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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc140523
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ SP
Ano
2026
Cargo
AFRE ( )

Arrependimentos

 

Pentimento é a palavra italiana para arrependimento, mas designa, em muitas línguas, uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro. Às vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão. Outras vezes, os raios X dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.

 

Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história.

 

A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar; são todos pentimentos encobertos, histórias que não se realizaram.

 

Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.

 

O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha “certa”. Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Os pentimentos podem ser maus conselheiros, até porque muitas vezes nós os inventamos como desculpas para os fracassos do presente. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Por conta da ação das redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer, como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado. Os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.

 

(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, pp. 25–27, passim)

Para responder à questão, baseia-se no texto seguinte.

   

Ao associar o sentido pictórico de pentimento ao plano dos projetos pessoais não realizados em nossa vida, o autor está considerando como elemento comum a esses dois processos uma

  1. Aforma crítica de atualização do passado.
  2. Bintenção de se redimir dos fracassos.
  3. Cpotencialidade que não foi desenvolvida.
  4. Dilusão que o tempo apagou em definitivo.
  5. Efantasia cuja permanência se sobrepõe aos fatos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — potencialidade que não foi desenvolvida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A analogia entre o pentimento pictórico e os projetos não realizados

Gabarito: letra C. Ao associar o pentimento (esboço encoberto na pintura) aos projetos pessoais não realizados, o autor considera como elemento comum a potencialidade que não foi desenvolvida — exatamente o que o texto afirma no 2º parágrafo: "São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas". A alternativa C é a única que parafraseia fielmente essa ideia, sem acrescentar ou restringir nada.

O comando: compreensão, não inferência

O enunciado pede que se identifique o elemento comum entre dois processos: o sentido pictórico de pentimento e os projetos pessoais não realizados. Isso é uma questão de compreensão — a resposta está explícita no texto, não exige dedução. Basta localizar a passagem que define o que há em comum e comparar com as alternativas. A técnica é: sublinhar no texto a expressão que nomeia esse elemento comum e testar cada alternativa como uma paráfrase (reescritura fiel) dessa expressão.

O texto: a ponte entre o quadro e a vida

O autor constrói a analogia em três passos. Primeiro, define o pentimento pictórico: um esboço ou pintura que o artista rejeitou e encobriu, mas que permanece sob a obra final. Depois, no 2º parágrafo, faz a ponte com a vida: "Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos". E então nomeia o elemento comum: "como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história". É essa expressão — potencialidades que não foram realizadas — que a alternativa C parafraseia como "potencialidade que não foi desenvolvida".

A técnica: paráfrase fiel vs. extrapolação

A questão testa a capacidade de reconhecer a paráfrase correta. A alternativa C troca "não realizadas" por "não desenvolvida" — sinônimos perfeitos no contexto. As demais alternativas ou extrapolam (acrescentam ideias que o texto não diz), ou contradizem o texto (invertem um ponto central), ou tangenciam o tema (falam de algo apenas remotamente relacionado). O critério decisivo: a alternativa correta é a única que não acrescenta nada ao que o texto afirma.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "potencialidade não realizada" (correta) e "ilusão que o tempo apagou" (errada). O texto distingue claramente o que foi encoberto (permanece presente) do que foi apagado (desaparece). A alternativa D inverte esse ponto central.

1Esboço rejeitado e encoberto
2Permanece sob a obra final
3Transparece no presente
4Projetos não realizados
Desistidos ao longo da vida
Integram a história
Transparecem como potencialidades
5Elemento comum
Potencialidade não desenvolvida
Pentimento pictórico
LEVELsoulevel.com.br
Pentimento pictórico: Esboço rejeitado e encoberto; Permanece sob a obra final; Transparece no presente; Projetos não realizados (Desistidos ao longo da vida, Integram a história, Transparecem como potencialidades); Elemento comum (Potencialidade não desenvolvida)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não fala em "forma crítica de atualização do passado". O autor não atribui ao pentimento nenhum caráter crítico; ele apenas o descreve como algo que "transparece no presente". A palavra "crítica" é uma opinião embutida que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não menciona "intenção de se redimir dos fracassos". O autor fala em "desculpas para os fracassos do presente", mas isso é uma consequência negativa, não uma intenção de redenção. A alternativa acrescenta um propósito que o texto não atribui ao pentimento.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel. O texto afirma: "como potencialidades que não foram realizadas". A alternativa diz "potencialidade que não foi desenvolvida" — exatamente a mesma ideia, com sinônimos. Não há acréscimo nem restrição. É a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto diz que os pentimentos são "escondidos e não apagados" e que "transparecem no presente". A alternativa afirma que são uma "ilusão que o tempo apagou em definitivo" — o oposto do que o texto sustenta. O texto até menciona "falsos pentimentos" e "espectros do passado", mas nunca diz que foram apagados em definitivo; pelo contrário, eles permanecem.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não diz que a fantasia "se sobrepõe aos fatos". O autor fala em "miragem da felicidade" e "espectros do passado", mas não afirma que a fantasia se sobrepõe aos fatos. Essa é uma conclusão que vai além do texto.

Gabarito: letra C. A regra de ouro: em questões de compreensão, a resposta é sempre uma paráfrase — reescritura fiel do que está escrito, sem acréscimos, sem restrições, sem inversões. Teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?".

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