Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — FCC 2026
Português›Significação de Vocábulo e Expressões
Código
fc140542
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ SP
Ano
2026
Cargo
AFRE ( )
Ter atenção, poder analisar
No latim, a palavra auditor indica “o que ouve”, sobretudo aquele que ouve com atenção, derivada do verbo audio, que é estar com os ouvidos atentos. Numa acepção mais técnica, auditor indicava o responsável por ouvir e analisar os atos de um administrador, quando este expunha oralmente as atividades por que fosse responsável. Depois, o termo se estendeu para quem julga a documentação escrita de atividades financeiras, escolhas administrativas, relatórios, prestação de contas etc.
Também se chama audição o momento em que alguém, desejando atuar numa peça teatral, num filme, num evento artístico, numa gravação, submete-se à comprovação de um talento específico desejável. Também aqui o auditor (produtor, diretor, responsável pelo futuro espetáculo) é aquele que olhará e ouvirá com atenção o desempenho do ou da postulante. Permanece a tarefa final de um veredito, com a responsabilidade implícita de uma avaliação criteriosa.(a)
O verbo audio, no dicionário latino, está muito perto do verbo audeo, que significa ousar, ter a audácia de aventurar-se. A proximidade das palavras é caprichosa,(e) mas também pode ser insinuante e provocadora.(b) Neste caso de audio / audeo parece estar de algum modo presente uma advertência singela: a quem se empenha em julgar o que ouve ou vê, cabe ouvir e ver muito bem, de modo aplicado.
Ainda para ficarmos no latim,(c) podemos lembrar a conhecida expressão "sapere aude", que significa “ouse saber”, isto é, “ouse pensar por si mesmo” (Kant). Que aproveitemos, pois, a lição de ousadia(d) do saber conhecer e do saber ouvir para bem analisar pessoas e fatos. As palavras podem ser sugestivas e inspiradoras em seus mais casuais entrelaçamentos.
(Alcebíades Villares, a editar)
Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte. Está correta a seguinte observação acerca do emprego de um elemento do texto:
AEm com a responsabilidade implícita de uma avaliação criteriosa, considera-se tácita a responsabilidade de se avaliar algo com critério.
BAo se atribuir à ordenação das palavras num dicionário qualidades como insinuante e provocadora, esses adjetivos estão empregados com valor denotativo, ou literal.
CA expressão Ainda para ficarmos no latim deve ser entendida como ao retificarmos esse uso do latim.
DTranspondo para a voz passiva o verbo da frase Que aproveitemos, pois, a lição de ousadia, a forma resultante será tenhamos aproveitado.
ENa expressão A proximidade das palavras é caprichosa, o termo sublinhado está no sentido de desleixada.
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GabaritoA — Em com a responsabilidade implícita de uma avaliação criteriosa, considera-se tácita a responsabilidade de se avaliar algo com critério.
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Significação de vocábulo e expressões: o sentido de "implícita" no texto
Gabarito: letra A. A alternativa correta afirma que, em "com a responsabilidade implícita de uma avaliação criteriosa", a responsabilidade de avaliar com critério é considerada tácita, ou seja, não está escrita, mas está subentendida. Essa é uma paráfrase fiel do sentido de "implícita" no contexto, como se lê no 2º parágrafo do texto.
O comando da questão
O enunciado pede que se identifique a observação correta sobre o emprego de um elemento do texto. Isso significa que cada alternativa faz uma afirmação sobre o sentido de uma palavra ou expressão, e devemos verificar se essa afirmação é verdadeira frente ao texto. Não se trata de interpretar o texto como um todo, mas de analisar o sentido de elementos específicos, como "implícita", "insinuante", "caprichosa" e a expressão "Ainda para ficarmos no latim".
O texto e a técnica de resolução
O texto discute a origem e o sentido das palavras "auditor" e "audição", relacionando-as à atenção e à análise criteriosa. No 2º parágrafo, ao falar da audição artística, o autor afirma que o auditor é aquele que "olhará e ouvirá com atenção o desempenho do ou da postulante" e que "Permanece a tarefa final de um veredito, com a responsabilidade implícita de uma avaliação criteriosa".
