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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — FCC 2026

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
fc140538
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ SP
Ano
2026
Cargo
AFRE ( )

Escrever é verbo que briga com o sujeito

 

No ofício da literatura, linguagem é mais do que meio: é princípio e fim. A literatura cria, à medida que é escrita, as regras pelas quais exigirá ser lida. É por isso que o terreno nunca vai estar inteiramente mapeado; o risco é parte inseparável do jogo. Se há algo de “universal” aí, é negativo: uma permanente insatisfação parece ser comum a gente de variadas épocas e escolas. O raciocínio não se aplica a quem lida com a linguagem como mero instrumento. “Profissionais do texto” que miram um objeto existente fora do mundo da linguagem podem se sentir plenos ao informar, relatar, dissertar, argumentar, resumir, requerer, inventariar etc. Não por acaso, são essas as funções da escrita em que a IA já se tornou competente.

 

Na escrita criativa não se tem a mesma sorte. A insatisfação eterna sugere um ajuste precário entre sujeito e verbo, “escritor” e “escrever”. É provável que exista um núcleo disfuncional em tudo isso, aquilo que bota o motor para rodar. Qualquer que seja o fenômeno psíquico que leva alguém à escrita, será informação de interesse para quem escreve, mas irrelevante para quem lê. O propósito terapêutico que possa ser extraído do conhecimento da ferida anímica que provoca o texto não importa no mundo do texto.

 

O propósito estético da escrita literária não é apenas desvinculado de seu eventual propósito clínico; é, em certo sentido, o contrário dele. Olha para o lado oposto: para fora do sujeito, para o mundo das palavras. Então os escritores são todos uns neuróticos? O romancista americano E. L. Doctorow tem uma frase famosa que sugere distúrbio mais grave: “Escrever é uma forma socialmente aceita de esquizofrenia”. Nesse ponto cabe ter cautela. Como metáfora, a coisa tem sua utilidade — quem escreve pode mesmo “ouvir” vozes dentro da cabeça. Contudo, deve-se evitar a tentação de associar arte e loucura para dar ares malditos, heroicos, messiânicos ou mágicos ao que é apenas deformação profissional, boca torta do cachimbo. Embora possa parecer, nada disso tem a ver com uma visão romântica da literatura. Escrever é só um ofício entre tantos, mas em certos aspectos não se assemelha a nenhum outro — o que é natural.

 

(RODRIGUES, Sérgio. Folha de S. Paulo. 20 ago. 2025)

Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.

   

Justifica-se plenamente o emprego do plural em todas as formas verbais em:

  1. AAdicionem-se aos gênios proclamados o mérito de quem os compreenderam.
  2. BAplaudam-se nas altas obras da literatura os esforços bem-sucedidos.
  3. CAos criadores literários cabem respeitar a importância decisiva das palavras.
  4. DReconheçam-se nos profissionais da literatura a alta responsabilidade.
  5. ESão de se louvar o apuro dos meios que se emprega.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Aplaudam-se nas altas obras da literatura os esforços bem-sucedidos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: o plural justificado pelo sujeito

Gabarito: letra B. A frase "Aplaudam-se nas altas obras da literatura os esforços bem-sucedidos" é a única em que o plural do verbo é plenamente justificado, pois o sujeito paciente "os esforços bem-sucedidos" tem núcleo plural "esforços", e o verbo, com o pronome apassivador "se", concorda com esse sujeito. Nas demais, ou o verbo deveria ficar no singular (A, D, E) ou a concordância é feita com um termo que não é o sujeito (C). A regra que decide: com a partícula "se" apassivadora, o verbo concorda com o sujeito paciente; se o sujeito é plural, o verbo vai para o plural.

O comando e a técnica

A questão pede que se identifique a frase em que o plural do verbo é plenamente justificado. Isso significa que, em cada alternativa, é preciso localizar o sujeito e verificar se ele exige o plural. A técnica central é: achar o núcleo do sujeito e conferir se ele está no plural. Se o verbo está no plural, mas o sujeito é singular, a concordância está errada — e a alternativa deve ser descartada.

A regra que decide: o "se" apassivador

Nas alternativas A, B e D, o "se" é pronome apassivador (partícula apassivadora). Nesses casos, o verbo concorda com o sujeito paciente, que vem depois do verbo. A fórmula é: verbo + se + sujeito paciente. O verbo concorda em número e pessoa com esse sujeito.

