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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — FCC 2026

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
fc140546
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ SP
Ano
2026
Cargo
AFRE ( )

Ter atenção, poder analisar

 

No latim, a palavra auditor indica “o que ouve”, sobretudo aquele que ouve com atenção, derivada do verbo audio, que é estar com os ouvidos atentos. Numa acepção mais técnica, auditor indicava o responsável por ouvir e analisar os atos de um administrador, quando este expunha oralmente as atividades por que fosse responsável. Depois, o termo se estendeu para quem julga a documentação escrita de atividades financeiras, escolhas administrativas, relatórios, prestação de contas etc.

 

Também se chama audição o momento em que alguém, desejando atuar numa peça teatral, num filme, num evento artístico, numa gravação, submete-se à comprovação de um talento específico desejável. Também aqui o auditor (produtor, diretor, responsável pelo futuro espetáculo) é aquele que olhará e ouvirá com atenção o desempenho do ou da postulante. Permanece a tarefa final de um veredito, com a responsabilidade implícita de uma avaliação criteriosa.

 

O verbo audio, no dicionário latino, está muito perto do verbo audeo, que significa ousar, ter a audácia de aventurar-se. A proximidade das palavras é caprichosa, mas também pode ser insinuante e provocadora. Neste caso de audio / audeo parece estar de algum modo presente uma advertência singela: a quem se empenha em julgar o que ouve ou vê, cabe ouvir e ver muito bem, de modo aplicado.

 

Ainda para ficarmos no latim, podemos lembrar a conhecida expressão "sapere aude", que significa “ouse saber”, isto é, “ouse pensar por si mesmo” (Kant). Que aproveitemos, pois, a lição de ousadia do saber conhecer e do saber ouvir para bem analisar pessoas e fatos. As palavras podem ser sugestivas e inspiradoras em seus mais casuais entrelaçamentos.

 

(Alcebíades Villares, a editar)

Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.     Observam-se plenamente as normas de pontuação no seguinte período:
  1. AUma vez articuladas, as palavras produzem uma frase: que, por sua vez, associada a outras, produzirá um discurso – e assim prospera a lógica da sintaxe.
  2. BAtente-se para as razões expostas por um grande filósofo: ainda quando controversas, provocam nosso senso crítico e testam os valores éticos, quando de fato presentes.
  3. CNão obstante possam, as palavras, apresentar semelhanças fônicas – isso não deve induzir ninguém, a estabelecer homologias semânticas.
  4. DÉ próprio dos grandes filósofos, como Kant – que alonguem o sentido das expressões comuns, que, assim, ganham uma nova aura de significação.
  5. EO sentido das palavras é sim, esclarecido plenamente nos dicionários; mas, é preciso sempre atentar, para o sentido do contexto em que se aplicam onde este de fato se particulariza.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Atente-se para as razões expostas por um grande filósofo: ainda quando controversas, provocam nosso senso crítico e testam os valores éticos, quando de fato presentes.

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Pontuação: a vírgula como marcador de função sintática

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única em que todas as vírgulas cumprem função sintática legítima: isolam uma oração subordinada adverbial temporal deslocada ("ainda quando controversas") e separam um adjunto adverbial deslocado ("quando de fato presentes"), sem jamais separar sujeito de verbo, verbo de complemento ou nome de seu adjunto. As demais alternativas violam a regra de ouro da vírgula — ela não pode separar termos que mantêm relação sintática direta —, como se vê em "Não obstante possam, as palavras, apresentar" (C), que isola o sujeito "as palavras" do verbo "apresentar".

O comando: o que a banca pede

A questão pede que se identifique o período em que "se observam plenamente as normas de pontuação". Isso significa que devemos testar cada alternativa contra as regras de uso da vírgula, do ponto e vírgula, dos dois-pontos e do travessão. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática normativa aplicada: a resposta está na estrutura sintática de cada período, não no conteúdo semântico. O comando "observam-se plenamente" exige que TODOS os sinais estejam corretos — um único desvio já invalida a alternativa.

A técnica que decide: a vírgula não separa o que é sintaticamente unido

A regra central para esta questão é a proibição de separar termos que mantêm relação sintática direta. Como ensina a gramática normativa, não se separam:

  • sujeito de verbo;

  • verbo de complemento;

  • nome de seu adjunto adnominal;

  • conjunção subordinativa do restante da oração que ela inicia.

