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Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — FCC 2026

PortuguêsTipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
fc140550
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ SP
Ano
2026
Cargo
AFRE ( )

Uma escolha para viver

 

Li em algum lugar uma fábula interessante. Sem ser literal, preservo o sentido que me ficou dela.

 

Na Criação do mundo, um dos intendentes do Céu foi encarregado de definir o tempo de vida que cada espécie deveria ter.

 

Disse o intendente para a Tartaruga: – Você se dá bem com essa couraça, com essa neutralidade, com essa indiferença aos homens… Vai durar muitos e muitos anos.

 

Diante do Papagaio, sentenciou: – Essa ideia de plagiar os humanos, imitando-os e gozando-os, divertindo-os e divertindo-se, faz de você um malandrão… Bem merece uma vida longa.

 

E assim foi seguindo o intendente, dotando as criaturas da longevidade que lhe parecia justa, a partir do critério adotado.

 

Chegou a vez do Cachorro. O intendente, surpreso, olhou bem nos olhos dele, avaliou seu temperamento, reconheceu suas intenções e não teve dúvida:

 

– Quer dizer que você já decidiu ser amigo incondicional dos homens? Permanecerá como companheiro fiel até dos que pouco venham a se importar com você? E seguirá os andarilhos nas estradas, se estreitará com os miseráveis nos cantos e nos becos, irá morar com os viciados sob as pontes? Pois então vou te aquinhoar com uns poucos anos: que tua virtude valha teu sacrifício.

 

Assim sentenciado, o Cachorro abanou o rabo e olhou em volta, irrequieto, à procura de um amigo humano. Dispunha-se a ficar ao lado dele, fosse quem fosse: iria consolá-lo das aflições que viesse a sentir, compartilharia com ele as pequenas alegrias, enfrentaria com ele as chateações deste mundo.

 

(Alarico Valado, a editar)

Para responder à questão baseie-se no texto seguinte.

   

Transpõe-se adequadamente uma passagem do texto para o discurso indireto em:

  1. A“Estará certo ao se decidir em ser amigo do homem?” – perguntou-se o intendente diante do Cachorro.
  2. BO intendente avaliou a intenção do Cachorro e decidiu que, assim sendo, lhe concederia uns poucos anos.
  3. CAfiançou ele para a Tartaruga: ao se dar bem com essa sua couraça, houvesse de durar muitos e muitos anos.
  4. DAo se dar bem com essa couraça e essa neutralidade, digo-lhe que você deve viver por um longo tempo.
  5. EFoi sentenciado ao Papagaio: se plagiar os homens é de teu feitio, bem mereces uma vida longa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — O intendente avaliou a intenção do Cachorro e decidiu que, assim sendo, lhe concederia uns poucos anos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transposição para o discurso indireto: a fala do intendente ao Cachorro

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que transcreve, em discurso indireto, a fala do intendente dirigida ao Cachorro, preservando o sentido e aplicando corretamente as conversões de pessoa, tempo e estrutura. O trecho original — "Quer dizer que você já decidiu ser amigo incondicional dos homens?... Pois então vou te aquinhoar com uns poucos anos" — é reescrito na voz do narrador, com o verbo no futuro do pretérito ("concederia") e os pronomes em 3ª pessoa ("lhe"), exatamente como manda a técnica de conversão.

O comando: transposição de discurso

A questão pede que se transponha uma passagem do texto para o discurso indireto. Isso significa que a fala literal da personagem (discurso direto, marcado por travessão e verbos em 1ª/2ª pessoa) deve ser reescrita pela voz do narrador, em 3ª pessoa, com os tempos verbais recuados (presente → pretérito imperfeito; futuro do presente → futuro do pretérito) e os pronomes ajustados. Não se trata de interpretar o sentido, mas de aplicar a regra de conversão — e é isso que separa a correta das distratoras.

O texto: onde está a fala a ser convertida

O texto narra a fábula em que o intendente do Céu define a longevidade de cada espécie. A passagem que a alternativa B converte é a fala ao Cachorro:

"Quer dizer que você já decidiu ser amigo incondicional dos homens?... Pois então vou te aquinhoar com uns poucos anos: que tua virtude valha teu sacrifício."

No discurso direto, o intendente usa "você", "te", "tua" (2ª pessoa) e "vou" (futuro do presente). No discurso indireto, tudo isso deve virar 3ª pessoa e tempo recuado: "lhe concederia" (futuro do pretérito). A alternativa B faz exatamente isso, e ainda acrescenta o verbo de elocução "decidiu" — que é o verbo dicendi que introduz a fala reportada.

