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Questão de Português — Denotação e Conotação — FCC 2026

PortuguêsDenotação e Conotação
Código
fc140539
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ SP
Ano
2026
Cargo
AFRE ( )

Escrever é verbo que briga com o sujeito

 

No ofício da literatura, linguagem é mais do que meio: é princípio e fim. A literatura cria, à medida que é escrita, as regras pelas quais exigirá ser lida. É por isso que o terreno nunca vai estar inteiramente mapeado; o risco é parte inseparável do jogo. Se há algo de “universal” aí, é negativo: uma permanente insatisfação parece ser comum a gente de variadas épocas e escolas. O raciocínio não se aplica a quem lida com a linguagem como mero instrumento. “Profissionais do texto” que miram um objeto existente fora do mundo da linguagem podem se sentir plenos ao informar, relatar, dissertar, argumentar, resumir, requerer, inventariar etc. Não por acaso, são essas as funções da escrita em que a IA já se tornou competente.

 

Na escrita criativa não se tem a mesma sorte. A insatisfação eterna sugere um ajuste precário entre sujeito e verbo, “escritor” e “escrever”. É provável que exista um núcleo disfuncional em tudo isso, aquilo que bota o motor para rodar. Qualquer que seja o fenômeno psíquico que leva alguém à escrita, será informação de interesse para quem escreve, mas irrelevante para quem lê. O propósito terapêutico que possa ser extraído do conhecimento da ferida anímica que provoca o texto não importa no mundo do texto.

 

O propósito estético da escrita literária não é apenas desvinculado de seu eventual propósito clínico; é, em certo sentido, o contrário dele. Olha para o lado oposto: para fora do sujeito, para o mundo das palavras. Então os escritores são todos uns neuróticos? O romancista americano E. L. Doctorow tem uma frase famosa que sugere distúrbio mais grave: “Escrever é uma forma socialmente aceita de esquizofrenia”. Nesse ponto cabe ter cautela. Como metáfora, a coisa tem sua utilidade — quem escreve pode mesmo “ouvir” vozes dentro da cabeça. Contudo, deve-se evitar a tentação de associar arte e loucura para dar ares malditos, heroicos, messiânicos ou mágicos ao que é apenas deformação profissional, boca torta do cachimbo. Embora possa parecer, nada disso tem a ver com uma visão romântica da literatura. Escrever é só um ofício entre tantos, mas em certos aspectos não se assemelha a nenhum outro — o que é natural.

 

(RODRIGUES, Sérgio. Folha de S. Paulo. 20 ago. 2025)

Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.

 

A expressão em linguagem figurada aquilo que bota o motor pra rodar no contexto do 2º parágrafo, encontra equivalência de sentido numa linguagem denotativa em

  1. Ao fator que aciona a atividade escritural.
  2. Bo que estabiliza a usina da linguagem.
  3. Co elemento que move esse moinho.
  4. Da causa da vertigem criativa.
  5. Eas asas ativas da criação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — o fator que aciona a atividade escritural.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Denotação e conotação: traduzindo a metáfora do motor

Gabarito: letra A. A expressão figurada "aquilo que bota o motor pra rodar" designa, em linguagem denotativa, o fator que aciona a atividade escritural. A metáfora do "motor" remete ao que põe em funcionamento a escrita; no texto, isso é explicitado como o "núcleo disfuncional" que "bota o motor para rodar", ou seja, o impulso que dá partida ao ato de escrever. A alternativa A é a única que traduz essa ideia sem recorrer a novas imagens, mantendo o sentido literal de "acionar" e "atividade escritural".

O comando da questão

O enunciado pede uma tradução denotativa de uma expressão conotativa. Isso significa que você deve encontrar, entre as opções, aquela que expressa o MESMO sentido da metáfora, mas usando palavras em seu sentido literal, de dicionário. A expressão "bota o motor pra rodar" é uma imagem (conotação); a resposta correta deve ser uma paráfrase objetiva, sem figuras de linguagem.

A âncora no texto

No 2º parágrafo, o autor escreve:

"É provável que exista um núcleo disfuncional em tudo isso, aquilo que bota o motor para rodar."

A expressão "aquilo que bota o motor para rodar" é um aposto explicativo de "núcleo disfuncional". O autor está dizendo que existe algo (um núcleo) que impulsiona, dá partida, aciona a escrita. A metáfora do motor sugere que esse núcleo é o gatilho, o disparador da atividade de escrever. Portanto, a equivalência denotativa é "o fator que aciona a atividade escritural".

A técnica: denotação × conotação

Denotação é o sentido literal, dicionarizado, independente do contexto. Conotação é o sentido figurado, que depende do contexto. Aqui, "motor" e "rodar" são usados conotativamente: não há um motor real, mas algo que faz funcionar a escrita. A alternativa correta deve eliminar a imagem e dizer, de forma direta, o que essa imagem representa.

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"É provável que exista um núcleo disfuncional em tudo isso, aquilo que bota o motor para rodar."

A alternativa A parafraseia com precisão: "o fator que aciona a atividade escritural". "Fator" = aquilo que; "aciona" = bota para rodar; "atividade escritural" = escrever. Não há nenhuma imagem nova; é a tradução literal do sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"O que estabiliza a usina da linguagem" — troca o sentido: o texto fala em acionar, não em estabilizar. Além disso, "usina" é outra metáfora, não uma tradução denotativa. A banca trocou o verbo decisivo (acionar → estabilizar) e manteve a figura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"O elemento que move esse moinho" — mantém a conotação: "moinho" é uma imagem nova, não uma palavra denotativa. O texto não fala em moinho; a alternativa tangencia o sentido ao trocar a metáfora do motor por outra, sem traduzir.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A causa da vertigem criativa" — extrapola: o texto não menciona "vertigem" nem "criativa" como consequência. O núcleo disfuncional é o que aciona a escrita, não o que causa uma vertigem. A alternativa acrescenta uma ideia que não está no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"As asas ativas da criação" — mantém a conotação e extrapola: "asas" é outra metáfora, e "criação" não é o termo usado no texto (o texto fala em "escrita"). A alternativa foge ao sentido literal e introduz imagem nova.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de desfazer a metáfora e encontrar a paráfrase denotativa. A única alternativa que faz isso sem acrescentar ou trocar ideias é a letra A. Lembre-se: denotação = sentido de dicionário; conotação = sentido figurado. Ao traduzir, elimine as imagens e diga o que elas significam.

Gabarito: letra A

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