Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc140504
Banca
FCC
Órgão
SAD PE
Ano
2026
Cargo
Ges Gov ( )
O artista que nos ocupa
Um artista não entra sozinho na tua vida. O que ele melhor inventa fica com você. Quando criança, você não terá lido a história daquele Pedrinho que passava as férias no sítio do Picapau Amarelo, da sua avó? Sim? Pois aquele sítio, aquele menino e aquela avó, assim como muitas das peripécias daquela história, vieram ficar com você para sempre, não foi? Vivas imagens que ficaram te acompanhando pela vida.
Assim fazem conosco os grandes artistas, não importa qual arte enobreçam. As criações mais marcantes deles ficam sendo também suas. Vocês passam a morar na mesma casa, no mesmo quarto, em regimes alternados de ocupação: enquanto um dorme e sonha, o outro vai pra rua. E tanto vão se cruzando na vida comum, que as melancolias cantadas por um podem se misturar com momentos festivos do outro. Em certas viagens, não se pode saber se o trem estará chegando ou estará partindo, para qual ou de qual estação.
Dessa forma, amigo, quando você ficar velho, mas muito velho mesmo, o seu artista fingirá que também envelheceu. Ele é capaz de inventar uma rouquidão ou uma tosse, como as suas, pra melhor lhe fazer companhia. E você já sabe: faz parte da arte do artista fingir que quem sabe morrer é ele, só para que você se distraia e distraia esse seu medo, cantando como ele canta.
Quando um artista entra de fato na sua vida, com o melhor de sua arte, não sai mais. E é por causa dele que você nunca se sentirá inteiramente só. Pelo contrário: nos momentos em que a solidão infeliz ameaçar entrar em você para não sair mais, não hesite: chame o seu artista, o artista que ficou morando dentro de você. Ele irá à porta da casa e dirá à dona solidão: - Desculpe, senhora, mas no momento meu amigo está ocupado, não pode receber ninguém. Quer deixar recado?
(Josimar de Alcântara, a editar)
Para responder à questão abaixo, baseia-se no texto seguinte: Os grandes artistas, conforme a ideia central do texto,
Aganham singular importância para quem os acolha, de modo a comprometer o sentido de uma individualidade.
Bcarregam consigo a propriedade de intimidar a personalidade e a rotina de quem se deixa por tomar pela grandeza de sua arte.
Cinfluenciam o estilo da linguagem do leitor, que passa a utilizá-la segundo os paradigmas apreendidos.
Dsão interiorizados por quem absorva sua arte, como sujeitos que passassem a habitar a intimidade mesma de outros sujeitos.
Etêm tal ressonância entre seus admiradores que estes chegam a perder parte considerável de sua virtudes pessoais.
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GabaritoD — são interiorizados por quem absorva sua arte, como sujeitos que passassem a habitar a intimidade mesma de outros sujeitos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A ideia central: o artista que mora dentro de você
Gabarito: letra D. A tese do texto é que os grandes artistas, ao serem absorvidos por alguém, passam a habitar a intimidade dessa pessoa — como se lê no 2º parágrafo: "As criações mais marcantes deles ficam sendo também suas. Vocês passam a morar na mesma casa, no mesmo quarto". A alternativa D parafraseia exatamente isso: "são interiorizados por quem absorva sua arte, como sujeitos que passassem a habitar a intimidade mesma de outros sujeitos". As demais ou extrapolam (A, B, E) ou tangenciam (C) o que o texto afirma.
O comando
O enunciado pede a ideia central do texto — ou seja, a tese que o autor defende do início ao fim. Isso é diferente de pedir uma informação pontual ("de acordo com o texto") ou uma inferência ("infere-se"). Aqui, você precisa captar o movimento argumentativo global: o texto parte de um exemplo (Pedrinho e o Sítio do Picapau Amarelo), generaliza ("Assim fazem conosco os grandes artistas") e desenvolve a metáfora de que o artista "mora" dentro de quem o acolhe. A resposta correta é a que resume essa tese sem acrescentar nada de fora.
O texto: tema, tese e argumentos
Tema: a relação entre os grandes artistas e quem aprecia sua arte.
