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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — FCC 2026

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
fc140509
Banca
FCC
Órgão
SAD PE
Ano
2026
Cargo
Ges Gov ( )

O artista que nos ocupa

 

Um artista não entra sozinho na tua vida. O que ele melhor inventa fica com você. Quando criança, você não terá lido a história daquele Pedrinho que passava as férias no sítio do Picapau Amarelo, da sua avó? Sim? Pois aquele sítio, aquele menino e aquela avó, assim como muitas das peripécias daquela história, vieram ficar com você para sempre, não foi? Vivas imagens que ficaram te acompanhando pela vida.

 

Assim fazem conosco os grandes artistas, não importa qual arte enobreçam. As criações mais marcantes deles ficam sendo também suas. Vocês passam a morar na mesma casa, no mesmo quarto, em regimes alternados de ocupação: enquanto um dorme e sonha, o outro vai pra rua. E tanto vão se cruzando na vida comum, que as melancolias cantadas por um podem se misturar com momentos festivos do outro. Em certas viagens, não se pode saber se o trem estará chegando ou estará partindo, para qual ou de qual estação.

 

Dessa forma, amigo, quando você ficar velho, mas muito velho mesmo, o seu artista fingirá que também envelheceu. Ele é capaz de inventar uma rouquidão ou uma tosse, como as suas, pra melhor lhe fazer companhia. E você já sabe: faz parte da arte do artista fingir que quem sabe morrer é ele, só para que você se distraia e distraia esse seu medo, cantando como ele canta.

 

Quando um artista entra de fato na sua vida, com o melhor de sua arte, não sai mais. E é por causa dele que você nunca se sentirá inteiramente só. Pelo contrário: nos momentos em que a solidão infeliz ameaçar entrar em você para não sair mais, não hesite: chame o seu artista, o artista que ficou morando dentro de você. Ele irá à porta da casa e dirá à dona solidão: - Desculpe, senhora, mas no momento meu amigo está ocupado, não pode receber ninguém. Quer deixar recado?

 

(Josimar de Alcântara, a editar)

Para responder à questão abaixo, baseia-se no texto seguinte: Está plenamente adequada a articulação entre os tempos e os modos das formas verbais na frase:
  1. AMais envelheçamos nós, mais nos consolará a arte dos artistas geniais.
  2. BAinda que a solidão pareça invencível, o artista não hesitou em nos fazer companhia.
  3. CSe nenhum grande artista viesse a entrar em sua vida, ela terá sido tediosa e vazia.
  4. DUma vez que se encontrem o artista e seu receptor ideal, a harmonia teria sido intensa.
  5. ETão logo chegue a vida próxima do fim, lá estava o artista para nos consolar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Mais envelheçamos nós, mais nos consolará a arte dos artistas geniais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Correlação verbal: a harmonia entre tempos e modos

Gabarito: letra A. A única frase em que a articulação entre tempos e modos verbais está plenamente adequada é a da alternativa A, pois o presente do subjuntivo ("envelheçamos") combina-se corretamente com o futuro do presente do indicativo ("consolará"), expressando uma hipótese com consequência futura provável. Essa correlação é a "dobradinha" clássica: se a condição é possível, a consequência é futura — exatamente o que o texto sugere ao falar do artista que "fica morando dentro de você" e que "irá à porta" quando a solidão ameaçar.

O comando pede que você avalie a articulação entre tempos e modos — ou seja, a correlação verbal. Não se trata de julgar cada verbo isoladamente, mas de verificar se a combinação entre eles produz sentido harmônico. A banca mistura, nas distratoras, tempos e modos que não se combinam (ex.: subjuntivo com futuro do presente, condicional com futuro do presente), criando frases que "soam" erradas. A técnica é simples: identifique a relação lógica entre as orações (condição, concessão, tempo) e confira se os verbos seguem o padrão esperado.

No texto, o autor desenvolve a ideia de que o artista permanece com o leitor ao longo da vida — "quando você ficar velho, mas muito velho mesmo, o seu artista fingirá que também envelheceu". Note a correlação usada: futuro do subjuntivo ("ficar") + futuro do presente ("fingirá"). Essa é a mesma lógica da alternativa A: uma condição futura possível gera uma consequência futura. O texto, portanto, autoriza a combinação de hipótese com futuro.

