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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — FCC 2026

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
fc140540
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ SP
Ano
2026
Cargo
AFRE ( )

Escrever é verbo que briga com o sujeito

 

No ofício da literatura, linguagem é mais do que meio: é princípio e fim. A literatura cria, à medida que é escrita, as regras pelas quais exigirá ser lida. É por isso que o terreno nunca vai estar inteiramente mapeado; o risco é parte inseparável do jogo. Se há algo de “universal” aí, é negativo: uma permanente insatisfação parece ser comum a gente de variadas épocas e escolas. O raciocínio não se aplica a quem lida com a linguagem como mero instrumento. “Profissionais do texto” que miram um objeto existente fora do mundo da linguagem podem se sentir plenos ao informar, relatar, dissertar, argumentar, resumir, requerer, inventariar etc. Não por acaso, são essas as funções da escrita em que a IA já se tornou competente.

 

Na escrita criativa não se tem a mesma sorte. A insatisfação eterna sugere um ajuste precário entre sujeito e verbo, “escritor” e “escrever”. É provável que exista um núcleo disfuncional em tudo isso, aquilo que bota o motor para rodar. Qualquer que seja o fenômeno psíquico que leva alguém à escrita, será informação de interesse para quem escreve, mas irrelevante para quem lê. O propósito terapêutico que possa ser extraído do conhecimento da ferida anímica que provoca o texto não importa no mundo do texto.

 

O propósito estético da escrita literária não é apenas desvinculado de seu eventual propósito clínico; é, em certo sentido, o contrário dele. Olha para o lado oposto: para fora do sujeito, para o mundo das palavras. Então os escritores são todos uns neuróticos? O romancista americano E. L. Doctorow tem uma frase famosa que sugere distúrbio mais grave: “Escrever é uma forma socialmente aceita de esquizofrenia”. Nesse ponto cabe ter cautela. Como metáfora, a coisa tem sua utilidade — quem escreve pode mesmo “ouvir” vozes dentro da cabeça. Contudo, deve-se evitar a tentação de associar arte e loucura para dar ares malditos, heroicos, messiânicos ou mágicos ao que é apenas deformação profissional, boca torta do cachimbo. Embora possa parecer, nada disso tem a ver com uma visão romântica da literatura. Escrever é só um ofício entre tantos, mas em certos aspectos não se assemelha a nenhum outro — o que é natural.

 

(RODRIGUES, Sérgio. Folha de S. Paulo. 20 ago. 2025)

Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.     Em nova redação, a frase do texto que mantém adequada correlação entre os tempos e modos verbais é:
  1. AÉ provável que tivesse existido um núcleo disfuncional em tudo aquilo, algo que botará o motor para rodar.
  2. BQualquer que fosse o fenômeno psíquico que virá a levar alguém à escrita, é informação de interesse.
  3. CA literatura criaria, à medida que tenha sido escrita, as regras pelas quais exigira ser lida.
  4. DO raciocínio não haverá de ser aplicado a quem venha a lidar com a linguagem como mero instrumento.
  5. E“Profissionais do texto” que mirariam um objeto fora do mundo da linguagem poderão se sentir plenos.
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GabaritoD — O raciocínio não haverá de ser aplicado a quem venha a lidar com a linguagem como mero instrumento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Correlação verbal: a harmonia entre tempos e modos

Gabarito: letra D. A frase "O raciocínio não haverá de ser aplicado a quem venha a lidar com a linguagem como mero instrumento" é a única que mantém adequada correlação entre os tempos e modos verbais: o futuro do presente do indicativo (haverá de ser aplicado) combina-se com o presente do subjuntivo (venha a lidar), ambos expressando possibilidade/futuro em relação ao momento da fala. As demais alternativas misturam tempos que quebram a harmonia semântica, como se vê no texto original: "O raciocínio não se aplica a quem lida com a linguagem como mero instrumento".

O comando pede que você reescreva trechos do texto mantendo a correlação verbal — ou seja, a relação lógica entre os verbos de um período composto. Não se trata de interpretar o sentido, mas de avaliar se a combinação de tempos e modos é coerente. A banca explora exatamente o que o apoio teórico ensina: "É preciso que determinados tempos e modos verbais se complementem na frase para que ela tenha um sentido harmônico".

No texto-base, o autor afirma que o raciocínio sobre a insatisfação do escritor não se aplica a quem usa a linguagem como instrumento. A reescritura deve preservar essa ideia de negação + possibilidade. Na letra D, o futuro do presente "haverá de ser aplicado" indica uma ação futura ou uma possibilidade, e o presente do subjuntivo "venha a lidar" expressa uma hipótese sobre o sujeito. Essa combinação é clássica: futuro do presente + presente do subjuntivo (ex.: "será necessário que ele estude").