Quando um termo é deslocado (adjunto adverbial anteposto ou intercalado, oração adverbial anteposta), a vírgula é obrigatória para marcá-lo. Mas se a vírgula isola um termo que está na ordem direta, ela quebra a coesão sintática e torna o período incorreto.

No texto-base, o autor explora a etimologia de "auditor" (o que ouve com atenção) e a proximidade entre audio e audeo (ousar), concluindo que "a quem se empenha em julgar o que ouve ou vê, cabe ouvir e ver muito bem, de modo aplicado". Essa ideia de atenção e análise criteriosa é o pano de fundo, mas a questão não depende do conteúdo — depende da estrutura das frases apresentadas.

A pegadinha da banca

A banca adora construir períodos em que a vírgula parece isolar um termo explicativo (o que seria permitido), mas na verdade separa o sujeito do verbo ou o verbo do complemento. É o caso da alternativa C: "Não obstante possam, as palavras, apresentar semelhanças fônicas" — as vírgulas isolam o sujeito "as palavras", mas isso é proibido, pois sujeito e verbo formam um bloco inseparável. A alternativa A faz o mesmo com "Uma vez articuladas, as palavras produzem uma frase: que, por sua vez, associada a outras, produzirá um discurso" — a vírgula após "frase" separa o substantivo da oração adjetiva que o restringe, e o uso de dois-pontos antes de "que" é inadequado.

Análise alternativa por alternativa

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: separação indevida entre nome e oração adjetiva restritiva + uso inadequado de dois-pontos.

No trecho "produzem uma frase: que, por sua vez, associada a outras, produzirá um discurso", a vírgula após "frase" separa o substantivo "frase" da oração adjetiva restritiva "que... produzirá um discurso". Oração adjetiva restritiva não pode ser separada por vírgula, pois restringe o sentido do antecedente. Além disso, os dois-pontos antes de "que" são inadequados: não introduzem enumeração, explicação ou citação, mas sim uma oração que deveria estar diretamente ligada ao nome. O travessão final também não tem função clara.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta: todas as vírgulas cumprem função legítima.

No período "Atente-se para as razões expostas por um grande filósofo: ainda quando controversas, provocam nosso senso crítico e testam os valores éticos, quando de fato presentes", temos:

  • Os dois-pontos introduzem uma explicação/especificação do que seriam as "razões".

  • A vírgula após "controversas" isola a oração subordinada adverbial temporal/concessiva deslocada "ainda quando controversas".

  • A vírgula antes de "quando de fato presentes" isola o adjunto adverbial deslocado "quando de fato presentes".

Não há separação de sujeito e verbo, verbo e complemento, ou nome e adjunto. A estrutura está perfeita.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: separação do sujeito do verbo.

Em "Não obstante possam, as palavras, apresentar semelhanças fônicas", as vírgulas isolam o sujeito "as palavras" do verbo "apresentar". Isso é proibido: sujeito e verbo formam um núcleo sintático que não pode ser separado por vírgula. O travessão depois de "fônicas" também não tem função justificável, e a vírgula após "ninguém" separa o verbo "induzir" de seu complemento "a estabelecer homologias semânticas".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: travessão separando verbo de seu complemento e vírgula indevida.

Em "É próprio dos grandes filósofos, como Kant – que alonguem o sentido das expressões comuns", o travessão separa o verbo "alonguem" de seu sujeito "que" (que retoma "filósofos"). A oração "que alonguem..." é subordinada substantiva subjetiva, e o travessão quebra a relação entre o verbo e seu sujeito oracional. Além disso, a vírgula após "Kant" é inadequada, pois isola o aposto "como Kant" de forma que prejudica a leitura.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: vírgula separando sujeito de verbo e ponto e vírgula mal empregado.

Em "O sentido das palavras é sim, esclarecido plenamente nos dicionários; mas, é preciso sempre atentar, para o sentido do contexto", temos:

  • A vírgula após "sim" separa o verbo "é" do predicativo "esclarecido".

  • O ponto e vírgula antes de "mas" é inadequado, pois a conjunção adversativa "mas" inicia oração coordenada que deveria ser separada por vírgula, não por ponto e vírgula.

  • A vírgula após "atentar" separa o verbo de seu complemento "para o sentido do contexto".

Conclusão

A única alternativa que respeita integralmente as normas de pontuação é a letra B. As demais cometem o erro clássico de usar a vírgula para separar termos que mantêm relação sintática direta, como sujeito e verbo, verbo e complemento, ou nome e adjunto. Gabarito: letra B.

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