Tese: as criações dos grandes artistas são interiorizadas pelo público, passando a fazer parte da vida íntima da pessoa — o artista "mora" dentro de você.
Argumentos: o exemplo da infância (Pedrinho), a metáfora da "mesma casa" e do "mesmo quarto", a ideia de que o artista "finge" envelhecer para fazer companhia, e a cena final em que o artista "atende a porta" e manda a solidão embora.
A passagem-chave que ancora a tese está no 2º parágrafo:
"As criações mais marcantes deles ficam sendo também suas. Vocês passam a morar na mesma casa, no mesmo quarto, em regimes alternados de ocupação"
E o 4º parágrafo reforça: "Quando um artista entra de fato na sua vida, com o melhor de sua arte, não sai mais. E é por causa dele que você nunca se sentirá inteiramente só." — ou seja, o artista é interiorizado e passa a habitar a intimidade do sujeito.
A técnica que decide
A armadilha central desta questão é a extrapolação: a banca cria alternativas que parecem plausíveis, mas que acrescentam ideias que o texto não sustenta. A letra D é a única que fica estritamente dentro do que o texto diz — ela apenas reescreve a tese com outras palavras (paráfrase). As demais ou restringem (C), ou contradizem (A, B, E) o alcance do texto.
Teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora? Se a alternativa fala em "comprometer a individualidade", "intimidar", "perder virtudes" — nada disso está no texto; é invenção do examinador.
Ideia central do texto
1Tese: artista é interiorizado
Criações "ficam sendo suas"
Passa a morar na mesma casa/quarto
Nunca se sente só
2Armadilha da banca
Extrapolação (A, B, E)
Comprometer individualidade
Intimidar personalidade
Perder virtudes
Fuga ao tema (C)
Influência linguística
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"ganham singular importância para quem os acolha, de modo a comprometer o sentido de uma individualidade"
Erro: extrapolação. O texto diz que o artista "mora" com você, mas não diz que isso compromete sua individualidade. Pelo contrário, o artista é uma companhia que protege sua individualidade (manda a solidão embora). A palavra "comprometer" inverte o sentido: o texto valoriza a presença do artista, não a vê como ameaça.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"carregam consigo a propriedade de intimidar a personalidade e a rotina de quem se deixa por tomar pela grandeza de sua arte"
Erro: contradiz o texto. O texto descreve uma relação acolhedora e benéfica (o artista faz companhia, distrai o medo da morte). "Intimidar" é o oposto do que o texto afirma. A banca troca o tom: de companhia para ameaça.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"influenciam o estilo da linguagem do leitor, que passa a utilizá-la segundo os paradigmas apreendidos"
Erro: tangencia o tema. O texto fala de companhia emocional e interiorização, não de influência linguística ou estilística. Não há nenhuma menção a "estilo da linguagem" ou "paradigmas apreendidos". É uma fuga ao tema: parece plausível (arte influencia), mas o texto não aborda isso.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"são interiorizados por quem absorva sua arte, como sujeitos que passassem a habitar a intimidade mesma de outros sujeitos"
Correta. Paráfrase fiel da tese. O texto diz que as criações "ficam sendo também suas" e que "vocês passam a morar na mesma casa, no mesmo quarto" — ou seja, o artista é interiorizado e passa a habitar a intimidade do sujeito. A alternativa usa "interiorizados" (absorvidos) e "habitar a intimidade" (morar dentro), exatamente o que o texto afirma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"têm tal ressonância entre seus admiradores que estes chegam a perder parte considerável de suas virtudes pessoais"
Erro: extrapolação. O texto não fala em "perder virtudes". Pelo contrário, o artista fortalece a pessoa ("você nunca se sentirá inteiramente só"). A ideia de "perder virtudes" é uma invenção negativa que não tem base no texto.
Fechamento
A regra de ouro: a ideia central é a tese, e a tese mora na introdução e na conclusão. Aqui, a tese é a interiorização do artista — e a letra D é a única que a parafraseia sem acrescentar nada. Desconfie de alternativas que usam palavras fortes como "comprometer", "intimidar", "perder virtudes": elas quase sempre extrapolam ou contradizem o texto.