e viver dos povos originários, que há séculos habitam esse território de forma sustentável. Suas arquiteturas não se separam da floresta, do rio, mas são capazes de pensar cidades-floresta. Mostram um modo de vida em conexão com a natureza num mundo onde o equilíbrio ecológico é condição de existência.

 

Esse projeto surge em um momento de emergência climática, quando a arquitetura, o urbanismo e o modo de vida das cidades precisam ter suas bases repensadas profundamente. O modelo ocidental de crescimento urbano e o consumo de “recursos naturais” mostrou-se insustentável, gerando destruição ambiental e desigualdade social. Frente a isso, os modos de vida e práticas indígenas oferecem alternativas concretas e filosóficas para reconstruir a relação entre o humano e a Terra: o uso consciente dos materiais, o respeito aos ciclos naturais etc.

 

A Escola da Cidade e seus parceiros propõem esta bienal justamente num contexto em que a educação e a arquitetura buscam se descolonizar, buscando o entendimento dos saberes ancestrais. A Bienal Indígena será um ato de aprendizado coletivo. Uma oportunidade de reimaginar o que é habitar, projetar e viver em harmonia com o planeta.

 

Mais do que um evento, esta Bienal é um chamado à transformação: um convite para compreender que a arquitetura indígena não pertence apenas ao passado, mas é uma das chaves para enfrentar os desafios do presente e desenhar futuros possíveis. A Bienal se afirma como uma iniciativa permanente, garantindo que cada edição amplie os frutos de aprendizagem, integração e transformação coletiva.

 

(Adaptado de: TXAI SURUÍ. Folha de S. Paulo. 01/11/2025)

Para responder  à questão abaixo, baseie-se no texto seguinte.   Constituem uma causa e sua consequência, nesta ordem, os seguintes segmentos:
  1. Amodelo ocidental de crescimento urbano // respeito aos ciclos naturais.  (4º parágrafo)
  2. Bmodos de vida e práticas indígenas // consumo de recursos naturais. (4º parágrafo)
  3. CA especulação imobiliária faz a cidade crescer // nos campos e florestas não se cria conhecimento.  (2º parágrafo)
  4. DPensar a arquitetura e o urbanismo é [...] pensar a sociedade // Essa ideia de cidade nos afastou da natureza.  (2º parágrafo)
  5. ESuas arquiteturas não se separam da floresta // Mostram um modo de vida em conexão com a natureza. (3º parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Suas arquiteturas não se separam da floresta // Mostram um modo de vida em conexão com a natureza. (3º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Causa e consequência: como identificar a relação no texto

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única em que os dois segmentos formam, nesta ordem, uma relação de causa e consequência: "Suas arquiteturas não se separam da floresta" é a causa, e "Mostram um modo de vida em conexão com a natureza" é a consequência. Essa relação está explícita no 3º parágrafo, quando o autor afirma que as arquiteturas indígenas, por não se separarem da floresta, "são capazes de pensar cidades-floresta" e "Mostram um modo de vida em conexão com a natureza".

"Suas arquiteturas não se separam da floresta, do rio, mas são capazes de pensar cidades-floresta. Mostram um modo de vida em conexão com a natureza num mundo onde o equilíbrio ecológico é condição de existência."

Aqui, o fato de as arquiteturas não se separarem da floresta (causa) leva à consequência de mostrarem um modo de vida em conexão com a natureza. As demais alternativas ou invertem a relação, ou juntam segmentos que não têm vínculo causal no texto.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique dois segmentos que constituam, nesta ordem, uma causa e sua consequência. Isso é uma tarefa de compreensão (localizar e reconhecer uma relação explícita), não de inferência. Você não precisa deduzir nada além do que está escrito: basta ver, no texto, qual segmento funciona como motivo e qual como efeito.

A técnica: procure o conector ou a lógica implícita

Em muitos casos, a relação de causa e consequência é marcada por conectivos como "porque", "pois", "já que", "portanto", "assim". Mas nem sempre o conector aparece; às vezes a relação é implícita, e você precisa perceber a lógica: o primeiro segmento explica o segundo, ou o segundo é o resultado natural do primeiro.

