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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FCC 2026

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fc140528
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ SP
Ano
2026
Cargo
AFRE ( )

Arrependimentos

 

Pentimento é a palavra italiana para arrependimento, mas designa, em muitas línguas, uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro. Às vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão.(c) Outras vezes, os raios X dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.

 

Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos.(d) São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história.

 

A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar;(a) são todos pentimentos encobertos, histórias que não se realizaram.

 

Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar(e) para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.

 

O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha “certa”. Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Os pentimentos podem ser maus conselheiros, até porque muitas vezes nós os inventamos como desculpas para os fracassos do presente. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Por conta da ação das redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer, como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado.(b) Os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.

 

(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, pp. 25–27, passim)

Para responder à questão, baseia-se no texto seguinte.     Indica-se uma adequada alternativa de redação para o segmento sublinhado na frase:
  1. AA vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar = aonde desistimos.
  2. Buma grande potencialidade à qual teríamos renunciado = da qual teríamos aberto mão.
  3. Ca tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão = sobre cuja.
  4. Dfazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos = de que renunciamos.
  5. Ecoisas das quais era necessário abdicar = pelas quais era preciso abster-se.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado = da qual teríamos aberto mão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frases: regência e equivalência semântica

Gabarito: letra B. A única reescrita que preserva integralmente o sentido e a correção gramatical é a que troca "à qual teríamos renunciado" por "da qual teríamos aberto mão", pois ambos os verbos — renunciar e abrir mão — regem a preposição de e expressam a mesma ideia de desistência voluntária. Como se lê no texto: "uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado".

A questão testa dois conhecimentos simultâneos: a regência verbal (qual preposição cada verbo exige) e a equivalência semântica (se a troca mantém o sentido original). O comando pede uma "adequada alternativa de redação" — ou seja, a reescrita deve ser gramaticalmente correta e semanticamente fiel ao trecho sublinhado. Não basta a frase "fazer sentido": ela precisa preservar exatamente a relação que o verbo original estabelece com seu complemento.

O texto-base trata dos pentimentos — escolhas não realizadas que permanecem encobertas na vida. No trecho da alternativa B, o autor fala de uma potencialidade à qual teríamos renunciado, isto é, algo que deixamos de lado voluntariamente. A reescrita correta precisa manter essa noção de renúncia voluntária e, ao mesmo tempo, respeitar a regência do novo verbo.

A técnica decisiva é simples: identifique a regência do verbo original e a do verbo substituto. Se ambas pedirem a mesma preposição, a troca é válida; se pedirem preposições diferentes, a reescrita estará errada, ainda que o sentido pareça próximo. Vejamos cada caso:

Verbo original

Regência

Verbo substituto

Regência

Equivalente?

renunciar

a (algo)

abrir mão

de (algo)

❌ Não

renunciar

a (algo)

abrir mão

de (algo)

✅ Sim (B)

pintar

sobre (algo)

pintar

sobre (algo)

✅ Sim (C)

desistir

de (algo)

renunciar

a (algo)

❌ Não

abdicar

de (algo)

abster-se

de (algo)

✅ Sim (E)

A pegadinha central está na alternativa A: "desistimos" rege a preposição de, mas a reescrita usa "aonde", que exige verbo de movimento. A banca troca a preposição e o candidato, seduzido pela proximidade semântica entre "desistir" e "renunciar", marca a errada.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar = aonde desistimos."

O erro é duplo. Primeiro, semântico: "deixar de trilhar" significa não percorrer um caminho, enquanto "desistir" implica renunciar a algo que se começou ou se pretendia — sentidos próximos, mas não idênticos. Segundo, e mais grave, gramatical: "aonde" exige verbo de movimento (ir, chegar, voltar), mas "desistir" rege a preposição de (desistir de algo). A forma correta seria "de que desistimos". A alternativa extrapola a equivalência semântica e viola a regência.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado = da qual teríamos aberto mão."

Aqui a equivalência é perfeita. O verbo renunciar rege a preposição a (renunciar a algo), e o verbo abrir mão rege a preposição de (abrir mão de algo). A reescrita troca corretamente a preposição, mantendo o sentido de desistência voluntária. O pronome relativo "qual" é corretamente antecedido pela preposição exigida pelo novo verbo: "da qual". A frase fica gramaticalmente correta e semanticamente fiel ao original.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão = sobre cuja."

A reescrita "sobre cuja" é incompleta e gramaticalmente incorreta. O pronome relativo "cujo" exige que o termo possuído venha logo após ele, sem preposição: "sobre cuja composição o artista pintou". A forma "sobre cuja" sozinha, sem o substantivo, quebra a estrutura. Além disso, "em cima da qual" e "sobre a qual" são equivalentes, mas a reescrita suprime o substantivo "composição", tornando a frase agramatical. A alternativa restringe o alcance do pronome e viola a sintaxe do relativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos = de que renunciamos."

O erro está na regência. O verbo desistir rege a preposição de (desistir de algo), mas o verbo renunciar rege a preposição a (renunciar a algo). A reescrita mantém a preposição "de", que é correta para "desistir", mas incorreta para "renunciar". A forma adequada seria "a que renunciamos". A alternativa troca o verbo sem ajustar a preposição, gerando erro de regência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"coisas das quais era necessário abdicar = pelas quais era preciso abster-se."

Aqui há dois problemas. Primeiro, semântico: abdicar significa renunciar a algo, enquanto abster-se significa privar-se de algo, geralmente por escolha ou abstenção — sentidos próximos, mas não idênticos. Segundo, gramatical: abdicar rege a preposição de (abdicar de algo), e abster-se também rege de (abster-se de algo). A reescrita usa "pelas quais", com a preposição por, que não é exigida por nenhum dos dois verbos. A forma correta seria "das quais era preciso abster-se". A alternativa troca a preposição e altera sutilmente o sentido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre verbos de sentido próximo, mas de regência diferente. "Renunciar a", "desistir de", "abdicar de" e "abster-se de" parecem intercambiáveis, mas cada um exige sua preposição. A alternativa B é a única que ajusta corretamente a preposição ao novo verbo.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, teste a regência do verbo substituto: "abrir mão de algo" — se a preposição da reescrita não for a mesma, a alternativa está errada, mesmo que o sentido pareça equivalente.

Gabarito: letra B. A reescrita correta é a que preserva o sentido e ajusta a regência: "da qual teríamos aberto mão".

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