A regra que decide a questão é a correlação verbal — a exigência de que os verbos de um período mantenham coerência de tempo e modo. As combinações mais cobradas são:

Estrutura

Exemplo

Uso

Presente do subjuntivo + Futuro do presente

"Se estudar, passará"

Condição possível, consequência futura

Pretérito imperfeito do subjuntivo + Futuro do pretérito

"Se estudasse, passaria"

Condição hipotética ou irreal, consequência no passado

Futuro do subjuntivo + Futuro do presente

"Quando chegar, avisarei"

Condição futura, consequência futura

A alternativa A segue exatamente o primeiro padrão: "Mais envelheçamos nós, mais nos consolará a arte" — o subjuntivo presente ("envelheçamos") indica uma hipótese possível; o futuro do presente ("consolará") indica a consequência que ocorrerá se a hipótese se realizar. Perfeita harmonia.

1Condição possível
Presente do subjuntivo
Futuro do presente
2Condição hipotética/irreal
Pret. imperfeito do subjuntivo
Futuro do pretérito
3Condição futura
Futuro do subjuntivo
Futuro do presente
Correlação verbal
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Correlação verbal: Condição possível (Presente do subjuntivo, Futuro do presente); Condição hipotética/irreal (Pret. imperfeito do subjuntivo, Futuro do pretérito); Condição futura (Futuro do subjuntivo, Futuro do presente)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A frase "Mais envelheçamos nós, mais nos consolará a arte dos artistas geniais" apresenta correlação perfeita: presente do subjuntivo ("envelheçamos") + futuro do presente do indicativo ("consolará"). O subjuntivo expressa uma condição possível (envelhecer), e o futuro do presente expressa a consequência provável (consolar). Essa é a combinação padrão para hipóteses realizáveis, como em "Se você estudar, passará". O texto reforça essa ideia ao afirmar que o artista "ficará" com você e "fingirá" envelhecer — sempre no futuro, após uma condição. Nenhum erro aqui.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A frase "Ainda que a solidão pareça invencível, o artista não hesitou em nos fazer companhia" mistura presente do subjuntivo ("pareça") com pretérito perfeito do indicativo ("hesitou"). A conjunção concessiva "ainda que" exige que a oração principal esteja no presente ou futuro do indicativo (ex.: "não hesita" ou "não hesitará"), pois a concessão se refere a um fato atual ou futuro. O pretérito perfeito indica ação concluída no passado, o que quebra a harmonia: se a solidão "parece" invencível agora, a reação do artista deveria ser no presente, não no passado. Erro: contradiz a correlação esperada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A frase "Se nenhum grande artista viesse a entrar em sua vida, ela terá sido tediosa e vazia" combina pretérito imperfeito do subjuntivo ("viesse") com futuro do presente composto do indicativo ("terá sido"). O pretérito imperfeito do subjuntivo exige, na oração principal, o futuro do pretérito ("teria sido") — como em "Se eu tivesse dinheiro, compraria". Usar "terá sido" (futuro do presente) quebra a correlação, pois mistura uma hipótese passada com uma consequência futura. Erro: troca o tempo da consequência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A frase "Uma vez que se encontrem o artista e seu receptor ideal, a harmonia teria sido intensa" combina presente do subjuntivo ("encontrem") com futuro do pretérito composto ("teria sido"). A locução "uma vez que" (causal) pede, normalmente, o indicativo (ex.: "encontram"), e a consequência deveria estar no presente ou futuro do presente (ex.: "será"). O futuro do pretérito composto indica uma ação hipotética no passado, incompatível com uma condição presente. Erro: mistura tempos de planos diferentes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A frase "Tão logo chegue a vida próxima do fim, lá estava o artista para nos consolar" combina presente do subjuntivo ("chegue") com pretérito imperfeito do indicativo ("estava"). A expressão "tão logo" indica uma ação futura; a consequência deveria estar no futuro do presente ("estará"). O pretérito imperfeito remete a um passado contínuo, o que não combina com a ideia de algo que ainda vai acontecer. Erro: usa tempo passado para consequência futura.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a correlação verbal — cada distratora mistura um tempo do subjuntivo (hipótese) com um tempo do indicativo que não corresponde (passado ou futuro do presente em vez do futuro do pretérito, ou vice-versa). A alternativa A é a única que segue o padrão "subjuntivo presente + futuro do presente".

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de correlação, identifique primeiro a relação lógica (condição, concessão, tempo) e depois verifique se os verbos seguem as combinações padrão. Desconfie de frases que misturam "se" com futuro do presente, ou "ainda que" com pretérito perfeito.

Gabarito: letra A — a única frase em que a articulação entre tempos e modos é plenamente adequada, pois o presente do subjuntivo ("envelheçamos") combina-se com o futuro do presente ("consolará"), expressando uma hipótese possível com consequência futura provável.

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