A técnica para resolver: identifique o modo de cada verbo (indicativo = certeza; subjuntivo = dúvida/hipótese) e o tempo (presente, pretérito, futuro). Depois, verifique se a combinação faz sentido: não se mistura, por exemplo, pretérito imperfeito do subjuntivo com futuro do presente, pois um indica hipótese passada e o outro, ação futura. A banca adora colocar uma "dobradinha" errada — como "tivesse existido" + "botará" — para testar se você percebe a quebra.

Correlação verbal
  • 1Combinações clássicas
    • Futuro do presente + presente do subjuntivo
      • "haverá de ser aplicado" + "venha a lidar" (gabarito)
    • Presente + presente + futuro
    • Pretérito imperfeito + pretérito imperfeito
  • 2Combinações quebradas
    • Pretérito imperfeito do subj. + futuro do presente
      • "tivesse existido" + "botará"
      • "fosse" + "virá a levar"
    • Futuro do pretérito + presente do subj. composto
      • "criaria" + "tenha sido escrita"
    • Futuro do pretérito + futuro do presente
      • "mirariam" + "poderão"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A frase "É provável que tivesse existido um núcleo disfuncional em tudo aquilo, algo que botará o motor para rodar" mistura o pretérito imperfeito do subjuntivo (tivesse existido) com o futuro do presente do indicativo (botará). O pretérito imperfeito do subjuntivo indica hipótese passada ou irreal; o futuro do presente indica ação futura certa. Não há harmonia: a hipótese passada não pode ser seguida de um futuro. O correto seria "É provável que tenha existido... algo que botará" ou "que botasse". Erro: contradiz a correlação verbal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Qualquer que fosse o fenômeno psíquico que virá a levar alguém à escrita, é informação de interesse" combina o pretérito imperfeito do subjuntivo (fosse) com o futuro do presente do indicativo (virá a levar). O "fosse" indica hipótese passada ou irreal; o "virá" indica futuro. A mistura quebra a harmonia. O correto seria "Qualquer que seja o fenômeno... que venha a levar" (presente do subjuntivo + presente do subjuntivo) ou "Qualquer que fosse... que viesse a levar" (pretérito imperfeito + pretérito imperfeito). Erro: contradiz a correlação verbal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"A literatura criaria, à medida que tenha sido escrita, as regras pelas quais exigira ser lida" mistura o futuro do pretérito do indicativo (criaria) com o presente do subjuntivo composto (tenha sido escrita) e o futuro do pretérito (exigira). O futuro do pretérito indica uma ação condicionada no passado; o presente do subjuntivo composto indica uma ação concluída no presente. Não há harmonia. O correto seria "criaria... fosse escrita... exigiria" (tudo no futuro do pretérito) ou "cria... é escrita... exigirá" (presente + presente + futuro). Erro: contradiz a correlação verbal.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O raciocínio não haverá de ser aplicado a quem venha a lidar com a linguagem como mero instrumento" combina o futuro do presente do indicativo (haverá de ser aplicado) com o presente do subjuntivo (venha a lidar). Essa é uma correlação clássica: o futuro do presente expressa uma ação que ocorrerá, e o presente do subjuntivo expressa uma hipótese sobre o sujeito. A combinação é harmônica e mantém o sentido original do texto, que nega a aplicação do raciocínio a quem usa a linguagem como instrumento. Correta: mantém a correlação adequada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"'Profissionais do texto' que mirariam um objeto fora do mundo da linguagem poderão se sentir plenos" mistura o futuro do pretérito do indicativo (mirariam) com o futuro do presente do indicativo (poderão). O futuro do pretérito indica uma ação condicionada no passado; o futuro do presente indica uma ação futura. A mistura quebra a harmonia. O correto seria "que mirassem... poderiam" (pretérito imperfeito do subjuntivo + futuro do pretérito) ou "que miram... poderão" (presente + futuro). Erro: contradiz a correlação verbal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a correlação verbal oferecendo combinações de tempos e modos que não se harmonizam. A correta é a única que mantém a "dobradinha" clássica: futuro do presente + presente do subjuntivo.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, identifique o modo de cada verbo (indicativo = certeza; subjuntivo = hipótese) e o tempo. Pergunte: "essa combinação faz sentido?" Se misturar pretérito com futuro, está errada.

Gabarito: letra D.

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