Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc140519
Banca
FCC
Órgão
MPE SE
Ano
2026
Cargo
Tec ( )
Serenata
Permite que feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silêncio
e a dor é de origem divina.
Permite que volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.
Leia o poema de Cecília Meirelles, extraído do livro Viagem, para responder à questão.
No poema, o eu lírico mostra-se, sobretudo,
Adesesperado.
Bvingativo.
Cresignado.
Dsubserviente.
Eimpaciente.
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GabaritoC — resignado.
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Serenata: a resignação do eu lírico
Gabarito: letra C. O eu lírico mostra-se, sobretudo, resignado — aceita a espera, o silêncio e a solidão com serenidade, como se lê nos versos "Permite que agora emudeça: / que me conforme em ser sozinha" e "aprenda a ser dócil no sonho / como as estrelas no seu rumo". A palavra-chave é "conforme" (do verbo conformar-se), que expressa exatamente a aceitação pacífica de uma situação.
O comando: compreensão do estado emocional
A questão pede que você identifique o estado emocional predominante do eu lírico. Isso é uma tarefa de compreensão — a resposta está explícita nas palavras do poema, não exige inferência profunda. Basta ler com atenção e perceber o tom geral: não há revolta, não há desespero, não há pressa. Há, sim, uma aceitação serena da demora, do silêncio e da solidão.
O texto: a progressão da aceitação
O poema caminha em três movimentos, todos na direção da resignação:
Espera paciente: "Permite que feche os meus olhos, / pois é muito longe e tão tarde! / Pensei que era apenas demora, / e cantando pus-me a esperar-te." — O eu lírico espera, mas já percebe que a demora é longa.
Aceitação do silêncio: "Permite que agora emudeça: / que me conforme em ser sozinha. / Há uma doce luz no silêncio / e a dor é de origem divina." — Aqui está o coração da resposta: o eu lírico pede permissão para se conformar com a solidão, e ainda encontra doçura no silêncio.
Entrega ao destino: "Permite que volte o meu rosto / para um céu maior que este mundo, / e aprenda a ser dócil no sonho / como as estrelas no seu rumo." — A comparação com as estrelas, que seguem seu rumo sem resistência, reforça a docilidade e a aceitação.
"Permite que agora emudeça: / que me conforme em ser sozinha."
O verbo "conforme" é a pista decisiva: conformar-se é aceitar, resignar-se. Não há luta, não há revolta — há submissão serena ao que não pode ser mudado.
A técnica: distinguir resignação de subserviência
A banca monta a pegadinha com a alternativa D (subserviente). A diferença é sutil, mas essencial:
Critério
Resignação (C)
Subserviência (D)
Atitude
Aceitação serena do destino
Humilhação, obediência servil a alguém
Relação com o outro
Aceita a própria solidão
Submete-se à vontade de outro
Tom
Digno, sereno
Rebaixado, submisso
O eu lírico não se humilha diante de ninguém; ela apenas aceita a espera e a solidão. A subserviência implicaria uma relação de inferioridade com o ser amado, o que não aparece no poema.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Desesperado. O poema não traz nenhum sinal de desespero. Pelo contrário, o eu lírico encontra "doce luz no silêncio" e pede para "aprender a ser dócil". Desespero seria gritar, implorar, revoltar-se — nada disso ocorre. A alternativa extrapola a dor mencionada ("a dor é de origem divina") para um estado de pânico que o texto não sustenta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Vingativo. Não há qualquer desejo de vingança ou mágoa ativa no poema. O eu lírico não culpa ninguém, não planeja revide — apenas aceita. A alternativa contradiz o tom de aceitação e tangencia o tema, pois vingança é um sentimento oposto à resignação.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Resignado. Como provado acima, o eu lírico pede para "se conformar em ser sozinha" e "aprender a ser dócil no sonho". A resignação é a aceitação serena do que não se pode mudar — exatamente o que o poema expressa do início ao fim.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Subserviente. A alternativa troca o conceito: confunde resignação com subserviência. O eu lírico não se rebaixa diante de ninguém; ela aceita a própria solidão com dignidade. Não há relação de obediência servil a outra pessoa — há apenas conformação com o destino.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Impaciente. O eu lírico espera "cantando" e depois "emudece" — não há pressa, não há irritação com a demora. A impaciência seria o oposto da docilidade que ela busca. A alternativa contradiz o tom sereno do poema.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece estados emocionais extremos (desespero, vingança, impaciência) para tentar o candidato a extrapolar a partir da dor mencionada. A palavra "dor" pode sugerir sofrimento intenso, mas o texto a qualifica como "de origem divina" e a envolve em "doce luz" — ou seja, a dor é aceita, não combatida.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de estado emocional, procure o verbo que resume a atitude do eu lírico. Aqui, "conforme" e "dócil" são as chaves. Se houver uma alternativa com palavra de aceitação (resignado, conformado, sereno), ela tende a ser a correta.