Leia o poema de Cecília Meirelles, extraído do livro Viagem, para responder à questão.
No verso poisé muito longe e tão tarde!, o termo sublinhado expressa uma
Acondição.
Bexplicação.
Ccomparação.
Dfinalidade.
Eoposição.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — explicação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O valor semântico do "pois" no poema
Gabarito: letra B. No verso "pois é muito longe e tão tarde!", o termo sublinhado "pois" expressa explicação: ele introduz a justificativa para o pedido anterior — "Permite que feche os meus olhos". A prova está na própria estrutura do texto: a conjunção liga duas orações independentes, e a segunda apresenta o motivo da primeira, como se lê no trecho:
"Permite que feche os meus olhos, / pois é muito longe e tão tarde!"
Aqui, "pois" equivale a "porque" (explicativo), e não a "portanto" (conclusivo) — e é exatamente essa distinção que a banca testa.
O comando da questão
O enunciado pergunta "o termo sublinhado expressa uma" — ou seja, pede o valor semântico da conjunção no contexto. Não se trata de classificação morfológica isolada (conjunção coordenativa explicativa), mas do sentido que ela instaura entre as orações. Em questões assim, o caminho é: identificar as orações ligadas, ver qual ideia uma acrescenta à outra (causa, condição, oposição, finalidade, comparação) e conferir se a relação é de justificativa.
O texto e o movimento argumentativo
O poema "Serenata", de Cecília Meirelles, é uma fala lírica em que a eu lírica pede permissão para fechar os olhos, emudecer e voltar o rosto para o céu. No primeiro verso, o pedido é "Permite que feche os meus olhos"; em seguida, vem a justificativa: "pois é muito longe e tão tarde!". A conjunção "pois" liga a oração anterior (o pedido) à oração seguinte (a razão do pedido). A relação é de explicação: a segunda oração explica por que a eu lírica quer fechar os olhos — porque a distância é grande e a hora é tardia.
A técnica que decide
A chave está na posição e na função do "pois":
Pois explicativo: vem antes do verbo e liga orações coordenadas, equivalendo a "porque", "porquanto". Ex.: "Ele deve estar cansado, pois dormiu tarde."
Pois conclusivo: vem depois do verbo (ou deslocado) e equivale a "portanto", "logo". Ex.: "Estudou muito; passou, pois."
No verso, "pois" está antes do verbo ("é") e introduz a justificativa do pedido. Se fosse conclusivo, o sentido seria invertido: "fecha os olhos, portanto é longe e tarde" — o que não faz sentido lógico. A banca explora exatamente essa polissemia: o candidato que lembra apenas do "pois" conclusivo (posposto) erra a questão.
Análise das alternativas
"Pois" (valor semântico): Explicativo (antes do verbo) (Equivale a "porque", Gabarito); Conclusivo (depois do verbo) (Equivale a "portanto"); Outros valores (não se aplicam) (Condição ("se"), Comparação ("como"), Finalidade ("para"), Oposição ("mas"))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Condição seria expressa por conjunções como "se", "caso", "desde que" — que introduzem uma hipótese necessária para a ocorrência do fato. No verso, não há hipótese alguma: "é muito longe e tão tarde" é um fato dado, não uma condição para fechar os olhos. A alternativa extrapola o sentido do texto, atribuindo ao "pois" uma função que ele não exerce.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O "pois" anteposto ao verbo, ligando orações independentes, é conjunção coordenativa explicativa: introduz a razão do que foi dito antes. No poema, a eu lírica pede para fechar os olhos porque é muito longe e tarde. A paráfrase "Permite que feche os olhos, porque é muito longe e tão tarde" preserva integralmente o sentido. A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Comparação seria marcada por "como", "tal qual", "que nem" — estabelecendo uma relação de semelhança entre dois termos. No verso, não há comparação: "muito longe" e "tão tarde" são características da situação, não elementos comparados. A alternativa tangencia o tema, pois o candidato pode associar "tão" a uma estrutura comparativa ("tão... que"), mas aqui "tão" é apenas um advérbio de intensidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Finalidade seria expressa por "para", "a fim de que", "para que" — indicando objetivo, propósito. O verso não traz intenção: "é muito longe e tão tarde" não é o objetivo de fechar os olhos, mas a causa do pedido. A alternativa confunde finalidade com explicação, uma troca clássica em questões de conectivos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Oposição seria marcada por "mas", "porém", "contudo" — indicando contraste, quebra de expectativa. No verso, não há oposição entre as ideias: o pedido e a justificativa estão alinhados, um explica o outro. A alternativa contradiz a relação lógica do texto, pois inverte o sentido do conectivo.
Fechamento
A regra de ouro para questões de conjunção: nunca decore o sentido isolado do conectivo — analise a relação que ele estabelece entre as orações no contexto. Pergunte: "a segunda oração explica, conclui, condiciona, opõe-se ou compara-se à primeira?" No verso, a segunda oração explica a primeira — logo, "pois" é explicativo.
PEGA ESSA DICA!
Desconfie de "pois" em posição inicial ou antes do verbo: quase sempre é explicativo (equivale a "porque"). O "pois" conclusivo (equivale a "portanto") aparece posposto ao verbo ou deslocado. Essa distinção de posição resolve a maioria das questões da banca.