Questão de Português — Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa) — FCC 2026
Português›Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Código
fc140508
Banca
FCC
Órgão
SAD PE
Ano
2026
Cargo
Ges Gov ( )
O artista que nos ocupa
Um artista não entra sozinho na tua vida. O que ele melhor inventa fica com você. Quando criança, você não terá lido a história daquele Pedrinho que passava as férias no sítio do Picapau Amarelo, da sua avó? Sim? Pois aquele sítio, aquele menino e aquela avó, assim como muitas das peripécias daquela história, vieram ficar com você para sempre, não foi? Vivas imagens que ficaram te acompanhando pela vida.
Assim fazem conosco os grandes artistas, não importa qual arte enobreçam. As criações mais marcantes deles ficam sendo também suas. Vocês passam a morar na mesma casa, no mesmo quarto, em regimes alternados de ocupação: enquanto um dorme e sonha, o outro vai pra rua. E tanto vão se cruzando na vida comum, que as melancolias cantadas por um podem se misturar com momentos festivos do outro. Em certas viagens, não se pode saber se o trem estará chegando ou estará partindo, para qual ou de qual estação.
Dessa forma, amigo, quando você ficar velho, mas muito velho mesmo, o seu artista fingirá que também envelheceu. Ele é capaz de inventar uma rouquidão ou uma tosse, como as suas, pra melhor lhe fazer companhia. E você já sabe: faz parte da arte do artista fingir que quem sabe morrer é ele, só para que você se distraia e distraia esse seu medo, cantando como ele canta.
Quando um artista entra de fato na sua vida, com o melhor de sua arte, não sai mais. E é por causa dele que você nunca se sentirá inteiramente só. Pelo contrário: nos momentos em que a solidão infeliz ameaçar entrar em você para não sair mais, não hesite: chame o seu artista, o artista que ficou morando dentro de você. Ele irá à porta da casa e dirá à dona solidão: - Desculpe, senhora, mas no momento meu amigo está ocupado, não pode receber ninguém. Quer deixar recado?
(Josimar de Alcântara, a editar)
Para responder à questão abaixo, baseia-se no texto seguinte: E eis que muito te comovem as obras magnas que o grande artista elaborou. Transpondo a frase acima para a voz passiva, as formas verbais deverão ser, na ordem dada:
Ate viriam a comover - estivesse elaborando
Bfoste comovido - foram elaboradas
Ctêm comovido - tem elaborado
Destariam te comovendo - tivesse elaborado
Evêm a te comover - tenha elaborado
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GabaritoB — foste comovido - foram elaboradas
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Transposição para a voz passiva: tempo e correlação verbal
Gabarito: letra B. Na frase "E eis que muito te comovem as obras magnas que o grande artista elaborou", o verbo "comovem" está no presente do indicativo e "elaborou" no pretérito perfeito do indicativo. Na voz passiva analítica, o primeiro vira "foste comovido" (presente do indicativo, 2ª pessoa do singular, concordando com "te") e o segundo vira "foram elaboradas" (pretérito perfeito, concordando com "obras magnas"). A alternativa B é a única que preserva exatamente esses tempos e pessoas.
O comando: transpor para a voz passiva
A questão pede uma reescritura — transpor a frase da voz ativa para a passiva analítica. Isso não é interpretação de texto; é gramática aplicada. O comando "as formas verbais deverão ser, na ordem dada" indica que precisamos converter os dois verbos da frase, mantendo o tempo, o modo e a pessoa de cada um. A armadilha clássica é trocar o tempo verbal ou a pessoa durante a conversão.
O texto: identificando os verbos e seus tempos
Na frase original, temos dois verbos:
"comovem" — presente do indicativo, 3ª pessoa do plural (sujeito: "as obras magnas").
"elaborou" — pretérito perfeito do indicativo, 3ª pessoa do singular (sujeito: "o grande artista").
