Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FCC 2026
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fc140527
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ SP
Ano
2026
Cargo
AFRE ( )
Arrependimentos
Pentimento é a palavra italiana para arrependimento, mas designa, em muitas línguas, uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro. Às vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão. Outras vezes, os raios X dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.
Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história.
A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar; são todos pentimentos encobertos, histórias que não se realizaram.
Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.
O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha “certa”. Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Os pentimentos podem ser maus conselheiros, até porque muitas vezes nós os inventamos como desculpas para os fracassos do presente. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Por conta da ação das redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer, como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado. Os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.
(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, pp. 25–27, passim)
Para responder à questão, baseia-se no texto seguinte.
O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha “certa”.
Mantem-se o sentido, a correção e a coerência substituindo-se o segmento sublinhado por
Adada como certa no caso de decorrer de uma melhor seleção.
Bem que sua plena realização ensejaria a correção da escolha.
Cpara a qual a possibilidade de acerto seria plenamente legítima.
Dpossibilitada pela opção que tivéssemos considerado como correta.
Ecuja possível escolha fosse dada por nós como a mais perfeita.
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GabaritoD — possibilitada pela opção que tivéssemos considerado como correta.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reescrita de Frases: substituição de "que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha 'certa'"
Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que preserva integralmente o sentido, a correção e a coerência do trecho original, pois "possibilitada pela opção que tivéssemos considerado como correta" é uma paráfrase exata de "que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha 'certa'": ambas expressam a ideia de que a felicidade seria possível caso tivéssemos escolhido a opção que, na época, julgávamos correta. A passagem que ancora essa leitura está no 4º parágrafo do texto, quando o autor afirma que os pentimentos são "a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha 'certa'".
O comando pede uma reescrita sem alteração de sentido — ou seja, uma paráfrase que mantenha o conteúdo proposicional, a correção gramatical e a coerência. Isso significa que a alternativa correta não pode acrescentar, suprimir ou inverter nenhuma informação. O trecho sublinhado é uma oração adjetiva restritiva que qualifica "miragem da felicidade": ela define que felicidade é essa — aquela que teria sido possível (condição irreal) se tivéssemos feito a escolha "certa" (condição contrafactual). A banca testa exatamente a capacidade de reconhecer a equivalência semântica entre uma estrutura com futuro do pretérito composto + pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo e uma estrutura com particípio + pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo.
Para resolver, é preciso decompor o sentido do trecho original em três componentes: (1) a felicidade não se realizou (é uma miragem, algo que não aconteceu); (2) ela teria sido possível — ou seja, havia uma potencialidade; (3) essa potencialidade dependia de termos feito a escolha "certa" — uma escolha que, no momento, considerávamos correta. A alternativa D reproduz exatamente esses três componentes: "possibilitada" = teria sido possível; "pela opção" = pela escolha; "que tivéssemos considerado como correta" = que considerávamos certa. As demais alternativas ou extrapolam (acrescentam ideias como "melhor seleção", "correção da escolha", "legitimidade", "perfeição") ou restringem o sentido original.
A pegadinha central desta questão é a troca de vocábulo sutil: alternativas como A, C e E parecem plausíveis porque usam palavras do campo semântico de "escolha" e "correta", mas acrescentam um juízo de valor que o texto não contém. O texto fala de uma escolha que considerávamos correta — não de uma escolha "melhor", "legítima" ou "perfeita". A banca explora exatamente essa confusão entre "considerar correto" (juízo subjetivo do agente) e "ser correto" (juízo objetivo). A alternativa D é a única que mantém o caráter subjetivo da escolha: "que tivéssemos considerado como correta" = que nós, na época, julgávamos correta.
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever, teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza esta ideia, ou ela exige acrescentar algo de fora?". Se a alternativa traz uma palavra como "melhor", "perfeita" ou "legítima", desconfie: o texto fala apenas de "certa" — e "certa" aqui tem sentido de "considerada correta", não de "ótima" ou "ideal".