A técnica: as três conversões obrigatórias

Ao passar do discurso direto para o indireto, três eixos mudam:

  1. Pessoa do discurso: 1ª/2ª pessoa → 3ª pessoa ("você" → "lhe"; "te" → "lhe"; "tua" → "sua").

  2. Tempo verbal: presente → pretérito imperfeito; futuro do presente → futuro do pretérito ("vou aquinhoar" → "concederia").

  3. Estrutura: a fala com travessão e exclamação vira uma oração subordinada substantiva, introduzida por "que" ou "se", sem pontuação de citação.

A alternativa B cumpre os três. As demais falham em pelo menos um deles — ou mantêm a 2ª pessoa, ou não recuam o verbo, ou misturam discurso direto com indireto.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Estará certo ao se decidir em ser amigo do homem?" – perguntou-se o intendente diante do Cachorro.

Erro: contradiz o texto. No original, o intendente afirma que o Cachorro "já decidiu" ser amigo dos homens — não faz uma pergunta sobre se isso estaria certo. A alternativa transforma uma constatação em indagação, invertendo o sentido. Além disso, mantém a estrutura de discurso direto (travessão e verbo dicendi "perguntou-se"), o que já a desqualifica como transposição para o indireto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O intendente avaliou a intenção do Cachorro e decidiu que, assim sendo, lhe concederia uns poucos anos.

Correta. A alternativa reescreve a fala do intendente na 3ª pessoa, com o verbo no futuro do pretérito ("concederia") e o pronome "lhe" retomando o Cachorro. O verbo de elocução "decidiu" introduz a fala reportada, e a oração "que... lhe concederia" é a subordinada substantiva típica do discurso indireto. O sentido é preservado: o intendente, após avaliar o temperamento do Cachorro, decide dar-lhe poucos anos de vida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afiançou ele para a Tartaruga: ao se dar bem com essa sua couraça, houvesse de durar muitos e muitos anos.

Erro: mistura discurso direto com indireto. A alternativa começa com verbo dicendi ("afiançou") e dois-pontos, que são marcas do discurso direto, mas o conteúdo "houvesse de durar" está no pretérito imperfeito do subjuntivo — uma forma que não corresponde à conversão correta do futuro do presente "vai durar" (que deveria virar "duraria"). Além disso, mantém a 2ª pessoa em "sua couraça", o que é inadequado para o discurso indireto. A estrutura híbrida não é aceitável.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Ao se dar bem com essa couraça e essa neutralidade, digo-lhe que você deve viver por um longo tempo.

Erro: mantém a 2ª pessoa e o presente. A alternativa usa "digo-lhe" (1ª pessoa) e "você deve viver" (2ª pessoa, presente do indicativo) — exatamente o que a transposição para o indireto deve eliminar. No discurso indireto, o narrador fala em 3ª pessoa e recua os tempos: "disse-lhe que ele deveria viver". A alternativa é uma paráfrase do sentido, mas não é uma transposição de discurso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Foi sentenciado ao Papagaio: se plagiar os homens é de teu feitio, bem mereces uma vida longa.

Erro: mantém o discurso direto. A alternativa usa dois-pontos e a 2ª pessoa ("teu", "mereces"), que são marcas do discurso direto. Além disso, o verbo "mereces" está no presente do indicativo, sem o recuo temporal exigido. A forma correta em discurso indireto seria: "Foi sentenciado ao Papagaio que, se plagiar os homens era de seu feitio, bem merecia uma vida longa". A alternativa não faz a conversão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura alternativas que são paráfrases fiéis do sentido (como D e E) com a transposição correta de discurso. A armadilha é confundir "reescrever com outras palavras" com "converter o discurso". A transposição exige mudança de pessoa, tempo e estrutura — não basta manter o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de transposição, grife no original os pronomes de 1ª/2ª pessoa e os verbos no presente/futuro. Depois, verifique se a alternativa os converteu para 3ª pessoa e pretérito. Se qualquer pronome ou tempo ficou igual ao original, a alternativa está errada.

Conclusão: a única alternativa que aplica integralmente as regras de conversão — 3ª pessoa, futuro do pretérito e oração subordinada — é a letra B. As demais ou mantêm o discurso direto, ou não recuam os tempos, ou invertem o sentido. Gabarito: letra B.

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