  • B) Aplaudam-se nas altas obras da literatura os esforços bem-sucedidos.

    • Sujeito paciente: "os esforços bem-sucedidos" (núcleo: "esforços", plural).

    • Verbo: "aplaudam" (3ª pessoa do plural) — concorda com "esforços".

    • Plural plenamente justificado.

Análise das alternativas

Alternativa

Verbo em análise

Sujeito (núcleo)

Plural justificado?

Regra aplicada

A

"Adicionem-se"

"o mérito" (singular)

❌ Não

Com "se" apassivador, verbo concorda com o sujeito paciente (singular)

B

"Aplaudam-se"

"os esforços" (plural)

✅ Sim

Com "se" apassivador, verbo concorda com o sujeito paciente (plural)

C

"cabem"

Oração reduzida de infinitivo ("respeitar...")

❌ Não

Sujeito oracional exige verbo na 3ª pessoa do singular

D

"Reconheçam-se"

"a alta responsabilidade" (singular)

❌ Não

Com "se" apassivador, verbo concorda com o sujeito paciente (singular)

E

"São"

"o apuro" (singular)

❌ Não

Verbo concorda com o núcleo do sujeito (singular)

Concordância com "se" apassivador
  • 1Verbo concorda com o sujeito paciente
    • Sujeito plural → verbo plural
    • Sujeito singular → verbo singular
  • 2Exemplos
    • "Aplaudam-se os esforços" (plural)
    • "Adicione-se o mérito" (singular)
    • "Reconheça-se a responsabilidade" (singular)
  • 3Sujeito oracional
    • Verbo fica na 3ª pessoa do singular
      • "Cabe respeitar"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Adicionem-se aos gênios proclamados o mérito de quem os compreenderam.

Aqui, o "se" é apassivador, e o sujeito paciente é "o mérito de quem os compreenderam" (núcleo: "mérito", singular). O verbo "adicionem" está no plural, mas deveria concordar com o núcleo singular "mérito". Portanto, o plural é injustificado — o correto seria "Adicione-se". Além disso, há um segundo problema: "compreenderam" concorda com "quem", mas o antecedente é "os gênios" (plural), então o verbo deveria ser "compreenderam" mesmo, mas a concordância com "mérito" é que falha. Erro: contradiz a regra de concordância com o sujeito paciente.

Alternativa B — ✅ Correta

Aplaudam-se nas altas obras da literatura os esforços bem-sucedidos.

Como visto, o sujeito paciente é "os esforços bem-sucedidos" (plural), e o verbo "aplaudam" concorda corretamente. O plural é plenamente justificado. ✅

Alternativa C — ❌ Incorreta

Aos criadores literários cabem respeitar a importância decisiva das palavras.

Aqui, o verbo "cabem" concorda com "a importância decisiva das palavras"? Não. O sujeito é a oração reduzida de infinitivo "respeitar a importância decisiva das palavras". Quando o sujeito é oracional, o verbo fica na 3ª pessoa do singular: "cabe". Portanto, o plural "cabem" é injustificado. Erro: sujeito oracional exige verbo no singular.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Reconheçam-se nos profissionais da literatura a alta responsabilidade.

O "se" é apassivador, e o sujeito paciente é "a alta responsabilidade" (núcleo: "responsabilidade", singular). O verbo "reconheçam" está no plural, mas deveria concordar com o núcleo singular: "Reconheça-se". Portanto, o plural é injustificado. Erro: contradiz a regra de concordância com o sujeito paciente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

São de se louvar o apuro dos meios que se emprega.

Aqui, o sujeito é "o apuro dos meios que se emprega" (núcleo: "apuro", singular). O verbo "São" está no plural, mas deveria concordar com o núcleo singular: "É de se louvar". Além disso, "emprega" concorda com "meios"? Não, "meios" é plural, então o correto seria "empregam". Portanto, o plural "São" é injustificado. Erro: contradiz a regra de concordância com o sujeito.

Conclusão

A única frase em que o plural do verbo é plenamente justificado é a letra B, pois o sujeito paciente "os esforços bem-sucedidos" é plural e o verbo "aplaudam" concorda corretamente. Nas demais, ou o sujeito é singular (A, D, E) ou é oracional (C), exigindo verbo no singular.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar o "se" apassivador, inverta a frase para achar o sujeito: "Aplaudam-se os esforços" → "Os esforços são aplaudidos". O verbo concorda com o termo que sofre a ação.

Gabarito: letra B

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