A técnica para resolver esta questão é testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta afirmação? Para a alternativa A, a palavra "implícita" significa exatamente o que não está dito, mas está subentendido — e "tácita" é sinônimo perfeito nesse contexto. As demais alternativas ou trocam o sentido de uma palavra, ou atribuem um valor que o texto não sustenta.
A pegadinha central: troca de sentido
A banca explora a confusão entre o sentido denotativo (literal) e o conotativo (figurado) de palavras, além de propor sinônimos incorretos. A alternativa B, por exemplo, afirma que "insinuante" e "provocadora" estão em sentido denotativo, mas no texto elas são usadas em sentido conotativo, pois descrevem qualidades humanas atribuídas a palavras. A alternativa E troca "caprichosa" por "desleixada", que é um antônimo no contexto. A alternativa C propõe um sentido para "Ainda para ficarmos no latim" que não é o de retificação, mas de permanência no assunto. A alternativa D faz uma transposição de voz verbal incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca arma com a troca de sentido de palavras e expressões. A alternativa E é a mais sedutora, pois "caprichosa" pode significar "desleixada" em alguns contextos, mas no texto ela tem sentido oposto. A alternativa B também é traiçoeira, pois "insinuante" e "provocadora" parecem literais, mas são figuradas.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que "implícita" equivale a "tácita", ou seja, algo que não está expresso, mas está subentendido. No texto, a frase é:
"Permanece a tarefa final de um veredito, com a responsabilidade implícita de uma avaliação criteriosa."
A palavra "implícita" indica que a responsabilidade de avaliar com critério não está dita explicitamente, mas está contida na própria tarefa de dar um veredito. "Tácita" é exatamente isso: o que não é declarado, mas é subentendido. A alternativa é uma paráfrase fiel, sem acrescentar ou retirar informação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "insinuante" e "provocadora" estão em sentido denotativo (literal). No texto, porém, essas palavras são usadas em sentido conotativo (figurado), pois atribuem qualidades humanas a palavras:
"A proximidade das palavras é caprichosa, mas também pode ser insinuante e provocadora."
Palavras não podem, literalmente, insinuar ou provocar; isso é uma figura de linguagem (prosopopeia). O erro é trocar o sentido de denotativo para conotativo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "Ainda para ficarmos no latim" significa "ao retificarmos esse uso do latim". No texto, a expressão tem sentido de permanência no assunto, não de retificação:
"Ainda para ficarmos no latim, podemos lembrar a conhecida expressão 'sapere aude'."
O autor quer dizer "para continuarmos no latim", não "para corrigirmos o latim". O erro é trocar o sentido da expressão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa propõe a transposição para a voz passiva de "Que aproveitemos, pois, a lição de ousadia". A forma resultante seria "tenhamos aproveitado", o que está incorreto. A voz passiva de "aproveitemos a lição" seria "a lição seja aproveitada por nós", mantendo o tempo e o modo verbais. A alternativa contradiz a regra de transposição de voz verbal, pois muda o tempo verbal (de presente do subjuntivo para pretérito perfeito composto do subjuntivo).
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "caprichosa" está no sentido de "desleixada". No texto, porém, "caprichosa" tem sentido de cuidadosa, feita com esmero, e não de desleixada:
"A proximidade das palavras é caprichosa, mas também pode ser insinuante e provocadora."
O autor usa "caprichosa" para indicar que a proximidade é feita com cuidado, com intenção. "Desleixada" é um antônimo no contexto. O erro é trocar o sentido por um oposto.
Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a A, pois "implícita" e "tácita" são sinônimos perfeitos no contexto. As demais ou trocam o sentido de uma palavra, ou propõem uma transposição incorreta. A regra de ouro: ao analisar o sentido de uma palavra, verifique se a paráfrase proposta preserva o sentido do texto, sem acrescentar, retirar ou inverter informação.