No caso da alternativa E, não há um conector explícito, mas a relação é clara: não se separar da floresta (causa) implica mostrar um modo de vida em conexão com a natureza (consequência). É uma relação de implicação lógica: se A, então B.

A armadilha da banca

A banca adora colocar segmentos que estão próximos no texto, mas que não têm relação causal. Por exemplo, na alternativa C, "A especulação imobiliária faz a cidade crescer" e "nos campos e florestas não se cria conhecimento" aparecem no mesmo parágrafo, mas não há relação de causa e consequência entre eles: o primeiro é uma crítica à especulação, o segundo é uma crítica à ideia de que só a cidade produz conhecimento. São ideias paralelas, não encadeadas.

Outra armadilha é inverter a ordem: a alternativa B coloca "modos de vida e práticas indígenas" como causa e "consumo de recursos naturais" como consequência, mas no texto é o contrário: o consumo de recursos naturais é que é insustentável, e os modos indígenas é que oferecem alternativas. Ou seja, a relação está invertida.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"O modelo ocidental de crescimento urbano e o consumo de 'recursos naturais' mostrou-se insustentável, gerando destruição ambiental e desigualdade social."

No texto, o modelo ocidental de crescimento urbano é a causa de destruição ambiental e desigualdade social, não de "respeito aos ciclos naturais". A alternativa troca a consequência: coloca algo que é justamente o oposto do que o texto afirma. Erro: contradiz o texto (troca o efeito por seu contrário).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Frente a isso, os modos de vida e práticas indígenas oferecem alternativas concretas e filosóficas para reconstruir a relação entre o humano e a Terra: o uso consciente dos materiais, o respeito aos ciclos naturais etc."

No texto, os modos de vida e práticas indígenas são apresentados como alternativa ao consumo de recursos naturais, não como sua causa. A alternativa inverte a relação: coloca os modos indígenas como causa do consumo, quando na verdade eles são a solução para o problema causado pelo consumo. Erro: inverte a relação causal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"A especulação imobiliária faz a cidade crescer sem pensar suas áreas verdes e a importância das florestas na vida das pessoas."

O texto diz que a especulação imobiliária faz a cidade crescer sem pensar as áreas verdes, mas não diz que isso causa a ideia de que "nos campos e florestas não se cria conhecimento". Essa ideia aparece antes, como uma crítica à visão urbanocêntrica. Os dois segmentos são independentes, não há relação de causa e consequência. Erro: junta segmentos sem vínculo causal (tangencia o tema).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Pensar a arquitetura e o urbanismo é pensar nosso lugar e pensar a sociedade."

O texto afirma que pensar arquitetura e urbanismo é pensar a sociedade, mas isso não é a causa de "Essa ideia de cidade nos afastou da natureza". Essa última frase é uma conclusão do parágrafo, não uma consequência direta da primeira. A relação entre as duas ideias é de tema e desenvolvimento, não de causa e efeito. Erro: confunde relação temática com relação causal.

Alternativa E — ✅ Correta

"Suas arquiteturas não se separam da floresta, do rio, mas são capazes de pensar cidades-floresta. Mostram um modo de vida em conexão com a natureza num mundo onde o equilíbrio ecológico é condição de existência."

Aqui, a causa é "Suas arquiteturas não se separam da floresta" e a consequência é "Mostram um modo de vida em conexão com a natureza". A lógica é: por não se separarem da floresta, as arquiteturas indígenas consequentemente mostram um modo de vida integrado à natureza. É a única alternativa em que os dois segmentos, na ordem dada, formam uma relação de causa e consequência explícita e correta.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de reconhecer relações semânticas entre segmentos do texto. A alternativa E é a única em que a relação de causa e consequência é direta e logicamente sustentada pelo texto. As demais ou invertem a relação, ou juntam ideias sem vínculo causal, ou contradizem o que está escrito.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar causa e consequência, pergunte-se: "O primeiro segmento explica por que o segundo acontece?" Se a resposta for sim, é causa e consequência. Se for apenas uma sequência de ideias, não é.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/fc140499