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Questão de Português — Pronomes Relativos — FCC 2026

PortuguêsPronomes Relativos
Código
fc140516
Banca
FCC
Órgão
MPE SE
Ano
2026
Cargo
Tec ( )

Nós poderíamos ter sido grandes amigos.

 

Eu o convidaria para um jantar sábado à noite, aqui em nosso apartamento, serviríamos um magnífico pernil de cordeiro acomodado em ramos de alecrim, um honesto Quinta da Bacalhoa, e ouviríamos, encantados, o último disco do Chico Buarque, uma coletânea da Dinah Washington, uma outra cantora que agora me foge o nome, adquirida na Tower Records, em Londres.

 

Seríamos apresentados à sua esposa, já vislumbrada rapidamente na piscina, e, uma ou duas taças, deixaríamos o sofá de veludo espanhol amarelo pelas duras e ásperas cadeiras de palha da cozinha, não tão grande quanto era nosso desejo, para ajudar a Célia, avental motivos-surrealistas, cuidando do assado e da salada. Eu lavaria a louça, ele e a mulher arrumariam a mesa, toalha, talheres, copos, descansos. Após o jantar, de novo esparramados no conforto da sala, nos perderíamos no torvelinho das conversas e, madrugada, quando já nem mais ânimo tivéssemos para trocar o cadê, a rua ausente de carros, uma leve por as crianças estarem na casa de algum coleguinha ou de parentes, se imiscuiria em nosso último assunto, e nos despediríamos, prometendo nos frequentar com alguma assiduidade.

 

O tempo solidificaria a relação.

 

Trocaríamos e-mails e encheríamos o computador de spams, correntes-da-felicidade, abaixo-assinados, alertas sobre a descoberta de novos vírus, as mais recentes modalidades de crimes, fotos indecentes, charges e até mesmo endereços interessantes, lojas virtuais de cedês e de livros, e descobriríamos afinidades que insuspeitávamos, e toda sexta-feira nos encontraríamos para o happy hour num barzinho da Lapa, "o melhor tira-gosto de São Paulo", e revelaríamos que a escola das crianças não é tão boa quanto imaginávamos, e confessaríamos que ambos mentíamos para os amigos sobre aventuras extraconjugais, e que, embora a colega assistente da diretoria existisse, a única vez que falei com ela foi para me desculpar por ter derrubado sua sobremesa no chão do refeitório, e chegaríamos em casa recendendo a álcool, e as mulheres reclamariam e diriam que "Homem é tudo igual", e no dia seguinte, sábado, acordaríamos cedo para comprar peixe e verduras no Mercado Municipal. Mas nós não nos conhecíamos. Nos vimos algumas vezes no elevador de serviço, a caminho da garagem do prédio, uma ou outra vez nas piscina, ele lendo a Veja, eu nadando com a Joana e o Afonsinho.

 

(Adaptado de: RUFFATO, Luiz. Eles eram muitos cavalos. São Paulo: Companhia das Letras, 2013)

Leia o trecho do romance Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato, para responder à questão.

   

Sem que seja feita nenhuma outra alteração, o segmento sublinhado no trecho o último disco do Chico Buarque, uma coletânea da Dinah Washington, uma outra cantora que agora me foge o nome, adquirida na Tower Records pode ser substituído por:

  1. Acujo nome agora me foge.
  2. Bdo qual nome agora me foge.
  3. Ccom que me foge agora o nome.
  4. Da qual me foge agora o nome.
  5. Ecuja agora me foge o nome.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — cujo nome agora me foge.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pronome relativo "cujo": posse e concordância

Gabarito: letra A. O segmento "uma outra cantora que agora me foge o nome" pode ser substituído por "cujo nome agora me foge", pois o pronome relativo "cujo" estabelece a relação de posse entre o antecedente ("cantora") e o termo seguinte ("nome"), concordando em gênero e número com a palavra possuída. A construção original "que agora me foge o nome" é uma forma de expressar posse com o verbo "fugir" (algo foge a alguém), e a reescritura com "cujo" mantém exatamente esse sentido, como se lê no trecho: "uma outra cantora que agora me foge o nome".