A transposição para a passiva exige:
O objeto direto da ativa vira sujeito paciente. Aqui, "te" (objeto direto) vira sujeito paciente "tu" — por isso o verbo "ser" vai para a 2ª pessoa do singular: "foste".
O sujeito da ativa vira agente da passiva. "O grande artista" vira "pelo grande artista".
O verbo principal vai para o particípio, concordando com o novo sujeito: "comovido" (com "tu") e "elaboradas" (com "obras magnas").
A técnica: conversão ativa → passiva analítica
A regra é simples: na voz passiva analítica, o verbo auxiliar ser assume o tempo e a pessoa do verbo da ativa, e o verbo principal vai para o particípio. O tempo verbal não muda — o que muda é a forma. Veja o esquema:
Voz ativa
Voz passiva analítica
Sujeito agente + verbo + objeto direto
Objeto direto (vira sujeito) + ser (no mesmo tempo) + particípio + agente da passiva
Ex.: O artista elaborou as obras.
Ex.: As obras foram elaboradas pelo artista.
No caso, "te comovem" (presente) → "foste comovido" (presente, 2ª pessoa). "Elaborou" (pretérito perfeito) → "foram elaboradas" (pretérito perfeito, 3ª pessoa do plural).
Análise das alternativas
Voz passiva analítica: Estrutura (Objeto direto vira sujeito, Verbo ser no mesmo tempo, Particípio concorda com o sujeito); Tempo verbal não muda (Presente → presente, Pretérito perfeito → pretérito perfeito); Erros comuns (Trocar o tempo verbal, Trocar a pessoa, Manter voz ativa)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: troca de tempo e de pessoa. "Te viriam a comover" está no futuro do pretérito composto, não no presente. "Estivesse elaborando" está no pretérito imperfeito do subjuntivo composto (ou gerúndio), não no pretérito perfeito. A banca troca o tempo verbal, o que altera completamente o sentido.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. "Foste comovido" preserva o presente do indicativo na 2ª pessoa do singular (concordando com "te"), e "foram elaboradas" preserva o pretérito perfeito na 3ª pessoa do plural (concordando com "obras magnas"). A conversão é perfeita: o objeto direto "te" vira sujeito paciente "tu"; o sujeito "o grande artista" vira agente da passiva; o verbo "comover" vai para o particípio "comovido"; o verbo "elaborar" vai para "elaboradas".
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: troca de tempo. "Têm comovido" está no presente do indicativo composto (ou pretérito perfeito composto), não no presente simples. "Tem elaborado" está no presente do indicativo composto, não no pretérito perfeito. A banca usa o tempo composto com o auxiliar "ter", que não é o da voz passiva analítica (que usa "ser").
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: troca de tempo e de pessoa. "Estariam te comovendo" está no futuro do pretérito composto (ou gerundismo), não no presente. "Tivesse elaborado" está no pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo composto, não no pretérito perfeito. Além disso, "te comovendo" não é voz passiva, é voz ativa com gerúndio.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: troca de tempo e de modo. "Vêm a te comover" está no presente do indicativo (locução verbal com "vir a"), mas não é voz passiva — é voz ativa. "Tenha elaborado" está no presente do subjuntivo composto, não no pretérito perfeito do indicativo. A banca mistura voz ativa com passiva e troca o modo verbal.
Conclusão
A única alternativa que mantém os tempos verbais originais (presente e pretérito perfeito) e faz a conversão correta para a voz passiva analítica é a letra B. As demais trocam o tempo, a pessoa ou o modo, ou não fazem a conversão para a passiva.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar o tempo verbal na conversão — "comovem" (presente) vira "viriam a comover" (futuro do pretérito) ou "têm comovido" (composto). Fique atento: o tempo não muda na passiva; só a forma.
PEGA ESSA DICA!
Na hora da prova, sublinhe os verbos da ativa e anote o tempo e a pessoa de cada um. Depois, confira se a alternativa mantém exatamente esses valores. Se mudou o tempo, está errada.