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. A expressão "dada como certa no caso de decorrer de uma melhor seleção" acrescenta a ideia de "melhor seleção", que não está no texto. O original fala de "a escolha 'certa'" — ou seja, a escolha que considerávamos correta —, não de uma escolha que fosse melhor que outras. Além disso, "no caso de decorrer" introduz uma relação de causa que não existe no original: o texto diz que a felicidade seria possível se tivéssemos feito a escolha certa (condição), não que ela decorreria de uma seleção melhor. A alternativa restringe o sentido ao transformar uma condição em causa e extrapola ao qualificar a escolha como "melhor".
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. "Em que sua plena realização ensejaria a correção da escolha" inverte a relação lógica. No original, a felicidade seria possível se tivéssemos feito a escolha certa — ou seja, a escolha certa é a condição para a felicidade. Na alternativa B, a realização plena da felicidade é que ensejaria (causaria) a correção da escolha — ou seja, a felicidade viraria causa, e a correção da escolha, efeito. Isso contradiz frontalmente o texto, que estabelece a escolha como condição prévia. Além disso, "correção da escolha" é um conceito diferente de "escolha certa": corrigir uma escolha implica que ela estava errada, enquanto o texto fala de uma escolha que considerávamos correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação com opinião embutida. "Para a qual a possibilidade de acerto seria plenamente legítima" introduz a ideia de "legitimidade" — um juízo de valor que não está no texto. O original não diz que a escolha seria "legítima" ou que o acerto seria "plenamente" possível; diz apenas que a felicidade seria possível se tivéssemos feito a escolha "certa". A palavra "plenamente" também restringe o sentido: o texto não quantifica o grau de possibilidade. Além disso, "possibilidade de acerto" é uma paráfrase imprecisa: o texto fala de fazer a escolha certa, não de ter a possibilidade de acertar. A alternativa tangencia o tema ao falar de "acerto" e "legitimidade", mas não reproduz a estrutura condicional do original.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Paráfrase fiel. "Possibilitada pela opção que tivéssemos considerado como correta" reproduz exatamente os três componentes do original: (1) "possibilitada" = "teria sido possível"; (2) "pela opção" = "se tivéssemos feito a escolha"; (3) "que tivéssemos considerado como correta" = "a escolha 'certa'". A estrutura mantém a condição contrafactual (pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo: "tivéssemos considerado") e o caráter subjetivo da escolha: o texto fala de uma escolha que considerávamos correta, não de uma escolha objetivamente correta. A alternativa preserva a coerência com o texto, que discute os pentimentos como "potencialidades que não foram realizadas" — ou seja, a felicidade era possível, mas não se realizou porque não fizemos a escolha que considerávamos certa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação com restrição. "Cuja possível escolha fosse dada por nós como a mais perfeita" acrescenta a ideia de "mais perfeita" — um superlativo que não está no texto. O original fala de "a escolha 'certa'", não de "a mais perfeita". Além disso, "possível escolha" restringe o sentido: o texto fala de uma escolha que fizemos (ou deixamos de fazer), não de uma escolha meramente possível. A expressão "dada por nós como" tenta reproduzir o caráter subjetivo, mas o superlativo "mais perfeita" extrapola ao introduzir um juízo de valor que o autor não emitiu. A alternativa tangencia o tema ao falar de "escolha" e "perfeição", mas não reproduz a estrutura condicional nem o sentido exato do original.
Conclusão: a questão testa a capacidade de parafrasear sem alterar o sentido. A alternativa D é a única que mantém os três componentes essenciais do trecho original: a potencialidade ("teria sido possível"), a condição ("se tivéssemos feito") e o caráter subjetivo da escolha ("que considerávamos correta"). As demais alternativas extrapolam (A, C, E), contradizem (B) ou restringem o sentido original. Ao resolver questões de reescrita, lembre-se: a resposta correta é a que não acrescenta, não suprime e não inverte nenhuma informação — ela apenas reorganiza as palavras mantendo o mesmo conteúdo proposicional.