O comando da questão

O enunciado pede uma substituição sem alteração de sentido: "o segmento sublinhado [...] pode ser substituído por". Isso significa que a alternativa correta deve preservar integralmente o significado do trecho original, apenas reescrevendo-o com outra estrutura gramatical. Não se trata de interpretação de texto, mas de reescritura com equivalência semântica e correção gramatical — a banca testa se o candidato domina o uso do pronome relativo "cujo" e suas regras de concordância e regência.

O texto e o trecho em análise

No trecho do romance, o narrador imagina ouvir "o último disco do Chico Buarque, uma coletânea da Dinah Washington, uma outra cantora que agora me foge o nome". A expressão "que agora me foge o nome" significa que o nome da cantora escapa à memória do narrador — ou seja, há uma relação de posse entre "cantora" e "nome". O pronome relativo "cujo" é exatamente o instrumento gramatical para expressar essa posse, ligando dois substantivos: o possuidor (cantora) e o possuído (nome).

A regra do pronome "cujo"

O pronome relativo "cujo" (e suas flexões "cuja", "cujos", "cujas") é usado para indicar posse e sempre concorda em gênero e número com a palavra possuída, nunca com o possuidor. Veja:

  • "A cantora cujo nome me foge" — "cujo" concorda com "nome" (masculino singular), não com "cantora" (feminino singular).

  • "O livro cujas páginas estão rasgadas" — "cujas" concorda com "páginas" (feminino plural).

Além disso, "cujo" não admite artigo depois de si: não se diz "cujo o nome", mas sim "cujo nome". Essa é uma pegadinha clássica, explorada na alternativa E.

Análise das alternativas

1Indica posse
Liga possuidor e possuído
2Concordância
Com o possuído (nunca com o possuidor)
3Proibições
Não admite artigo depois ("cujo o nome")
Não admite substantivo antes do possuído
4Equivalência
"cujo nome" = "o nome do qual"
Pronome relativo "cujo"
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Pronome relativo "cujo": Indica posse (Liga possuidor e possuído); Concordância (Com o possuído (nunca com o possuidor)); Proibições (Não admite artigo depois ("cujo o nome"), Não admite substantivo antes do possuído); Equivalência ("cujo nome" = "o nome do qual")

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A apresenta "cujo nome agora me foge", que é a reescritura perfeita do trecho original. O pronome "cujo" estabelece a posse entre "cantora" e "nome", concordando corretamente com "nome" (masculino singular). A estrutura "cujo nome" é a forma canônica de expressar "o nome da qual". Portanto, está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B traz "do qual nome agora me foge". O pronome relativo "o qual" não expressa posse; ele apenas retoma o antecedente, mas não estabelece a relação de posse entre "cantora" e "nome". Além disso, a construção "do qual nome" é agramatical, pois "o qual" não pode ser seguido diretamente de um substantivo. O correto seria "cujo nome". Portanto, está incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C apresenta "com que me foge agora o nome". A preposição "com" não é exigida pelo verbo "fugir" (que pede a preposição "de" ou "a"), e a construção "com que" não estabelece a relação de posse. Além disso, a ordem "me foge agora o nome" altera a ênfase e o sentido original. Portanto, está incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D traz "a qual me foge agora o nome". O pronome "a qual" retoma "cantora", mas não expressa posse. A construção "a qual me foge o nome" é ambígua e não equivale a "cujo nome me foge". Além disso, a preposição "a" não é adequada ao verbo "fugir" nesse contexto. Portanto, está incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E apresenta "cuja agora me foge o nome". O erro aqui é a ausência do substantivo "nome" após "cuja". O pronome "cujo" exige que o termo possuído venha logo depois, sem artigo. A forma correta seria "cujo nome". Portanto, está incorreta.

Conclusão

A única alternativa que preserva o sentido e a correção gramatical é a letra A. A banca explora a confusão entre "cujo" e outras formas relativas, além da concordância com o termo possuído. Lembre-se: "cujo" concorda com o possuído, não com o possuidor, e nunca é seguido de artigo.

Gabarito: letra A

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