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Questão de Português — Orações Coordenadas — FCC 2026

PortuguêsOrações Coordenadas
Código
fc140558
Banca
FCC
Órgão
MPE AP
Ano
2026
Cargo
Ana Min ( )

Praia anoitecendo

 

Agora há apenas um espaço
Como esse lá fora,
uma distância infinita
entre mim, você e as verdades,
espero mesmo
que a gente continue se desencontrando
Que os ventos nos soprem direções contrárias
Que os caminhos sejam preenchidos de novas lembranças
Que a vida sempre, sempre exerça a sua natureza: a mudança
Para entender que
O teu abraço,
O lugar no teu lado e
dos teus olhos, nada me cabiam ali
Foi sempre pequeno, e eu com tanto sentir
E você me pedindo pra ser menos
Como? Como segurar um oceano inteiro no peito?
Para lhe dar conforto me espremia ali no canto
No canto das tua incertezas
Na certeza que em algum momento
Eu poderia sentir tudo sem medo...
Até que aceitei, que o mar não funciona para barco pequeno.

 

(Adaptado de: Bárbara Primavera. Praia anoitecendo. Disponível em:

https://florescerpoesia.blogspot.com/2025/03/praia-anoitecendo.html)

Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo.

   

 

A vírgula em “Foi sempre pequeno, e eu com tanto sentir” indica uma

  1. Apausa que reforça a justa posição entre dois segmentos enunciativos.
  2. Bintercalação explicativa, equivalente a um aposto gramatical.
  3. Cenumeração de características de igual valor sintático e semântico.
  4. Dseparação gramaticalmente indevida entre sujeito e verbo.
  5. Ereplicação do verbo, utilizado com valor expressivo enfático.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — pausa que reforça a justa posição entre dois segmentos enunciativos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A vírgula entre orações coordenadas: pausa que reforça a oposição

Gabarito: letra A. A vírgula em “Foi sempre pequeno, e eu com tanto sentir” separa duas orações coordenadas assindéticas (sem conjunção), com sujeitos diferentes, e a pausa que ela marca reforça a justaposição entre os dois segmentos enunciativos — um contraste entre o que “foi pequeno” e o que “eu” sentia. Como se lê no texto: “Foi sempre pequeno, e eu com tanto sentir”. A vírgula não enumera, não intercala explicação, não separa sujeito de verbo e não replica verbo: ela apenas põe lado a lado duas orações independentes, e a pausa dá peso à oposição.

O comando: o que a questão pede

O enunciado pergunta o que a vírgula indica no trecho citado. Isso é uma questão de pontuação com efeito de sentido: não basta saber a regra mecânica (separar orações coordenadas); é preciso perceber o valor expressivo da pausa. A banca quer que você relacione o sinal de pontuação à estrutura sintática e ao efeito semântico que ele produz no contexto.

O texto: onde mora a resposta

O poema “Praia anoitecendo” fala de um eu lírico que aceita o fim de uma relação. No trecho citado, há duas orações:

“Foi sempre pequeno, e eu com tanto sentir”

  • 1ª oração: “Foi sempre pequeno” — sujeito oculto (o abraço, o lugar, os olhos, tudo o que “nada me cabia ali”).

  • 2ª oração: “eu com tanto sentir” — oração sem verbo explícito (elipse de “ficava” ou “estava”), com sujeito “eu”.

São duas orações coordenadas assindéticas (sem conjunção entre elas), com sujeitos diferentes. A vírgula as separa, e a pausa que ela cria reforça a justaposição — os dois segmentos ficam lado a lado, como dois polos opostos: o que era pequeno (o espaço do outro) e o que era imenso (o sentir do eu).

A técnica: por que a vírgula aqui não é enumeração, aposto, erro ou repetição

A vírgula tem vários usos, e a banca testa exatamente a capacidade de distinguir cada um. Veja o que ela não faz no trecho:

  • Não enumera: enumeração exige três ou mais termos da mesma função sintática (ex.: “comprei pão, queijo, frutas”). Aqui há apenas dois segmentos, e eles não são termos de uma lista — são orações.

  • Não intercala aposto: aposto é um termo que explica ou especifica outro, geralmente entre vírgulas (ex.: “Maria, a professora, chegou”). No trecho, “e eu com tanto sentir” não explica “pequeno”; é uma oração nova, com sujeito próprio.

  • Não separa sujeito de verbo: isso seria erro de pontuação (ex.: “O menino, correu”). Aqui a vírgula está entre duas orações, não entre sujeito e verbo de uma mesma oração.

  • Não replica verbo: não há repetição do verbo “foi” na segunda oração; há elipse (omissão) do verbo, o que é diferente.

A vírgula, portanto, separa orações coordenadas assindéticas — uso clássico e correto. E o efeito de sentido é a pausa que reforça a oposição entre os dois segmentos: o contraste entre o “pequeno” (o espaço do outro) e o “tanto sentir” (a imensidão do eu).

Análise das alternativas

Vírgula entre orações coordenadas
  • 1O que é
    • Separa orações assindéticas
    • Sujeitos diferentes
    • Pausa com valor expressivo
  • 2O que NÃO é
    • Enumeração (exige 3+ termos)
    • Aposto explicativo
    • Separação sujeito/verbo (erro)
    • Replicação do verbo (há elipse)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A vírgula marca uma pausa que separa dois segmentos enunciativos justapostos (colocados lado a lado), reforçando a relação de oposição entre eles. No texto:

“Foi sempre pequeno, e eu com tanto sentir”

A pausa após “pequeno” destaca o contraste: de um lado, o que era pequeno (o espaço do outro); de outro, o que era imenso (o sentir do eu). A justaposição é típica das orações coordenadas assindéticas, e a vírgula é o sinal que materializa essa pausa expressiva.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A vírgula não introduz uma intercalação explicativa nem um aposto gramatical. Aposto é um termo que explica ou especifica outro (ex.: “Brasília, capital do Brasil, é plana”). No trecho, “e eu com tanto sentir” não explica “pequeno”; é uma oração coordenada com sujeito próprio. Não há relação de aposto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: generalização indevida. A vírgula não marca enumeração de características de igual valor sintático e semântico. Enumeração exige três ou mais termos da mesma função (ex.: “a casa era ampla, clara, arejada”). Aqui há apenas dois segmentos, e eles são orações, não adjetivos ou características coordenadas. Além disso, o segundo segmento não é uma característica do primeiro — é uma oração nova.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A vírgula não separa sujeito de verbo — isso seria um erro de pontuação (ex.: “O menino, correu”). No trecho, a vírgula está entre duas orações, não entre sujeito e verbo de uma mesma oração. A primeira oração tem sujeito oculto (“Foi sempre pequeno” — o abraço, o lugar, os olhos), e a segunda tem sujeito “eu”. A vírgula não interfere na relação sujeito-verbo de nenhuma delas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A vírgula não replica o verbo. Não há repetição do verbo “foi” na segunda oração; há elipse (omissão) do verbo — “eu com tanto sentir” equivale a “eu ficava com tanto sentir”. A vírgula marca a omissão (zeugma/elipse), não a repetição. Replicação com valor enfático seria algo como “Foi pequeno, foi pequeno” — o que não ocorre.

Fechamento: a regra de ouro

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a função da vírgula, pergunte-se: quantos segmentos há? Se forem dois e cada um tiver sujeito próprio, é separação de orações coordenadas — não enumeração (que exige 3+), não aposto (que explica um termo), não erro (que separaria sujeito de verbo). A pausa, então, tem valor expressivo: reforça a relação entre as orações.

Gabarito: letra A.

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