Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — FCC 2026

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
fc140525
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ SP
Ano
2026
Cargo
AFRE ( )

Arrependimentos

 

Pentimento é a palavra italiana para arrependimento, mas designa, em muitas línguas, uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro. Às vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão. Outras vezes, os raios X dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.

 

Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história.

 

A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar; são todos pentimentos encobertos, histórias que não se realizaram.

 

Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.

 

O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha “certa”. Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Os pentimentos podem ser maus conselheiros, até porque muitas vezes nós os inventamos como desculpas para os fracassos do presente. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Por conta da ação das redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer, como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado. Os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.

 

(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, pp. 25–27, passim)

Para responder à questão, baseia-se no texto seguinte.     As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
  1. APodem haver nos pentimentos os maus conselhos, que provavelmente nos levarão a grandes frustrações.
  2. BDevem-se às redes sociais a multiplicação incontrolável de reminiscências inteiramente artificiais.
  3. CNão seja uma escolha de nossa vida nenhuma das decisões que se constituirão ao modo de dolorosos pentimentos.
  4. DÉ comum que conste como um malogro da nossa história as virtudes potenciais que não desenvolvemos.
  5. ETêm equivalência com os fenômenos dos pentimentos artísticos a paixão dos nossos ideais não cumpridos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Não seja uma escolha de nossa vida nenhuma das decisões que se constituirão ao modo de dolorosos pentimentos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: o verbo certo para cada sujeito

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única em que todas as formas verbais concordam corretamente com seus sujeitos: "Não seja uma escolha de nossa vida nenhuma das decisões que se constituirão ao modo de dolorosos pentimentos". O verbo "seja" concorda com o sujeito posposto "nenhuma das decisões" (singular), e "constituirão" concorda com o antecedente "decisões" (plural). As demais alternativas violam regras específicas de concordância verbal, como se verá.

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você identifique a frase em que as normas de concordância verbal estão plenamente observadas. Isso significa que você deve analisar cada alternativa e verificar se o verbo está flexionado corretamente em relação ao seu sujeito. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática aplicada: você precisa reconhecer o sujeito de cada oração e aplicar a regra de concordância adequada.

O texto: o que ele tem a ver com a questão

O texto fala sobre "pentimentos" — esboços ou pinturas que o artista rejeitou e encobriu, mas que permanecem como parte da obra. O autor usa essa metáfora para falar de desejos e projetos abandonados na vida. As alternativas foram construídas com base nesse tema, mas o que importa para a resolução é apenas a estrutura sintática de cada frase. O conteúdo é apenas um pano de fundo; a questão é puramente gramatical.

A técnica: como testar cada alternativa

Para cada frase, siga estes passos:

  1. Identifique o verbo (ou locução verbal).

  2. Pergunte: quem pratica a ação? — isso revela o sujeito.

  3. Verifique se o verbo concorda em número e pessoa com o núcleo do sujeito.

  4. Cuidado com os casos especiais: verbo "haver" impessoal, voz passiva sintética, sujeito posposto, pronome relativo "que".

A banca adora distanciar o sujeito do verbo para confundir. Por isso, sublinhe o verbo e procure o sujeito depois, como ensina o material de apoio: "O Brasil... ganham?!" — o erro só aparece quando você identifica o núcleo do sujeito.

Concordância verbal
  • 1Verbo "haver" impessoal
    • Não concorda com objeto
    • Ex.: "Pode haver conselhos"
  • 2Voz passiva sintética
    • Verbo concorda com o sujeito paciente
    • Ex.: "Deve-se a multiplicação"
  • 3Sujeito posposto
    • Verbo concorda com o núcleo
    • Ex.: "constem as virtudes"
  • 4Pronome relativo "que"
    • Verbo concorda com o antecedente
    • Ex.: "decisões que se constituirão"
LEVEL · soulevel.com.br

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Podem haver nos pentimentos os maus conselhos, que provavelmente nos levarão a grandes frustrações."

Erro: concordância com verbo impessoal "haver". O verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal: não tem sujeito e fica sempre na 3ª pessoa do singular. Em locução verbal, o auxiliar também fica no singular. O correto seria "Pode haver nos pentimentos os maus conselhos". O termo "os maus conselhos" é objeto direto, não sujeito. A banca explora a tentação de concordar com o objeto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Devem-se às redes sociais a multiplicação incontrolável de reminiscências inteiramente artificiais."

Erro: voz passiva sintética com sujeito no singular. A partícula "se" é apassivadora: o verbo concorda com o sujeito paciente. O sujeito é "a multiplicação incontrolável de reminiscências inteiramente artificiais" (núcleo: "multiplicação", singular). Portanto, o verbo deve ficar no singular: "Deve-se às redes sociais a multiplicação...". A forma "Devem-se" está no plural, sem sujeito plural que a justifique.

Alternativa C — ✅ Correta

"Não seja uma escolha de nossa vida nenhuma das decisões que se constituirão ao modo de dolorosos pentimentos."

Concordância correta em todos os verbos.

  • "seja" concorda com o sujeito posposto "nenhuma das decisões" (núcleo "nenhuma", singular).

  • "constituirão" concorda com o antecedente do pronome relativo "que", que é "decisões" (plural).

A ordem invertida (verbo antes do sujeito) é permitida, e a concordância está plenamente observada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"É comum que conste como um malogro da nossa história as virtudes potenciais que não desenvolvemos."

Erro: sujeito posposto no plural com verbo no singular. O sujeito de "conste" é a oração subordinada substantiva subjetiva "que conste como um malogro da nossa história as virtudes potenciais que não desenvolvemos". Quando o sujeito é oracional, o verbo da principal fica no singular ("É comum"). Porém, dentro da subordinada, o verbo "conste" deveria concordar com o sujeito "as virtudes potenciais" (plural), pois a oração foi deslocada. O correto seria "que constem". A banca explora a confusão entre sujeito oracional e sujeito simples posposto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Têm equivalência com os fenômenos dos pentimentos artísticos a paixão dos nossos ideais não cumpridos."

Erro: sujeito posposto no singular com verbo no plural. O sujeito é "a paixão dos nossos ideais não cumpridos" (núcleo "paixão", singular). O verbo "Têm" está no plural, mas deveria concordar com o núcleo singular: "Tem equivalência... a paixão". A banca inverte a ordem para que o candidato se perca entre os termos.

Conclusão

A única frase em que todas as formas verbais estão corretamente flexionadas é a letra C. As demais erram por não identificar corretamente o núcleo do sujeito, especialmente quando ele está posposto ou quando há verbos impessoais e voz passiva sintética.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de concordância, sublinhe o verbo e pergunte "quem?" antes de olhar para o final da frase. Desconfie de verbos no plural com sujeito no singular (ou vice-versa) quando a ordem estiver invertida.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora usar o verbo "haver" impessoal e a voz passiva sintética para fazer você concordar com o objeto ou com o termo mais próximo, em vez do verdadeiro sujeito.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/fc140525